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Crítica

The Blood of Dawnwalker é o jogo de vampiro que todos estavam esperando

RPG dos desenvolvedores de The Witcher 3 acerta na narrativa, mas esbarra em problemas técnicos

Omelete
5 min de leitura
05.09.2026, às 06H00.

O mundo gamer anseia por um bom RPG de vampiros há anos – e parecia que, apesar de diversas tentativas, o destino não queria isso. Seja com Vampyr e seu gameplay abaixo da média, ou com Bloodlines 2 e seu conturbado desenvolvimento, nenhum dos jogos que abordavam a temática vampiresca parecia funcionar… pelo menos até agora. A chegada de The Blood of Dawnwalker traz esperanças para o subgênero, mas não o livra totalmente da maldição que o persegue.

Produzido pela Rebel Wolves, desenvolvedora fundada por ex-funcionários da CD Projekt Red, o jogo carrega consigo o DNA da equipe que outrora dedicava sua força laboral para a franquia The Witcher. O aprendizado que a equipe carrega do seu tempo com o Carniceiro de Blaviken é visível em Dawnwalker. Seja pela forma como os diálogos e cutscenes são dirigidos ou pela variedade de ações possíveis no mapa do jogo, a experiência traz sempre um ar de lugar-comum para quem já se arriscou em Rívia.

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A trama é onde o jogo deposita as suas melhores fichas. Viajamos pela idade média no fictício Vale Sangora. A região, inspirada na cultura e visual do antigo leste-europeu, encontra-se em desespero, devido à peste que assola o velho continente, mas toda a população é salva com a chegada de Brancis e sua corte de vampiros, que em troca pedem sacrifícios de sangue.

Coen, o protagonista de Dawnwalker, é um jovem que vive em uma das vilas do vale. Logo no início do jogo, sua família é sequestrada pelos vampiros, e ele é transformado em um deles. Porém, como o título antecipa, Coen é um Penumbro (Dawnwalker), um vampiro que não foi transformado corretamente e vive uma vida dupla. Quando ele descobre que possui apenas 30 dias para impedir que seus familiares sejam sacrificados em uma espécie de ritual, nossa aventura começa.

Humano durante o dia, vampiro à noite. Esse ciclo, junto com o tempo limite para salvar sua família, molda toda estrutura do jogo, da sua narrativa ao gameplay. Desde o começo somos apresentados ao sistema de tempo, no qual um medidor no canto direito da tela nos pressiona a todo momento. Junto a isso, diferentes ações — como fazer uma missão ou liberar novas habilidades — o movem para frente.

Porém, toda a experiência gira em torno das pequenas decisões que lhe custam o tempo desse medidor, que pode custar desde uma barra até seis de uma única vez, dependendo da complexidade da tarefa. Isso pode, sem dúvidas, assustar e afastar alguns jogadores, mas, sendo bem sincero, não vi muitos problemas em lidar com o sistema depois das primeiras horas de jogo.

Falando em tempo, aqui vai uma dica: aceite que não será possível ver todas as missões se você quiser salvar sua família a tempo. Assim como aprendemos que luz do Sol e água são as principais armas contra os vampiros, aqui, são as escolhas erradas que lutam contra você. Dawnwalker tem uma magia narrativa que faz cada decisão do jogador seguir naturalmente, uma atrás da outra.

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Porém, como tudo na vida, isso também tem um preço. O custo de aprender diversas habilidades do personagem é alto demais. Há três árvores de skills: uma de combate de espada, outra de magias e a vampírica. As magias só podem ser usadas de dia, a vampírica de noite, com as habilidades de espada funcionando como um meio-termo para as duas, já que pode ser usada em ambos os períodos.

Essas opções permitem ao jogador escolher como montar seu personagem, e o jogo o recompensa regularmente com pontos para serem trocados por essas skills. A questão é que, como tudo custa tempo, a construção desse personagem pode causar receio, ainda mais quando não é necessário evoluir muito para atingir uma boa build. Com isso, muitos pontos de habilidades podem acabar se acumulando atrás do medo de torrar seu precioso tempo com isso.

Já no combate, o uso das três variedades de skills é bastante simples. Existem quatro direções de onde o inimigo pode atacar, e adivinhar de onde vem o impacto não é nada difícil. Quando você se antecipa, consegue se defender com um bloqueio perfeito, e assim recuperar a stamina.

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As demais lutas também não fogem dessa simples mecânica, por mais que o jogo avance. Esquive, bloqueie na direção certa e ataque do mesmo modo. Dominando isso, não há muitos encontros verdadeiramente desafiadores, especialmente com magias e as habilidades vampirescas sendo uma curva de aprendizado bastante recompensadora.

Um dos pontos que realmente me incomodaram no jogo foi a performance. Joguei no PS5 base, e desde o começo percebi que o jogo não estava bem otimizado. Mesmo no modo balanceado, priorizando a performance, havia muitos pop-ins de texturas e o jogo nunca mantinha 60fps constantes. Vendo relatos de jogadores de PC, parece que isso é uma realidade em todas as plataformas.

O problema mais grave que tive, porém, foram alguns crashes — momentos em que o jogo simplesmente travou, e não pude continuar a história até a chegada de uma atualização. E apesar desses problemas terem sido aparentemente resolvidos, isso atrasou meu progresso, visto que era uma das missões mais importantes.

E já que o assunto é gráfico, o jogo não é o suprassumo de seu gênero, mas também não fica muito atrás. Claro, há problemas técnicos e animações estranhas, mas a direção de arte dos castelos, cidades e masmorras é impecável, especialmente quando lembramos que ele foi desenvolvido em apenas quatro anos. Essa paixão do time de desenvolvedores da Rebel Wolves pela história é notável e fica ainda mais evidente nas animações de combate e na trilha sonora – que tenta refletir a época em que o jogo se passa.

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No final de The Blood of Dawnwalker, essa paixão atinge seu ápice. Todo carinho pela narrativa, personagens e esse mundo de vampiros deturpado mostra que não é à toa que a liderança do estúdio foi responsável por The Witcher 3. Há um carinho singelo inserido nele, mas, ao mesmo tempo, uma questão o assombra: com mais alguns meses de desenvolvimento talvez ele alcançasse algo próximo do impecável — mas o que são os vampiros sem um pouco de pecado, não é mesmo?

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Nota do Crítico

The Blood of Dawnwalker

The Blood of Dawnwalker

02 de setembro de 2026
RPG
Desenvolvedora: Rebel Wolves
Publicadora: Bandai Namco
Plataformas: PC
Testado em: PlayStation 5

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