Deezer: 1 mês grátis + 20% OFF!

Icone Fechar
Games
Crítica

Review | Mortal Shell 2 é brutalmente melhor que seu antecessor

Sequência do título da Cold Simmetry conquista uma evolução impressionante

Omelete
8 min de leitura
25.08.2026, às 12H03.
Mortal Shell 2

Créditos da imagem: Divulgação/Playstack

Classificar jogos sempre gera debates, especialmente porque alguns nomes definem claramente o que esperar do título. Curiosamente, dois gêneros que despertam opiniões divididas nos últimos anos, os soulslikes e os roguelikes funcionam de forma parecida.

Omelete Recomenda

Ambos servem de modelo para vários outros games, que se inspiram no sucesso de títulos pioneiros. Tudo se trata de comparar ao que já foi feito — afinal, a origem foi tão revolucionária ou marcante que serve como exemplo. O momento decisivo para os soulslikes foi a indicação de Dark Souls 3 ao The Game Awards em 2016. Esse título tirou o estilo de um nicho específico e o tornou popular, fechando com chave de ouro a trilogia que criou as bases desse modelo.

Na contramão de desenvolvedoras que buscavam se distanciar de temáticas para conquistar visibilidade, houve quem preferisse intensificar a atmosfera medieval fúnebre, injetando doses de horror cósmico na fórmula. Foi nesse cenário que o Mortal Shell original estreou em 2020, atraindo os holofotes ao entregar uma experiência que, para muitos, conseguia ser ainda mais sombria que o próprio Dark Souls. Apesar disso, a crítica em relação ao primeiro jogo se resumiam à curta duração e principalmente o quão dura e lenta era a jogabilidade.

Após seis anos do lançamento do jogo original, Mortal Shell 2 é lançado carregando ainda um pouco do estigma e gosto amargo que seu antecessor deixou, mas em poucos minutos é nítida a brutal evolução, que se mostra tanto na parte gráfica mas principalmente na gameplay.

Mortal Shell 2
Divulgação/Playstack

A primeira coisa que precisamos pontuar é que não é necessário jogar o primeiro jogo para poder experimentar Mortal Shell 2. Apesar de ser uma sequência, se trata de uma história fechada, à parte dos eventos que aconteceram no primeiro jogo, apesar de algumas referências.

Nesta jornada, encarnamos o chamado Arauto, um ser originado do “ovum” de uma divindade intergaláctica batizada como Mãe, que colidiu com a região de Fallgrim em eras remotas. O que restou de sua carcaça foi desmembrado para a construção de templos para sua adoração, estabelecendo-a como uma figura de proteção e fé. No entanto, o ato de profanar seus restos mortais desencadeou uma praga, espalhando uma névoa de insanidade e decadência por toda a região.

Seguindo a cartilha dos soulslikes, a narrativa não se entrega facilmente, sendo espalhada em descrições de objetos ou nas falas enigmáticas de figuras solitárias pelo caminho. Entretanto, fica clara a impressão de que o enredo ocupa um papel secundário, cedendo o protagonismo para a construção de um mundo devastado e opressor. Essa intenção se manifesta logo no início, quando o jogador cruza uma ponte monumental em uma cena carregada de drama, onde a trilha é um riff lento, sujo e arrastado de guitarra com muita distorção, que consolidam de vez essa ambientação fúnebre e desoladora.

O sistema de cascas, que funciona como as classes do jogo, continua presente, mas agora traz uma camada extra de profundidade. Elas não servem apenas para definir seu estilo de combate, mas ajudam a expandir o universo do jogo. Cada casca pertenceu a um guerreiro derrotado que encontramos pelo caminho, e ao fortalecer nossa conexão com elas, conseguimos vivenciar e jogar suas histórias únicas, mostrando suas motivações e até ligações com acontecimentos do universo.

A mudança mais ousada de Mortal Shell 2 frente aos seus concorrentes é o fim do sistema de stamina. Esse era um dos pontos que afastava muitos jogadores dos soulslikes, além da dificuldade alta. Agora, você não é limitado ao realizar ações básicas como atacar ou desviar; é possível esquivar quantas vezes quiser e até cancelar um golpe caso perceba que não é o momento certo.

Mortal Shell 2
Divulgação/Playstack

Para compensar, o jogo traz um novo sistema: para carregar habilidades especiais ou ataques à distância, você precisa acertar golpes básicos. Isso cria um equilíbrio interessante em que Mortal Shell 2 fica mais acessível no movimento, mas mais exigente no combate. O desafio é visível logo no começo, antes de qualquer melhoria; você é muito frágil, e inimigos comuns — especialmente os voadores — podem te derrotar com apenas alguns golpes.

Para complementar as cascas, o jogo traz as pedras de Tar, itens equipáveis que garantem habilidades passivas. São 75 opções ao todo, oferecendo desde chances de ataques críticos e roubo de vida até bônus de experiência e efeitos extras. O grande trunfo é que essas pedras evoluem conforme você joga, tornando seus bônus cada vez mais poderosos. Esses itens estão espalhados em diversas áreas do jogo, assim como podem ser vendidos por alguns personagens.

Em poucas horas de jogo, já gastei um bom tempo testando diferentes permutações de habilidades de casca e pedras de Tar, que podem ser retiradas e modificadas a qualquer momento sem gasto algum. Havia combinações que utilizava para momentos de exploração, como ganhar defesa e mais experiência ao derrotar inimigos, além de acertos críticos garantidos após um certo número de golpes. Já para batalhas contra chefes utilizava um outro setup, pois nesse momento eu não teria vantagem em ganhar defesa ao derrotar inimigos e apostava em outros benefícios. 

E devo dizer que gastei a maior parte do tempo jogando com a mesma classe, sendo que cada uma funciona bem distinta da outra. Tudo isso só aumentava minha expectativa em jogar novamente para explorar todas as possibilidades que o jogo pode oferecer.

Alguns podem enxergar como um defeito, mas vejo uma virtude no jeito que o jogo lida com as armas. Ao contrário de Elden Ring, que tem mais de trezentas opções divididas em quarenta categorias, Mortal Shell 2 traz apenas oito tipos de armas, sem variações dentro de cada grupo. Enquanto que em relação à escala de mundo é incrível ter um número gigantesco de armas para mostrar o quão vasto tudo é, no fim existem muitas armas extremamente parecidas que são esquecidas salvo por um pequeno número.

Mortal Shell 2
Divulgação/Playstack

Na verdade, é um dos fatores mais subestimados pelo público que Bloodborne faz muito bem. Um número menor de armas, quando bem feito, é muito melhor que uma quantidade exagerada de armas que o jogador médio nem vai testar. O jogador consegue distinguir e lembrar cada uma das armas, decidir se gosta ou se faz necessário para o momento.

Além de espadas gigantes, martelos, katanas e machados, há armas secundárias de longo alcance, como escopetas, bazucas explosivas e até uma jaula com uma criatura amaldiçoada. Mas o meu favorito é o alaúde. Com ele, posso tocar música durante as batalhas e enfeitiçar inimigos para que lutem entre si. Foi a primeira vez que vi a função clássica de um bardo funcionar tão bem em um jogo de ação.

Todos os armamentos possuem ataques fracos e fortes, além de golpes especiais que podem ser equipados para adicionar status ou até liberar movimentos completamente novos. No início do jogo, usei um golpe forte carregado que aumentava minha vida máxima ao atingir inimigos, desde que eu não morresse. Isso foi muito útil, pois esse acúmulo de vida me ajudou a sobreviver mais nas primeiras horas, quando os inimigos causavam muito dano.

Não usei a palavra "brutal" por acaso para descrever a evolução desta sequência. Além do cenário desolado e opressivo, o combate é o principal motivo. Cada golpe finalizador, ao quebrar a postura dos inimigos, é extremamente violento. Por diversas vezes, me surpreendi ao ver o personagem rasgar os inimigos, usar partes dos seus corpos e até arremessá-los contra outros, causando danos extras durante a finalização. Isso traz uma sensação muito boa, lembrando a violência de Doom ao destroçar os oponentes, principalmente quando se trata daquele chefe que te venceu muitas vezes antes de finalmente ser derrotado.

Essa junção de velocidade sem amarras que um sistema de stamina traz, flexibilidade para poder modificar a árvore de habilidades, builds e habilidades únicas de cada classe faz Mortal Shell 2 ser facilmente um dos melhores combates do ano de 2026 — e até um dos melhores dentro da história dos soulslikes.

Mortal Shell 2
Divulgação/Playstack

Outro aspecto que melhorou drasticamente em relação ao primeiro jogo é o mundo. Agora, ele é dividido em grandes áreas e oferece um sistema de viagem rápida que funciona de forma direta, sem processos demorados. Você pode viajar entre vários faróis espalhados pelo mapa; eles funcionam como pontos de salvamento e também como entrada para pequenas masmorras que precisam ser purificadas. Nesses locais, você encontrará chefes, recompensas e quebra-cabeças, sempre com um “ovum” como prêmio final.

Passei bastante tempo explorando cada região à procura de novas Pedras de Tar enquanto derrotava inimigos para melhorar os itens que eu já usava. Alguns lugares são um pouco confusos, enquanto outros têm tantos inimigos que fica difícil explorar. Aliás, só na primeira parte do jogo, a variedade de adversários já supera a do primeiro título com facilidade.

A mudança de uma área para outra pode ser sentida no quão rápido a dificuldade escala, sendo isso um ponto negativo. O breve momento em que você não se sente mais tão vulnerável a tudo é logo esquecido pois um novo inimigo vai te fazer tão fraco quanto o início do jogo; essa sensação poderia ser um pouco mais gradual, pois essa dinâmica pode ser cansativa a longo prazo, mesmo para jogadores veteranos, por conta da grande distância e escassez de checkpoint.

Talvez pensando nisso os desenvolvedores disponibilizam um equipamento que funciona como um modo fácil para o jogo. Ele reduz drasticamente a dificuldade, facilitando a quebra de postura nos inimigos com o custo de não disponibilizar as conquistas, transformando-as literalmente em medalhas para se exibir. Uma jogada bem inteligente, se parar para pensar, afinal quem só deseja vivenciar o jogo consegue sem sofrer tanto ou dedicar inúmeras tentativas contra algum chefe, enquanto aqueles que desejam carregar como medalhas de guerra como forma justificar seu sofrimento também consigam sair felizes.

No fim, tudo resulta em uma despretensiosa e incrível experiência. Já que nunca tive expectativa nenhuma com Mortal Shell 2, é de aplaudir uma evolução tão gigantesca para uma equipe tão pequena quanto os desenvolvedores da Cold Symmetry conseguiram alcançar. 

Definitivamente um dos títulos que deve estar na lista de qualquer fã de um bom combate, desde que esteja disposto a um grande dose de dificuldade, além de uma ambientação escura e pesada que abraça o grotesco e os horrores do terror cósmico de forma incrível.

Nota do Crítico

Mortal Shell 2

Mortal Shell 2

20 de agosto de 2026
Ação, Soulslike
Desenvolvedora: Cold Symmetry
Publicadora: Playstack
Classificação: 14 anos
Plataformas: PC , PlayStation 5 , Xbox Series X|S
Testado em: PC

Comentários (0)

Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.

Escrever comentário


Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.