Mega Dimension, DLC de Pokémon Legends: Z-A, poderia ter sido muito mais
Expansão introduz momentos épicos, mas abusa da repetitividade
Dos jogos principais mais recentes da franquia Pokémon, Legends Z-A é, sem dúvida, um dos mais interessantes. Seja pela nova mecânica de combate, que permite ao jogador se sentir mais próximo da emoção de uma batalha Pokémon como as vistas no anime, ou pela própria narrativa, que encerra um dos arcos mais bonitos que a franquia dos monstrinhos já apresentou, Legends Z-A foi uma grata surpresa nos últimos meses de 2025. Era de se esperar, portanto, que a DLC Mega Dimensão, anunciada junto ao jogo base e comercializada por R$200, estivesse à altura da experiência original — mas não é exatamente isso que encontramos nesta aventura adicional.
Mega Dimensão se passa após o fim da história principal de Legends Z-A e coloca o jogador diante de uma nova ameaça interdimensional, apresentada a partir do encontro com uma misteriosa garotinha, Ansha, cujo sonho atual é entregar de presente para sua mãe um Rayquaza. É a partir dela que somos levados a investigar distorções de realidade espalhadas pela região de Lumiose, ligadas diretamente ao poder de Hoopa, que assume o papel de guia — e catalisador — dessa nova jornada.
A premissa parece interessante à primeira vista, ainda mais considerando Rayquaza como uma espécie de objetivo final e a presença de Hoopa, um dos Pokémon míticos mais carismáticos dos últimos tempos, nos acompanhando nessa aventura. No entanto, Mega Dimensão acaba ficando presa no próprio buraco interdimensional ao repetir, de forma pouco criativa, mecânicas e desafios do jogo base.
Para investigar as distorções interdimensionais que começam a surgir por toda Lumiose, o jogo insiste em nos lembrar de que nossos Pokémon ainda não são fortes o suficiente para encarar o que existe do outro lado dos “buracos de minhoca”. A solução vem pelas mãos de Ansha, que nos convida a confeccionar donuts especiais capazes de fortalecer a equipe e prepará-la para os desafios do mundo interdimensional — algo que pela 10ª missão já se torna extremamente cansativo de se fazer.
Um outro problema é que, ao atravessar os portais, não existe exatamente um grande mistério à espera do jogador. Em vez disso, encontramos apenas alguns novos Pokémon — ausentes do jogo base — espalhados por mapas repetitivos, que variam de tamanho de acordo com a dificuldade de cada fenda. Ao atravessar uma das argolas dimensionais de Hoopa, não há um novo desafio real, apenas uma nova roupagem para a mesma atividade já conhecida: capturar Pokémon. Tudo isso sem a criatividade e o frescor que marcaram a experiência do jogo principal.
É claro que existem momentos realmente grandiosos nas missões interdimensionais, especialmente nas batalhas contra algumas das Mega Rogue Evolutions, especificamente as versões corrompidas e descontroladas de alguns Pokémon lendários e míticos, como um Darkrai envolto por energia instável — e que de fato é assustador — e as formas titânicas de Groudon e Kyogre, com batalhas desafiadoras e que trazem uma nostalgia aos jogos clássicos. Nesses confrontos, Mega Dimensão consegue elevar um dos aspectos mais divertidos do jogo principal, mas o caminho até eles é marcado por uma jornada longa, repetitiva e cansativa, recheada de portais sem real senso de desafio e constantes idas ao Hotel Z para produzir mais donuts.
Groudon e Kyogre, lendários clássicos da região de Hoenn e apresentados originalmente em Ruby e Sapphire, são peças centrais para a conclusão da história. O envolvimento dos dois faz sentido dentro da motivação de Ansha, cujo grande sonho é capturar Rayquaza para impressionar e se reconectar com sua mãe — que mais tarde descobrimos ser Diantha, campeã de Kalos e uma das atrizes mais famosas do universo Pokémon. Após capturar os guardiões da terra e dos continentes, no caso de Groudon, e dos mares e oceanos, representados por Kyogre, o jogador finalmente encara Rayquaza.
A batalha faz jus ao Dragão dos Céus, com um confronto grandioso e visualmente marcante, ainda que não chegue a ser tão memorável quanto poderia. Somos transportados para a versão interdimensional do icônico Sky Pillar. Ali, enfrentamos Rayquaza duas vezes — primeiro em sua forma normal e depois em sua Mega Evolução —, mas o embate acaba sendo apenas um degrau acima em dificuldade quando comparado às lutas contra Groudon e Kyogre, deixando aquela inevitável impressão de que a experiência poderia ter sido ainda maior por se tratar de Rayquaza.
A história de Ansha, que dá início à jornada interdimensional ao lado de seu companheiro Hoopa, se encerra com a captura de Rayquaza deixando uma sensação agridoce. Não é exatamente um gosto de “quero mais”, mas sim a impressão de que tudo poderia ter sido melhor explorado ou feito de forma diferente. Mega Dimensão não é uma DLC ruim, mas também não justifica o preço pelo qual foi lançada em dezembro de 2025. Mais do que isso, ela não chega nem perto de recapturar o encanto que conquistou milhares de jogadores na jornada de retorno a Lumiose em Pokémon Legends: Z-A.
Pokémon Legends: Z-A — Mega Dimension
Pokémon Legends: Z-A — Mega Dimension