Icone Fechar
Games
Notícia

Phantom Blade Zero é como uma enciclopédia jogável (e desafiadora) do kung fu

Testamos o game por seis horas e ficamos impressionados com sua variedade

Omelete
4 min de leitura
08.10.2026, às 20H00.
Phantom Blade Zero

Créditos da imagem: Divulgação/S-Game

O convite para viajar até Beijing e testar Phantom Blade Zero por seis horas foi minha terceira oportunidade de jogar o game antes de seu lançamento. Do Summer Game Fest 2024 pra cá, ficou cada vez mais claro que a S-Game encontrou a rota que queria seguir com seu primeiro título de um escopo tão amplo, e mesmo já tendo uma boa ideia de como o jogo seria depois do teste da gamescom latam, o contato estendido não só com a jogabilidade, como com os funcionários do estúdio, fez com que eu aprendesse mais sobre esse projeto.

Omelete Recomenda

Nesse ponto da história é seguro dizer que você já sabe algo sobre Phantom Blade Zero: seu combate é frenético e extremamente variado, com inúmeras armas diferentes disponíveis para o protagonista Soul. Dentro dessa gama, uma base muito sólida de kung fu é respeitada meticulosamente nas coreografias; talvez a visita à estrutura de captura de movimentos tenha me enviesado, mas é nítido que o jogo tem o desejo de homenagear esta arte milenar.

Ironicamente, essa vontade de reverenciar sua própria cultura foi o grande trunfo de Black Myth: Wukong para o público chinês. Por aqui, o jogo se destacou muito mais pela qualidade gráfica e dinamicidade das lutas; do outro lado do mundo, onde a Jornada para o Oeste é profundamente conhecida, ele emocionou o público ao dar vida para essa história tão importante.

Felizmente para a S-Game, o kung fu é bastante disseminado por aqui — até considerando adaptações que só pegam fragmentos da história de Wukong para se transformarem em outra coisa, dá pra dizer que sabemos mais da arte marcial do que da lenda do Deus Macaco. Com o lendário Donnie Yen (Ip Man, John Wick 4) no comando das lutas, Phantom Blade talvez seja mais do que uma homenagem a esse estilo de luta, e acabe se tornando uma enciclopédia jogável do gênero Wuxia e tudo que o cerca.

Nada disso adiantaria se o jogo fosse chato, mas o caso parece ser justamente o contrário. Tivemos a oportunidade de acompanhar o início da história de Soul, que escapa da morte após enfrentar seu irmão de criação Zuoshang; depois da luta, uma entidade misteriosa chamada O Escultor da Carne regenera parcialmente seu coração, dando a ele apenas 66 dias para conseguir uma cura completa.

Phantom Blade Zero
Divulgação/S-Game

A passagem desses dias acompanha a história para jogadores casuais, com a contagem diminuindo a cada grande evento completo ou chefão derrotado. Àqueles que querem um desafio, entretanto, haverá um modo em que cada morte reduzirá um dia na vida de Soul, dando um senso de urgência maior.

Se esse conceito não foi suficiente para deixar claro, vale dizer que Phantom Blade Zero é um jogo consideravelmente difícil. Os inimigos comuns podem te encher bastante o saco caso não se tome cuidado com eles, e alguns dos chefões vão te obrigar a decorar padrões e encarar a tela de game over algumas vezes, especialmente no começo do game.

Quando nos aproximamos do final do período de teste, fomos transportados para momentos mais à frente no jogo, com um Soul já muito mais poderoso e de repertório vasto. Havia uma miríade de Phantom Edges — armas secundárias que gastam cargas ao serem usadas — e lâminas disponíveis, o que deixou muito mais fácil a tarefa de enfrentar os dançarinos com cabeça de leão (mas ainda não foi uma caminhada pelo parque).

Phantom Blade Zero
Divulgação/S-Game

O arsenal robusto dá vida ao sistema de Sha-Chi das batalhas: a barra de “stamina”, que aparece tanto no jogador quanto nos inimigos, abre espaço para golpes poderosos uma vez que está zerada. Para Soul, entretanto, esse recurso é resetado ao revezar suas armas, incentivando que o jogador use lâminas diferentes em um mesmo combo.

Com a gameplay encerrada, a palavra que se destacou entre as várias que poderiam descrever o jogo foi criatividade. Usando a base do kung fu, a equipe da S-Game conseguiu criar uma experiência variadíssima, em que cada arma muda completamente o estilo de jogo, e cada chefão apresenta um design e ameaças bastante distintas. Será divertidíssimo experimentar todas essas possibilidades sem amarras, e é praticamente certo que Phantom Blade estará entre os melhores jogos de ação do ano.

Seu maior obstáculo, talvez, seja o restante da indústria: o lançamento está marcado para 29 de outubro, pouco mais de duas semanas antes do temível GTA 6, e meros dias antes de The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Apesar de estar próximo de gigantes, o game tem proposta completamente diferente e pode contar com o apoio generalizado do público chinês — ficamos na expectativa para que ele tenha uma recepção calorosa, mesmo numa época difícil.

Comentários (0)

Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.

Escrever comentário


Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.