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Hellraiser: Revival causa agonia e repugnância — mas talvez essa seja a intenção

Jogo de terror nos deixou desgraçados da cabeça durante o Summer Game Fest 2026

Omelete
3 min de leitura
16.06.2026, às 09H00.
Atualizada em 16.06.2026, ÀS 10H16

Existe um mérito considerável em causar sustos mesmo dentro de um ambiente já extremamente hostil. O gênero do horror, não só nos games, gira em torno do acúmulo de tensão, e sua eventual liberação em forma de grito, suspiro ou uma fechada agressiva de olhos — às vezes, entretanto, exceções a este formato. O teste de Hellraiser: Revival durante o Summer Game Fest 2026 foi um deles.

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O ambiente já era bem propício para o medo: as poucas luzes da sala eram vermelhas, com uma decoração que sugeria os tons de masoquismo do jogo. Uma vez que a demonstração começou, entretanto, até que o cenário era confortável.

Revival não é bem um survival horror como Silent Hill ou alguns dos Resident Evil. Ele abraça parcialmente a ação em primeira pessoa, deixando o jogador um pouco tranquilo na hora de enfrentar seus inimigos. Além de armas comuns como facas e revólveres, a mão esquerda carrega um cubo poderoso, que definitivamente é familiar para fãs da franquia, dando outras possibilidades a mais no combate.

O artefato interage com o ambiente de maneiras curiosas, absorvendo o fogo de uma tocha ou tomando controle de tesouras enferrujadas que estavam em alguma sala, para então dispará-los contra os vilões. Na demonstração, que durou algo entre 30 e 40 minutos, lutamos contra humanos de armadura medieval, mas que portavam armas de fogo por algum motivo.

Pode parecer estranho, mas até que a combinação fazia sentido com a espécie de masmorra sexual em que a fase se ambientava. Hellraiser, afinal, não é conhecida por ter receio de explorar temas mais pesados — muito pelo contrário.

Hellraiser Revival
Divulgação/Saber Interactive

Entre uma tiros e magias, há espaço para um ou outro quebra-cabeça, obrigando o jogador a olhar ao redor e entender como os itens que ele encontrou se encaixam com a próxima porta. Nada tão complexo, mas que dá um respiro para a tensão entre os combates; as lutas não são exatamente fáceis, e é bom ter algum momento para contemplar sem que um esquisito te sente a porrada.

Caso se mantivesse apenas nesse ciclo, Revival talvez se parecesse com um game de outra geração, com tons sérios de repetitividade e controles um pouco esquisitos. Felizmente, o tal cubo mágico ainda nos fornece sequências mais etéreas, transportando o protagonista para outra dimensão.

Na demonstração, isso se traduz para uma repetição do mesmo corredor inúmeras vezes, mas sempre com um detalhe ou outro se alterando a cada visita. Eventualmente, as luzes vermelhas tomam conta da tela, dando espaço para criaturas bizarríssimas e repugnantes. Quando você tem a plena certeza de que esse será o único desconforto ali, um jump scare canalha te sacode na cadeira.

Hellraiser Revival
Divulgação/Saber Interactive

O jogo aproveita o momento de fragilidade do jogador para horrorizá-lo com ainda mais imagens bastante gráficas, finalmente entregando o desgraçamento mental que consagrou a franquia de Clive Barker.

Com lançamento marcado para 8 de outubro, Hellraiser: Revival não é, de forma alguma, um jogo para todos. Aos que não são sensíveis a cenas bem agoniantes, a experiência pode ser positiva. Por aqui, ficamos curiosos para saber o papel cumprido por Pinhead, dublado pelo próprio Doug Bradley, responsável por consagrar o personagem.

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