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Jogamos | Metro 2039 desponta na corrida do GOTY de 2027

Novo jogo da ucraniana 4A Games aborda temas reais em seu universo distópico futurista

Omelete
4 min de leitura
Atualizada em 26.08.2026, ÀS 16H16

Em 2022, após anos de tensão diplomática e militar, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ordenou um ataque terrestre à Ucrânia, iniciando um confronto armado e brutal que dura desde então. Segundo a ONU, aproximadamente 17 mil civis ucranianos foram vitimados, enquanto mais de 50 mil foram feridos. Aqueles não afetados diretamente sofrem com consequências indiretas, como a falta de serviços essenciais e a necessidade de se mudar constantemente para evitar a proximidade dos confrontos.

Entre os afetados estão os desenvolvedores da 4A Games, o que impactou o desenvolvimento do novo jogo do estúdio, Metro 2039. A franquia sempre buscou expor o lado mais sombrio da sociedade quando exposta a situações calamitosas, exatamente quando confundimos nossos pensamentos intrusivos com o instinto de sobrevivência. Novamente em parceria com o escritor russo Dmitry Glukhovsky, autor da série de livros que inspirou os games, eles buscam contar a história de um homem manipulador e poderoso, capaz de preencher o vácuo de poder com punho de ferro e sem escrúpulos.

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Na última semana, tive a oportunidade de testar Metro 2039 por algumas horas e venho contar a minha experiência neste texto. Apesar da introdução apaixonada, o conteúdo será focado na ambientação e nas mecânicas, já que pouco da história foi apresentado nesta demonstração.

Como dito pelo diretor Andriy Shevchenko durante uma apresentação restrita, a ideia da 4A foi trazer de volta a vibe de Metro 2033 e Last Light, mas sem deixar de lado todos os avanços alcançados em Exodus. Isso pode ser notado em menos de 10 minutos de jogo: corredores apertados, sensação de claustrofobia e um medo incessante dos perigos presentes no escuro.

Apesar de um mapa aberto com vários edifícios exploráveis, Metro 2039 resgata a angústia e a tensão constantemente presentes nos dois primeiros títulos da saga. Logo após o protagonista Estranho sair da estação Sevastopolskaya, somos surpreendidos por um mutante que espreitava nas trevas, sem apresentar um único indício de sua presença. Isso impossibilita completamente uma reação e ressalta o sentimento de ameaça constante.

O susto, ainda assim, não é um artifício usado com frequência. Afinal, o objetivo não é te amedrontar, mas te horrorizar. Cada quarto, sala e salão que adentramos traz consigo uma carga emocional, uma história interrompida, um último indício de vida. Jantares não finalizados, bonecos de pelúcia jogados no chão, camas que perderam seu propósito.

Fantasmas desse passado distante ainda habitam essas ruas moscovitas. Um dos momentos mais tensos da minha jogatina foi passar perto de um parquinho infantil. De canto de olho, é possível observar sombras de crianças que uma vez ali jogavam bola, se balançavam e corriam umas atrás das outras. A habilidade de enxergar esses vultos parece ser um aspecto importante do Estranho, ainda que não tenha sido esclarecido o motivo por enquanto.

Não só de ambientação vive Metro 2039. As mecânicas de exploração e combate se entrelaçam, costurando uma base sólida e integrada. Ferramentas como óculos de visão noturna servem tanto para navegar por ambientes escuros quanto para se esconder dos inimigos nas sombras. A luz UV permite identificar mensagens nas paredes e também mutantes escondidos no cenário.

Os confrontos são brutais. Cada bala tem um peso e te faz refletir sobre a eficiência de seu uso após cada disparo. Uma munição usada de forma errada agora pode ser uma possibilidade a menos de derrotar um inimigo à frente. Bom, isso seria 100% verdade se não fosse possível fabricar cartuchos em alguns pontos específicos do mapa. A exploração perde um pouco de sua importância. O mesmo dá para dizer da possibilidade de fabricar filtros de oxigênio, uma birra minha antiga que nunca vai passar.

Uma novidade bastante interessante é que as modificações das armas podem ser obtidas desmontando armamentos no caminho ou encontrando diagramas espalhados pelo mapa. Já que munição e filtro de oxigênio não são mais um problema, essa foi a forma que a 4A Games encontrou de incentivar o jogador a vasculhar cada cantinho do cenário e engajar com os pequenos quebra-cabeças apresentados.

Como dito anteriormente, quase nada foi revelado da trama em si. Sabemos que o Estranho está, por algum motivo, tentando encontrar Hunter. Caso tenha jogado Metro 2033, deve lembrar que ele é um soldado espartano amigo de Artyom, responsável pelo pontapé inicial na trama do jogo, mas que some completamente após isso. Descobrimos que nesses seis anos, de alguma forma, ele se tornou o líder supremo (aka Führer) do grupo nazista Novoreich.

A motivação por trás dessa caçada do Estranho ainda é desconhecida por mim, mas fiquei atônito ao ver o protagonista surpreso com o ex-soldado se apresentando em um vídeo como essa liderança maléfica. Grandes reviravoltas pavimentarão o caminho, sem sombra de dúvidas.

O sentimento é que Metro 2039 vem para tirar todo aspecto negativo que a os jogos eurojank possuem. Descobriremos se esse objetivo será atingido quando o game for lançado em fevereiro de 2027 para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC.

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