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Crítica

Zelda: Ocarina of Time Remake é a versão irretocável de um clássico absoluto | Review

Título aposta na fidelidade ao jogo original com adições pontuais e excepcional localização em português brasileiro

Omelete
5 min de leitura
Atualizada em 05.11.2026, ÀS 10H44
Zelda: Ocarina of Time Remake é a versão irretocável de um clássico absoluto | Review

Créditos da imagem: Nintendo/Reprodução

“Por mais implacável que seja, há coisas que nem mesmo o tempo é capaz de alterar”. Essa é uma das marcantes lições que aprendemos em The Legend of Zelda: Ocarina of Time. Quase três décadas depois, o game ainda é um dos mais aclamados da história, algo que os anos também não foram capazes de mudar. Agora, o clássico do Nintendo 64 está de volta aos holofotes com o lançamento de um audacioso remake para o Switch 2.

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A nova versão traz gráficos e controles aprimorados e nos apresenta, mais uma vez, à saga que moldou toda a indústria e marcou gerações de fãs apaixonados. Depois de cerca de 40 horas de gameplay e de um mergulho profundo por praticamente todos os cantos de Hyrule, não há dúvidas de que esse é um remake que aposta na fidelidade ao original, com mudanças e adições pontuais, além de um potencial infinito para encantar tanto veteranos quanto novatos na franquia.

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Nintendo/Reprodução

Dito isso, a narrativa se manteve praticamente inalterada. Na história, acompanhamos Link, um garotinho que é o único de sua vila que não possui uma fada. Certa noite, o jovem recebe um chamado especial da Grande Árvore Deko, a entidade protetora da Floresta Kokiri. O convite, então, logo se revela como o início de uma jornada épica.

A saga é ambientada no reino de Hyrule, onde o dissimulado Ganondorf tece suas tramas para tentar se apoderar do poder da Triforce — a relíquia sagrada criada pelas deusas Din, Nayru e Farore. Sabendo dos planos nefastos do vilão, a princesa de Hyrule, Zelda, pede ajuda ao protagonista para proteger o reino. Aliás, essa é uma aventura definida pela dualidade entre duas fases da vida. De um lado, a inocência, marcada pelas descobertas da infância; de outro, a maturidade, simbolizada pelos deveres e sacrifícios de um herói adulto.

Nesse contexto, no começo do jogo, assumimos o papel de Link criança. Dotado de um Escudo Deko e da Espada Kokiri, o jovem se aventura pelo reino em busca das Pedras Espirituais. Assim como no original de N64, esse é o momento ideal para desbravar os vários locais que fazem parte do mapa, coletar Emblemas de Caveiras e encontrar fragmentos de corações (para aumentar as chances de sobrevivência ao encarar diferentes tipos de inimigos e chefes).

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Nintendo/Reprodução

Explorar a imponente Floresta Kokiri, o Burgo e o Castelo de Hyrule, a pacata Vila Kakariko ou o charmoso Rancho Lon Lon ainda é uma das melhores partes dessa jornada. A propósito, quem tem boa memória provavelmente não encontrará tantos problemas para explorar e solucionar puzzles. Isso porque não houve mudanças significativas em termos de level design. Tudo parece permanecer no mesmo lugar, salvo poucas exceções.

Nesse aspecto, o que temos são alguns ajustes pontuais; a começar pela adição do botão de pulo, que não existia no original de 1998. No game de Nintendo 64, Link pulava automaticamente sempre que chegava ao limite de uma plataforma. Agora, o jogador precisa estar mais atento, já que a novidade realmente tem um impacto considerável nos desafios pelos cenários, na resolução de enigmas e nas batalhas contra chefes.

Os puzzles, principalmente os que encontramos nos Templos na fase adulta de Link, ainda têm potencial para confundir até mesmo os mais aficionados. Na fase adulta, o Herói do Tempo precisa lidar com a perda da infância, mas isso também se traduz em novos equipamentos e, consequentemente, mais possibilidades de exploração que antes não estavam disponíveis.

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Nintendo/Reprodução

Sendo assim, a principal mudança é, sem dúvidas, o visual. The Legend of Zelda: Ocarina of Time (1998) foi o primeiro jogo 3D da franquia. Naquela época, a proposta era pensar, pela primeira vez, os desafios característicos da série em um contexto tridimensional. Agora, a tridimensionalidade já faz parte do imaginário dos jogadores, e o verdadeiro desafio para o remake era o de conseguir preservar a essência do clássico com os gráficos de um console de última geração. Um objetivo que foi alcançado com êxito.

Particularmente, manter-se fiel à estrutura narrativa e à jogabilidade não é um demérito. Afinal, como ousar mudar drasticamente um dos melhores jogos já feitos? Desse modo, o remake de Ocarina of Time parece mais preocupado em recriar a sensação única de desbravar Hyrule como se fosse a primeira vez. Apesar de apostar na riqueza de detalhes e texturas, o visual passa longe do realismo sem alma que as primeiras impressões dos trailers causaram.

Pelo contrário, há um evidente esmero em recriar personagens lendários, NPCs singulares e inusitados, além de adicionar novas animações para os chefes. E por falar nos detalhes apaixonantes, o título também não abre mão das particularidades que tornaram a obra original tão aclamada. O ciclo de dia e noite retorna junto com os divertidos minigames que trazem recompensas imperdíveis. Ir ao estande de tiro no Burgo de Hyrule ou ao Pesque e Pague no Lago Hylia pode parecer apenas um conjunto de missões secundárias descompromissadas, mas garante ótimos prêmios.

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Nintendo/Reprodução

Ainda sobre as principais mecânicas, não poderíamos deixar de lado um dos pontos mais relevantes de todo o jogo: a Ocarina. Para o remake, a Nintendo adicionou uma nova função que permite aos jogadores cantarolar as canções. O recurso funciona bem, e talvez a parte mais difícil seja tirar as músicas da própria cabeça depois de algumas boas horas de gameplay. O Acalanto da Zelda, a Canção da Saria, a Canção da Epona — todas essas faixas brilhantes estão de volta em versões repaginadas e orquestradas.

Por fim, mas não menos importante, temos o ápice das novidades de Ocarina of Time Remake: a localização em português brasileiro. Pela primeira vez, um jogo da franquia chega dublado no país, e a experiência é elevada ao máximo. Termos como “fadinho”, “desfadado”, "Dekomerciante" e o carisma inigualável de personagens como Darunia fazem toda a diferença na imersão e na conexão que construímos com o jogo. 

The Legend of Zelda: Ocarina of Time (2026) não se propõe a reinventar um dos melhores jogos já feitos. Faz adições pontuais e seguras, enquanto tenta manter a todo custo a beleza, a dor, as despedidas e a coragem que só a saga de um verdadeiro Herói do Tempo poderia ser capaz de transmitir. Certamente, uma versão que vai tocar no coração dos veteranos e abrir a porta para novatos se encantarem com esse universo.

Nota do Crítico

The Legend of Zelda: Ocarina of Time

The Legend of Zelda: Ocarina of Time

05 de novembro de 2026
Aventura
Desenvolvedora: Nintendo EPD Production Group Nº 3
Publicadora: Nintendo
Classificação: 10 anos
Plataformas: Nintendo Switch 2
Testado em: Nintendo Switch 2

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