Grandes jogos te esperam!

Icone Fechar
Games
Crítica

Splatoon Raiders é o melhor convite que a franquia poderia fazer

O novo spinoff da franquia promete agradar fãs e convencer novatos

Omelete
8 min de leitura
21.07.2026, às 10H00.

No jornalismo de cultura pop, o padrão dentro das redações é direcionar uma obra a ser criticada para um profissional com perfil compatível. No caso específico dos videogames, a adequação pode ser feita pela proximidade com o gênero, com a franquia ou simplesmente pela curiosidade de entender aquela obra. O objetivo é diminuir a fricção deste ofício e criar um cenário propenso a uma produção mais profunda e embasada, ainda que não seja uma regra.

Entretanto, nem sempre isso é possível, dado o número limitado de profissionais capacitados nas redações e à quantidade de jogos que são lançados todo mês, cada um demandando várias horas até que sejam finalizados, além do tempo dedicado à escrita do texto. Ao contrário do que se pode pensar inicialmente, essa se torna uma boa oportunidade para nós conhecermos novos horizontes que não seriam explorados se dependessem apenas da proximidade ou do interesse citado anteriormente, expandindo ainda mais o nosso repertório.

Omelete Recomenda

Partindo dessa premissa, aceitei a tarefa de analisar Splatoon Raiders, mesmo sem qualquer conhecimento prévio da franquia, buscando responder a uma pergunta bem específica: seria essa a melhor forma de adentrar neste universo cheio de tintas e criaturas híbridas? Logo de cara já digo que a resposta é sim, mas lhe convido a permanecer comigo e entender todas as qualidades desse novo exclusivo do Nintendo Switch 2 que se tornou um dos meus lançamentos favoritos de 2026.

A história acompanha um grupo de caçadores de recompensas que se perdem no meio de uma tempestade e agora precisam encontrar uma forma de voltar para casa. Isso, claro, com o maior número de relíquias possíveis debaixo do braço para trocarem por uns bons cascalhos. O trio Frey, Big Man e Shiver é bem carismático e diverso em personalidade, conseguindo se expressar bastante em vários diálogos e algumas poucas cutscenes sem o suporte de trabalho de voz.

Nossa protagonista, ainda mais silenciosa que seus companheiros, não faz parte deste grupo. Na verdade, ela era a pilota contratada para levar os três até o seu objetivo e que, após a queda do helicóptero pilotado, acaba por se tornar a mecânica responsável por manter a base flutuante de pé e o grupo maluco a salvo.

Como dito anteriormente, voltar sãos e salvos após um mês à deriva não é o suficiente, tem que ter pataco envolvido. Com alguns mapas de uma antiga civilização de criaturas marinhas chamadas Salmonids, partimos em uma grande aventura por um arquipélago buscando objetos capazes de bancar uma aposentadoria precoce.

É possível, assim, perceber que Splatoon Raiders é bem diferente dos jogos numerados da franquia. O foco não é os combates entre jogadores, mas, sim, uma experiência linear, com começo, meio e fim. Ao trazer um norte claro, ainda que não óbvio, o jogador consegue se envolver com aquele universo no seu próprio ritmo e dominar os controles.

Uma mira diferenciada

Essa última parte foi um tema recorrente durante a minha jogatina. Enquanto é possível controlar a câmera como em qualquer outro jogo, apenas movendo o direcional direito, há uma opção de controle de movimento para a câmera vertical, possível de ser ativada para ambos os modos do console individualmente. Como o analógico do Joy-Con é pequeno, optei pela segunda possibilidade e demorei muito para me acostumar. Após várias pausas para configuração e mortes por esquecimento do funcionamento, terminei o título levantando a possibilidade de aquela ser uma das melhores formas de se jogar um game de tiro.

Casando a mobilidade já conhecida do analógico com o ajuste fino do controle de movimento, a mira é bem mais precisa em certos momentos e a experiência se torna muito mais imersiva. A barreira de entrada é considerável, mas a insistência é recompensada.

Falando no tiroteio, Splatoon Raiders apresenta um arsenal bem variado, com opções para todos os tipos e gostos. Pistolas, rifles, baldes, espingardas, guarda-chuvas e afins permitem ofensivas equilibradas com tinta nos adversários. Há poucos momentos em que nos sentimos realmente poderosos, isso se deve ao sistema de nível que obriga o player a ir alternando de equipamento com da aventura ou buscando formas de melhorar seus equipamentos, podendo dar upgrade de até 5 níveis usando as Spirhalite Shards, que são colecionáveis bem corriqueiros.

Tiroteio além da tinta

Além das armas, também podemos equipar dois gadgets para nos auxiliar em combate. Eles são divididos em 3 tanques, que definem uma linha de ofensiva específica. Como na maioria dos jogos opto por uma abordagem mais agressiva, foquei no “Super Power Tank” que me forneceu aparelhagens com foco no dano direto contra os inimigos, como meu querido Splatchet, um machado que dá dano de impulso e depois de corte. Esses equipamentos têm um papel essencial durante a gameplay, principalmente em momentos de muito sufoco com vários inimigos na tela, o que acontece com uma gigantesca frequência. O uso dele, contudo, precisa ser estratégico, já que há um tempo de espera para que ele possa ser usado novamente, e que já foi responsável pela minha morte algumas vezes.

Um grande destaque positivo é a possibilidade de modificar esses gadgets com Parts, que podem ser coletadas durante as fases ou mesmo criadas no nosso esconderijo. Esse sistema é similar ao de loudout da franquia Call of Duty, em que você tem uma quantidade limitada de pontos que podem ser usados. Isso traz ainda mais profundidade para a jogatina, já que é necessário adequar os pontos do equipamento para serem condizentes com o seu estilo de jogo ou mesmo com os desafios que enfrentará no caminho. O limite de Parts, assim como os pontos de vida, dano geral das armas e dano dos gadgets podem ser melhorados subindo de nível, mas apenas um de cada vez.

Completando as opções ofensivas de combate, temos um golpe especial que salvou minha pele em vários momentos. Ao derrotar os inimigos, eles soltam Salmonids Eggs que carregam uma barra de Showstopper, capaz de usar um ataque poderoso que acaba com vários inimigos de uma só vez. Assim como nos tanques citados acima, aqui também há três opções de poderes para serem escolhidos, e com um pequeno “twist”: quem os executa são os seus companheiros, Frey, Big Man e Shiver.

Logo no começo da aventura, descobrimos uma roupa de mergulhador cuja função é guiar a protagonista, furar rochedos de Spirhalite, acessar áreas mais profundas do mapa, dar impulsos para pulos mais altos do personagem e até auxiliar no combate. Além de ter esse conjunto de funções importantíssimas para o loop de gameplay, esse companion também torna a experiência menos solitária para jogadores solo, como eu. A função narrativa também é bem impactante, mas vou me abster de comentários para evitar spoilers.

A excelência do game design

Agora, nada do que foi descrito até o momento funciona se a base do jogo não for satisfatória. Felizmente, ela é e bastante. Como dito, o jogo é linear, com o jogador concluindo fases para liberar novas, passando por confronto com chefes durante o percurso. E mesmo tendo todo o potencial do mundo para se tornar repetitivo em poucas horas de jogo, Splatoon Raiders entrega uma jogatina cativante, lotada de variedade e genialidade.

Há alguns designs de fases que vão se repetindo, como “Vá do Ponto A ao Ponto B”, “Acabe com X inimigos em Y tempo” e “Junte uma quantidade Z de Salmonids Eggs”, mas cada mapa tem uma pegada completamente diferente, assim como quais são os tipos de inimigos que vão aparecer. Ainda que parecidas, nenhum desafio é igual ao anterior e nem será igual ao próximo. Isso me permitiu jogatinas de várias e várias horas sem me cansar tanto, já que o cansaço por repetição, monotonia e falta de novidades nunca esteve presente.

Além das fases normais, ainda há algumas secretas desbloqueadas por meio de bússolas que pegamos no caminho. São nelas que vemos a real genialidade dos desenvolvedores ao criarem desafios que exigem do jogador entender o funcionamento de um gadget específico. Isso porque ele é a única forma de chegar ao final e ganhar recursos para o upgrade de suas habilidades. O momento que me deixou mais impressionado foi quando fiquei 10 minutos tentando resolver um problema com o Splatchet, citado anteriormente como o equipamento que eu mais utilizei.

Tendo que respirar fundo

O único ponto no qual senti um leve deslize por parte dos devs foi em eventuais, porém bruscos, picos de dificuldade em momentos mais avançados da gameplay. Desde o começo da aventura, nos é explicado que os apuros que passamos não vêm da quantidade de inimigos na tela, mas, sim, da complexidade individual de cada um que, dentro deste contexto, torna cada confronto difícil à sua maneira. Contudo, há certos tipos de inimigos que causam um alvoroço maior quando aparecem em grandes quantidades simultaneamente, o que ocorre bastante a partir da metade do game.

Momentos de raiva e frustração surgiram. Não a ponto de considerar diminuir a dificuldade do “Médio” para o “Fácil”, mas de considerar jogar o controle na parede (o que obviamente levaria a uma perda financeira consideravelmente mais impactante do que o alívio que tal ato geraria). Esse se torna o único ponto do game inteiro que considero relevante destacar como aspecto negativo.

Há também o fato de o jogo não estar disponível em português, mas considerando o contexto atual, é mais vantajoso comemorar quando um game chega em nosso idioma do que reclamar quando não ocorre. Pode ser que daqui poucos anos a situação se inverta caso a Nintendo mantenha o atual suporte ao país, é para isso que torcemos e é o que esperamos.

Vale a pena?

Splatoon Raiders é uma obra madura e autoconsciente, propondo uma experiência que não busca necessariamente revolucionar a arte, mas divertir de forma leve sem subestimar o jogador e nem suas próprias mecânicas. Foram aproximadamente 20 horas de tiroteio colorido intenso que se destaca frente a outros jogos do gênero presentes no mercado com uma boa margem e se coloca como um dos principais exclusivos de Switch 2 de 2026.

Nota do Crítico

Splatoon Raiders

Splatoon Raiders

23 de julho de 2026
TPS
Desenvolvedora: Nintendo
Publicadora: Nintendo
Classificação: LIVRE
Plataformas: Nintendo Switch 2
Testado em: Nintendo Switch 2

Comentários (0)

Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.

Escrever comentário


Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.