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Pokémon Champions pode revolucionar parte nichada da franquia | Preview

Game tem estrutura para mudar como o VGC é visto, mas precisa de cuidado da Pokémon Company

Omelete
5 min de leitura
25.03.2026, às 11H00.
Atualizada em 25.03.2026, ÀS 12H22

Não faz muito sentido que a maior franquia do entretenimento também tenha um dos cenários competitivos mais inacessíveis do esporte eletrônico, e é pra isso que Pokémon Champions foi concebido. O game será gratuito para jogar, não carrega a necessidade prévia de se adquirir os títulos anteriores e terá até uma versão para celulares disponível. Em teste antecipado realizado a convite da The Pokémon Company, em Seattle, o Omelete pôde experimentar um pouco da mudança de panorama que o jogo deve promover.

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Antes de tudo, vale destacar que Champions foi recebido com algum estranhamento pelo público em seu anúncio — não por impressões ruins ou coisa do tipo, mas sim pela dúvida do que o jogo, de fato, seria. A similaridade com Pokémon Stadium, clássico da era Nintendo 64, foi apontada por alguns, o que só denuncia como o cenário de VGC é desconhecido por boa parte do público.

VGC, ou Video Game Championships, é a sigla dada aos campeonatos de batalhas Pokémon. A base para os torneios da modalidade era, até então, a atual geração da franquia; desde o fim de 2022, por exemplo, Scarlet e Violet eram adotados em competições oficiais. Os campeonatos acontecem, em sua grande maioria, de forma presencial e culminam em grandes eventos, como o Campeonato Internacional Pokémon América Latina (LAIC), sediado no Brasil em 2025, e o próprio Pokémon World Championships, que acontecerá em San Francisco neste ano.

No entorno desse cenário existe uma comunidade que se dedica a encontrar os melhores Pokémon, otimizar seus atributos, golpes e habilidades, e criar estratégias para vencer os adversários. Todos esses elementos serão sintetizados em Champions, que passará a ser a casa do VGC de agora em diante.

Nos quarenta e poucos minutos de teste, foi possível experimentar um pouco dessas mecânicas — e também tirar, da melhor maneira, algumas das várias dúvidas que ficaram desde o anúncio.

Talvez a melhor forma de explicar o funcionamento do jogo seja pela principal mecânica da franquia: captura. O novo game não te coloca para arremessar Poké Bolas ou pede que você atordoe uma criatura antes de adicioná-la ao seu time. Ao invés disso, o jogador tem uma seleção diária de Pokémon, no estilo gacha, com 10 opções, podendo escolher gratuitamente quem entrará para sua equipe.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

Uma vez que a escolha é feita, é hora do Treinamento. Aqui, o conhecimento prévio sobre como funcionam os atributos da franquia são colocados à prova. O jogador tem 66 pontos para distribuir como quiser entre as características clássicas da série, como Ataque Especial, Defesa, Velocidade e afins. No mesmo menu, é possível escolher o quarteto de golpes, entre dezenas de opções disponíveis, assim como Natureza e Habilidade do seu monstro.

Seguindo esse processo, as clássicas equipes de seis Pokémon são formadas, mas ainda há alguns detalhes adicionais. A principal moeda de Champions é o Victory Point (VP), conquistado, como o nome diz, por meio de vitórias contra outros treinadores — mas também ao cumprir tutoriais e outras tarefas. A customização do Treinamento, assim como chances adicionais na roleta de recrutamento, pede determinadas quantidades de VPs, impedindo que os jogadores tenham tudo a seu dispor logo de cara.

Há também itens para equipar em seus “lutadores”, incluindo as almejadas Mega Stones, que desbloqueiam as Megaevoluções.

A monetização do game preenche essas frestas. Um passe de batalha, que também possui versão grátis, dá recompensas como bilhetes para recrutamentos extras, itens equipáveis e mais, tirando um pouco do protagonismo dos VPs. Um sistema de assinatura, por sua vez, dá mais espaço para montar equipes pré-determinadas.

Enfim, isso se mistura em um game divertido? Tivemos apenas duas batalhas durante a janela do preview, e apesar das texturas das criaturas parecer um pouco “lavada”, ambas trouxeram a sensação lendária que está presente desde sempre na franquia. O suspense antes de cada ataque e a alegria ao superar um adversário forte estão ali, somado a algumas ótimas animações de ataque, mas talvez essa seja a parte mais fácil de se fazer — afinal, Pokémon já tem 30 anos de estrada seguindo essa fórmula.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

A dificuldade está em sustentar o momento mais importante da gameplay com as ferramentas necessárias para que Champions não seja apenas um ciclo infinito de batalhas. Em gerenciamento de projetos, o termo MVP é usado para produtos que atingem os pontos mínimos para se tornarem algo comercializável, e é nesse estágio que o game parece estar.

Isso não é, de forma alguma, negativo. Na verdade, grande parte dos títulos que almejam ser grandes nomes do esporte eletrônico começa assim, sendo Valorant um dos exemplos mais recentes. Não há por que apostar em conteúdos e mecânicas extras quando não se sabe a recepção do público sobre a parte mais básica do game. Uma vez que o jogo seja compreendido pela comunidade, a Game Freak pode, e deve, seguir feedbacks para aprimorá-lo cada vez mais.

Dito isso, não descobrimos nessa gameplay se o extremamente requisitado modo espectador estará no jogo. Por outro lado, já há a possibilidade de batalhas em duplas ou individuais, assim como um sistema de lutas ranqueadas e casuais, e até um seletor de trilha sonora para cada duelo. Vale citar, também, que o game não tem modos PvE; todos os confrontos são contra outro treinador de carne e osso.

De qualquer forma, Pokémon Champions tem tudo para ser uma mudança gigantesca — talvez revolucionária — para a forma que o cenário competitivo da franquia é visto pelos fãs. O game tem as ferramentas e a estrutura necessária para que o VGC saia do nicho e se torne mainstream; uma vez que o jogo chegue às mãos dos jogadores e as inevitáveis críticas e feedbacks surgirem, é a vez da Pokémon Company mostrar o comprometimento que quer ter com esse título.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

A entidade Pokémon é potente o suficiente para que o VGC continue vivo mesmo que não haja muito interesse em aprimorar Champions de maneira ágil e eficiente, mas há potencial para muito mais que isso.

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