Preview | Highguard é bem mais que um hero shooter genérico
Game ficou manchado por aparição no TGA, mas é de fato inovador e divertido
Fale o que quiser de Geoff Keighley, mas é inegável que o apresentador/jornalista/dono de eventos gosta bastante de games. Ao colocar Highguard no posto de maior destaque do The Game Awards 2025, Keighley abriu espaço não só para um projeto pequeno de uma desenvolvedora promissora, mas também para uma série de hate. Como assim o principal anúncio de um dos maiores eventos do ano é mais um hero shooter? A pergunta vem de imediato para muitos, mas depois de algumas horas jogando o primeiro título da Wildlight, podemos admitir que Geoff sabia de algo.
Honestamente, nem é grande surpresa: a Wildlight é composta majoritariamente de egressos da Respawn, que trabalharam em Titanfall e Apex Legends: o primeiro, um dos shooters mais influentes da última década, e o segundo é um sucesso absoluto até hoje, ainda que não se fale muito sobre ele no Brasil.
Um jogo que é feito pelos desenvolvedores de alguns dos melhores shooters dos últimos quinze anos, sem as amarras de grandes publishers, devia ser atrativo por si só, mas a saturação do gênero pesou bastante para o estúdio estreante, que mal fez publicações desde o anúncio.
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Felizmente, Highguard está muito mais para algo fresco e difícil de se colocar em uma caixa específica. O game tenta introduzir o conceito de Raid Shooter, em que as diferentes fases de ação trazem uma gama de sabores para a mesma partida.
Depois de escolher seu personagem, que tem habilidades específicas para cumprir determinadas funções no campo de batalha, os times de três pessoas iniciam a preparação das defesas da sua base — reforçando paredes e criando atalhos, bem no estilo Rainbow Six: Siege. Depois, começa a fase de exploração: um mapa bastante expansivo se abre, oferecendo loot em baús e a coleta de recursos que podem ser usados para comprar novos equipamentos.
Após alguns minutos, a espada Shieldbreaker começa a ser formada em um ponto aleatório: ter sua posse é essencial para conseguir invadir a base inimiga e iniciar uma Raid. Num sistema similar a Capture the Flag, o jogador que estiver com o objeto é destacado no mapa, e abatê-lo derruba a Shieldbreaker no chão para quem conseguir pegar.
Ao alcançar a base inimiga com a posse da espada, a invasão começa: o time que está atacando precisa destruir Geradores e um Ponto de Ancoragem para tirar pontos de vida da base, e isso é feito à la Counter-Strike. Basta plantar um sabotador e mantê-lo seguro por alguns segundos para que a explosão aconteça.
A defesa tenta se segurar e eliminar os inimigos antes que eles consigam dominar os Geradores. Os respawns para atacantes são limitados nessa fase, então garantir um certo número de abates encerra a Raid — iniciando um novo ciclo para capturar a Shieldbreaker.
É bastante coisa, e ainda há complexidades como Prorrogação, itens de diferentes raridades e até uma loja de equipamentos, sem falar nas habilidades de cada personagem, mas o grande mérito de Highguard é explicar tudo isso sem atordoar o jogador. Durante os jogos, cada uma das inúmeras mecânicas presentes se encaixa de maneira natural, com muita ajuda de uma narradora que explica o que está acontecendo em cada momento da partida.
Para além da proposta inovadora, o game ainda tem um ótimo confronto armado, o popular gunplay — elemento que, apesar de parecer óbvio, é essencial para o sucesso de qualquer shooter. Movimentação plástica, mas longe da insanidade dos últimos Call of Duty, e um Time To Kill que lembra o de Apex Legends se encaixam muito bem, especialmente com as divertidíssimas Montarias, que dão estilo e mobilidade para os personagens — nada como chegar na batalha montando um grifo.
Essas bases sólidas sustentam um sistema de monetização que parece extremamente honesto, com passes de batalha que não expiram e cosméticos acessíveis permanentemente, incluindo itens gratuitos. Também vale destacar a imensa variedade de skins que já estava presente na build de teste; Highguard já deve chegar com muita variedade cosmética para armas, personagens e Montarias.
Infelizmente, nenhum desses elementos é garantia de sucesso entre shooters. O gênero costuma depender demais de alguma sorte após o lançamento, seja no engajamento com streamers ou clipes virais. O fator free to play pode ser um catalisador nesse sentido, já que é fácil de imaginar alguns milhares querendo testar o tal jogo que encerrou o TGA, mas a Wildlight tem uma jornada desafiadora pela frente, e ao menos a sua parte já foi feita com altíssima qualidade.