Reigns: The Witcher é o tiragosto ideal para fãs famintos pela franquia
O novo jogo da Nerial busca agradar mais os fãs da CD Projekt RED do que os seus próprios, e está tudo bem
Falar da franquia Reigns é uma tarefa simultaneamente simples e complicada. O primeiro jogo, lançado em 2016 pela Nerial e distribuído pela Devolver Digital, estabelece todas as fundações que são seguidas à risca pelas suas sequências, como Reigns: Her Majesty e Reigns Beyond. Dessa forma, debater sobre a estrutura e as mecânicas se torna uma tarefa fácil; o difícil é falar algo que já não tenha sido dito ou publicado.
A gameplay básica, sobre a qual falarei mais a seguir, tem uma estrutura tão simples de se entender e tamanha replicabilidade que não demorou muito para o estúdio e sua publicadora fecharem acordos para o desenvolvimento de games licenciados. Em 2018, foi lançado Reigns: Game of Thrones, que praticamente mudava só a "skin" do game base ao criar histórias situadas no universo de George R. R. Martin. Entretanto, o título era muito mais apelativo para quem é fã da série de livros ou do programa de TV do que para entusiastas do game.
O mesmo pode-se dizer de Reigns: The Witcher, jogo recém-lançado pela Devolver Digital, que prioriza alimentar a faminta fanbase da CD Projekt RED, desesperada por novos conteúdos relacionados à saga de Geralt de Rívia. Isso ao custo de entregar algo inovador para sua própria comunidade.
Apesar do que pode parecer inicialmente, jogamos Reigns: The Witcher pela ótica de Dandelion/Jaskier, o “picareta” amigo de Geralt, que decide se tornar o maior bardo do mundo contando histórias de um incrível bruxo, mesmo que essas histórias não sejam necessariamente verdadeiras.
A partir daí, começa a dinâmica de escolher entre duas opções, administrar as barras de moral (Humanos, Não-Humanos, Feiticeiros e Combate) e tomar cuidado para que elas não cheguem a nenhum extremo, seja positivo ou negativo, o que resulta no fim da run. Os objetivos são dúbios a ponto de ser difícil entender qual a opção que faz mais sentido para cumpri-los, o que é essencial para a progressão da jogatina. Isso acaba tornando parte da experiência mais baseada em tentativa e erro do que em decisões estratégicas.
Enquanto no começo da aventura o desbloqueio de novas cartas e desafios acontece frequentemente, sempre trazendo tramas e problemas inéditos, com pouco tempo de game a situação já muda e você constantemente se encontra lidando com as mesmas questões. Entretanto, resolvê-las não se torna mais fácil, já que a prioridade é lidar com as barras anteriormente citadas para que a run não seja finalizada com a morte de nosso bruxo. Seria leviano dizer que eu não esperava por algo assim, principalmente considerando que as partidas são procedurais, o que resulta em um certo desequilíbrio. Contudo, pela forma como essas mecânicas são estruturadas no loop de gameplay, a progressão fica bastante complicada.
A estrutura dos combates, assim como o resto do jogo como um todo, é fácil de entender e difícil de masterizar. O sistema simples de pular de um lado para o outro para desviar dos ataques adversários e pegar poderes para acabar com o oponente funciona bem, a ponto de ser uma boa adição para a fórmula, mas não muda de forma impactante a jogatina.
Apesar de todas as críticas, Reigns: The Witcher é uma obra extremamente competente no que se propõe a ser. Apesar de não surpreender ou impressionar, é o tipo de jogo que tem como propósito entreter em curtas sessões, principalmente o público de gamers mobile, que vai jogar durante suas idas ao banco, supermercado ou banheiro.
Ele não é uma obra feita para os fãs de longa data, o que é triste, já que foram esses que alavancaram a franquia ao que ela é. Entretanto, pode ser exatamente esse o grande acerto da Nerial: buscar quem está mais faminto por conteúdos do que seus próprios entusiastas.
Reigns: The Witcher
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