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Jogamos | Marvel's Wolverine é brutal, mas não abre mão da sensibilidade

Game explora a violência física e psicológica que envolve seu protagonista

Omelete
4 min de leitura
13.08.2026, às 12H00.

Ao conversar com os diretores de Marvel's Wolverine em junho, eles cravaram que o objetivo final do game era entregar a experiência suprema do personagem nas mãos dos jogadores. Depois de duas horas testando o próximo jogo da Insomniac, é mais fácil entender o que eles queriam dizer com essa afirmação. Essa aspiração, ainda que compartilhada com os Spider-Man feitos pelo estúdio, tem resultados completamente diferentes quando estamos na pele de Logan.

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Não à toa, um desses jogos traz um mundo aberto vivíssimo enquanto o outro é completamente linear. Menos móvel, Wolverine não seria tão ágil em seus deslocamentos; a natureza do personagem é, sim, de bastante rapidez, mas em movimentos curtos e brutais.

Ainda que seja mentalmente delicado, o protagonista é sinônimo de destruição em massa quando está enfrentando seus inimigos, e os primeiros segundos com o controle nas mãos já deixam isso muito claro: é fácil saltar de um inimigo para o outro enquanto os perfura com as garras de Adamantium. Não há necessidade para grandes combos e acrobacias, e quase tudo se resolve com poucas porradas, fazendo com que a diferença de poder entre o mutante e um humano comum seja sentida imediatamente.

Mesmo com esse abismo entre os dois e o fator de cura sendo uma constante, não pense que as batalhas são um passeio no parque. Inimigos mais parrudos, que te obrigam a atordoá-los com defesas perfeitas, e até bloqueadores de mutação entram para dificultar um pouco a vida do jogador, que precisa encontrar um ritmo em sua agressividade para conseguir superar as batalhas mais complicadas.

Marvel's Wolverine
Divulgação/Sony

Esse leque ainda traz alguns segmentos de furtividade, que encontram sua coerência nos sentidos aguçados do protagonista. Escutar passos e sentir cheiros facilita bastante a vida do jogador na hora de planejar o próximo abate silencioso — mas sinceramente, é muito mais legal e recompensador cair no soco.

A ideia da Insomniac não é fazer com que Logan planeje um pouco mais seus movimentos e cadencie as lutas; é justamente o contrário. Quanto mais se encara de frente os problemas, mais forte o protagonista fica, e ao mesmo tempo que essa proposta obriga pensamentos rápidos, ela também destaca o sistema de fúria — que passa longe de ser um recurso inédito em títulos single-player, mas é aplicado de forma bastante única em Marvel's Wolverine.

Títulos como God of War ou Devil May Cry quase sempre possuem suas versões de um estado superpoderoso de seus protagonistas, que pode ser desbloqueado depois de longas sequências de porradaria. Normalmente, esses momentos vêm acompanhados de golpes mais fortes e recuperação de vida; essa ideia foi ajustada pela Insomniac para garantir que o auge da fúria de Wolverine só apareça quando os abates são rapidamente empilhados.

Isso se traduz para uma barra abaixo da de vida, que vai se preenchendo a cada golpe e morte, mas esvazia nos momentos de pausa. Quando ela chega a seu máximo, derrotar um inimigo é quase tão simples quanto apertar dois botões, e a tolerância aos golpes adversários é altíssima. O fator de cura, da mesma forma, fica muito mais eficaz.

Marvel's Wolverine
Divulgação/Sony

Toda essa intensidade, contra o único chefão que enfrentamos durante o teste, perde um pouco do peso. A barra de vida do Sentinela demora a baixar, e boa parte do dano que ele sofre vem em quick-time events — as clássicas seções animadas em que precisamos apertar o botão certo para executar uma ação pré-programada. Olhando ao redor da sala em que jogamos, era fácil encontrar jogadores travados nessa parte, muito provavelmente por conta dessa mudança de tônica.

A sensação, entretanto, é que Wolverine fica consideravelmente mais forte conforme se avança na campanha. A clássica árvore de habilidades marca presença, assim como um outro sistema de modificações: alterando o DNA do mutante, é possível ganhar uma ou outra vantagem adicional. Por cima disso, há também especiais que entram em recarga depois de serem utilizados.

Fica a questão se essa variação será suficiente para evitar que o combate se torne cansativo conforme as horas de jogatina se empilham. O sintoma acusou em Marvel's Spider-Man, que compensava com o mundo aberto incrível e um dos melhores sistemas de movimentação já feitos nos games. Em Wolverine, a sensação é de que a força motriz para continuar jogando será a história.

A experiência que tivemos jogando partes do Ato 1 — sua hora inicial e a hora final — denuncia momentos extremamente emocionantes logo no começo da aventura de Logan. Sem entrar em spoilers, o enredo obriga o personagem a mostrar muito mais do que a raiva que já estamos acostumados. Wolverine, vale sempre lembrar, tem um passado conturbado e não é exatamente referência em lidar com sentimentos; e é coerente que, como protagonista, ele exiba vislumbres mais profundos de sua psique.

Marvel's Wolverine
Divulgação/Sony

A Insomniac não é estranha a boas histórias no universo Marvel, com o primeiro Spider-Man e a curta jornada de Miles Morales se destacando nesse sentido. Em um ambiente mais adulto e sanguinolento, talvez haja até mais liberdade para explorar o emocional do jogador, e esse é o fator que mais me deixa ansioso para o lançamento de Marvel's Wolverine.

O game chega no dia 15 de setembro para PlayStation 5, encerrando um ciclo de desenvolvimento conturbado, mas que se encaminha para um final feliz.

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