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Crítica

Pokémon Champions transforma o complexo em simples

Nunca foi tão fácil se tornar se tornar um Mestre Pokémon

Omelete
6 min de leitura
Sods
14.04.2026, às 10H56.

Pokémon Champions é uma iniciativa da The Pokémon Company que os fãs sonham há eras. Em um mundo onde os maiores jogos competitivos estão disponíveis de forma gratuita, nunca fez muito sentido que o principal videogame competitivo da franquia ficasse preso aos lançamentos AAA, da série principal. Agora isso mudou.

O novo jogo dos monstrinhos de bolso chega de forma gratuita para o Nintendo Switch, e futuramente estará também disponível para celulares. Seu único objetivo não poderia ser mais claro: ser a casa para o competitivo clássico da franquia, o VGC, e servir como porta de entrada para um novo público. Sem se exceder onde não precisa, ele atinge seu objetivo, mas peca em alguns detalhes cruciais.

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Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

Champions não é um jogo complicado em sua superfície. Existem dois modos de jogo: as batalhas ranqueadas e as não ranqueadas. Dentro deles há dois formatos possíveis, batalha solo e em duplas, sendo a segunda o formato oficial do VGC.

Esse jogo é direito e reto, claro em seu propósito e execução. Todos os outros menus são apenas ramificações que auxiliam a proposta central, como recrutar e treinar seus Pokémon, ou comprar itens essenciais para as batalhas e cosméticos. Os elementos visuais são simplistas, para não confundir ou gerar dúvidas, o que é muito bom, pois o VGC já é um dos cenários competitivos mais complexos dos games.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

Agora, a forma como o jogo aborda essa complexidade é maestral. Tendo regras que limitam o números de Pokémon e itens disponíveis por temporada, ele afunila o foco dos jogadores novos. Além disso, nunca foi tão fácil treinar cada criatura; obtê-las ainda exige um pouco de tentativa e erro, mas não como antigamente.

Para conseguir o Pokémon que deseja, é preciso engajar com o sistema de recrutamento, que funciona como abrir um pacotinho de cartas. Dez monstrinhos aleatórios ficam disponíveis para o jogador escolher apenas um, e como um time completo precisa ter seis, dá pra ver que é preciso um pouco de sorte para conseguir todos que deseja — no momento, mais de 180 estão disponíveis.

É possível, também, trazer Pokémon de outros jogos para o Champions, através do Pokémon Home, aplicativo que os armazena. O processo é bastante intuitivo, e eles não são totalmente transferidos, em vez disso a terminologia é que eles “visitam” o jogo, mas em termos gerais se comportam do mesmo jeito que os outros na hora de treinar suas habilidades.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

O treinamento é, de longe, a melhor melhoria que Pokémon Champions traz para o cenário competitivo. Onde antes cada jogador tinha que ficar horas a fio “breedando” Pokémon no Day Care, até conseguir um com os IVs, EVs, Habilidades, naturezas e Egg Moves desejados, agora todo esse estresse é coisa do passado.

Absolutamente tudo no Pokémon pode ser customizado, a hora que desejar. Além disso, o sistema de EVs e IVs foi extremamente simplificado: há 66 pontos para serem distribuídos entre os diferentes status e nada mais, direto e reto.

Tudo isso foi feito para diminuir a barreira gigantesca que antes existia para um iniciante começar a jogar, sem remover a complexidade durante as batalhas. Mas, visto que esse é um jogo gratuito, sempre existe um asterisco.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

Tudo que falei anteriormente, comprar itens e recrutar/treinar Pokémon depende do jogador ter Victory Points o suficiente para tal. Essa é a moeda do jogo, que é conquistada ao batalhar na fila ranqueada, ou fazendo missões dentro do jogo — padrão de jogos free to play. A quantidade ganha por dia não é muito farta, mas também não é pouca. E aí começa a entrar a monetização do jogo.

Existem três formas de colocar dinheiro em Champions: um pacote de iniciante, o passe de batalha e a assinatura mensal. De todas, a única que eu acho que vale a pena, e só para aqueles que realmente tiverem interesse de jogar o jogo pra valer, é o pacote inicial.

Ele fornece tickets de recrutamento e treinamento que burlam o uso dos VPs, e vêm em uma boa quantidade. Além de mais espaço na box do jogo, para recrutar mais Pokémon.

A versão paga do passe de batalha já é muito fraca. Suas recompensas não são grandes coisas pelo valor proposto. A assinatura mensal pode soar como a parte mais mesquinha do jogo, onde há missões exclusivas para ganhar ainda mais tickets e VPs.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

É totalmente possível jogar Pokémon Champions sem pagar um tostão. Entretanto, todas essas vertentes de se gastar dinheiro deixam o jogador free to play com a sensação de que está mais atrás do que quem gasta, e isso em um jogo extremamente competitivo pode gerar um pouco de frustração.

Essa sensação pode vir de alguns outros lugares também, como a exclusividade de certos Pokémon. A existência de criaturas exclusivas para certos jogos não é novidade, e em Pokémon Champions não é diferente.

Nem todos os Pokémon ou suas Megaevoluções estão disponíveis no jogo. Floette Eternal, por exemplo, um dos principais centroavantes do novo metagame, só está disponível se você a tiver no seu save de Legends Z-A. O mesmo pode ser dito sobre as Mega dos iniciais de Kalos.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

Em um jogo que visa a acessibilidade acima de tudo, ter essa espécie de bloqueios de acesso a peças importantes para montar seu time é um tanto contraditório. Há formas de circular isso, pedindo a pessoas bondosas que tenham esses Pokémon sobrando para doar, mas em casos mais especiais como a Floette já fica mais difícil.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

Falando em difícil, temos que falar dos gráficos do jogo. Apesar da interface ser limpa e funcional, o mesmo não pode ser dito da performance. O jogo roda a 30 fps no Switch 2, e apresenta quedas de quadros rápidas, mas quase constantes. E só ter 2 cenários de batalha não agrega muito ao pacote.

Pokémon nunca foi sinônimo de gráficos de última geração, mas em Champions as texturas parecem que se perderam no meio do caminho. Apesar de algumas animações estarem bacanas, ainda falta um arroz e feijão, como já é de praxe para a franquia.

O desenvolvimento visando rodar em celulares pode ter comprometido todo o lado técnico do jogo. Porém, visto o nível que jogos mobile tem atingido na parte gráfica desde a estreia de Genshin Impact, não dá pra perdoar o jogo nem sequer rodar a 60 fps no console atual da Nintendo.

Pokémon Champions
Divulgação/Nintendo

Apesar de todos esses contras, tenho que admitir que não consigo parar de jogar esse jogo. O nível de complexidade e estratégia ao montar cada time e conduzi-los em batalha é maravilhoso como sempre foi — mas não é um jogo para todo mundo, é bom frisar.

Pokémon Champions é o que eu sempre sonhei em ter em mãos. Uma forma oficial de jogar o competitivo de Pokémon que elimina todas as chatices desnecessárias que antes existiam. Sim, o jogo podia ser mais bonito e rodar melhor, mas quando eu estou acertando um critical hit em um momento decisivo na partida tudo isso some, e eu me sinto como um campeão.

Nota do Crítico

Pokémon Champions

Pokémon Champions

08.04.2026
RPG de Turno, Competitivo
Desenvolvedora: The Pokémon Works
Publicadora: Nintendo
Classificação: 14 anos
Testado em: Nintendo Switch 2

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