Onimusha: Way of the Sword | Vale a pena jogar o game da Capcom? Veja o review
Novo jogo da franquia torna a experiência de quem o testa tão tortuosa quanto a do personagem
“Viver é sofrer” é uma das frases mais marcantes ditas por um personagem em Onimusha: Way of the Sword, o reboot da Capcom que transforma sua antiga franquia de terror num ótimo jogo de ação samurai. Entre os espíritos Oni e os monstros Genma, o jogador que embarcar na jornada do guerreiro Miyamoto Musashi vai entender o significado dessa fala tanto como uma realidade imediata — já que você sofrerá para derrotar todos os inimigos — quanto um bom resumo dos temas da história, que muito foca na ideia do prazer em ser desafiado. Para Musashi e seus aliados, o obstáculo narrativo é imenso. O portal para o inferno foi aberto e cabe a eles salvar o Japão. Para o jogador, o obstáculo vem na jogabilidade. Se a jornada dos protagonistas for de dor, quem o controla será igualmente desafiado. Em ambas, é possível entender o apelo da coisa.
Onimusha começa com Musashi morrendo. Prestes a cair no inferno, ele volta à vida depois de receber uma misteriosa manopla que o abastece com o poder dos Onis, seres espirituais que podem conceder dons ou maldições aos humanos. Com ela em mãos, ele assume, no princípio de forma relutante, a missão de derrotar os Genmas, demônios nojentos que estão invadindo Quioto sob o comando de figuras terríveis. Nessa jornada, conquistamos novos poderes e evoluímos nossas habilidades para encarar algumas das lutas mais intensas, difíceis e cinematográficas de um videogame em algum tempo.
O novo Onimusha bebe um pouco dos Resident Evil mais recentes, misturando fases lineares com um mini-mundo aberto que pode ser descoberto aos poucos, e de Monster Hunter, ao criar um combate focado em parries (aparadas e desvios) e na quebra de equilíbrio dos adversários, feita ao reduzir à zero a barra de vigor deles. Este jogo, porém, não é um monstro de Frankenstein que apenas bebe das outras grandes marcas da Capcom. Onimusha chega com um estilo próprio, um que valoriza atenção e reflexo nos combates, e que brilha especialmente na hora de enfrentar alguns dos chefões mais marcantes que vi em algum tempo.
Depois de um começo pra lá de morno (a primeira hora e meia é basicamente um mix de tutorial e cutscenes), ficará evidente para você como o combate do jogo foi bem construído, e isso passa inclusive pelo layout de botões. Caso você escolha a opção de controle mais ofensiva (eu recomendo), coisas típicas como atacar no quadrado serão substituídas por uma organização de comandos que privilegia a leitura rápida da situação, algo que se provará indispensável para sobreviver aos encontros mais violentos do jogo.
E aqui, não há como exagerar. As boss fights de Onimusha flutuam, na sua enorme maioria, entre divertidas e inesquecíveis. São enfrentamentos que requerem do jogador um conhecimento íntimo das mecânicas de ataque, que se entrelaçam muito bem para criar uma fluidez digna de samurais entre os golpes de espada e o uso de habilidades sobrenaturais. O equilíbrio da dificuldade também é um destaque. Um acerto constante do timing para defesas, esquivas e contra-ataques pode reduzir um adversário ao pó em minutos, mas fique arrogante (ou tímido) demais, e o preço a pagar é caro. Para além disso, nem toda derrota vem com um gostinho de frustração. Há a sensação de que o domínio daquele balé de katanas está a uma tentativa de ser adquirido. Basta tentar mais uma vez.
Então, tudo isso começa a azedar. Não o suficiente para estragar a experiência, que brilha também através da direção de arte – que transforma Quioto num pedacinho do inferno digno de um jogo de terror como os antigos Onimusha – e da construção de personagem, passando pela ótima decisão de moldar Musashi – no rosto e no comportamento – à imagem da lenda Toshiro Mifune em filmes como Sete Samurai: meio palhaço, meio heroico, sempre carismático. Mas, não há dúvidas de que o jogo não sabe a hora de terminar, e isso pode deixar a reta final da campanha frustrante.
Você perderá a conta de quantas vezes recebe o objetivo de fechar as "fendas” (pequenos portais por onde os Genma saem) e dois chefes são transformados, essencialmente, em subchefes que você enfrentará diversas vezes. Essa repetitividade é piorada pelo sistema de progressão pouco interessante. Não importa o quanto você invista em melhorar seus pontos de ataque, por exemplo, a sensação é de que eles sempre demoram o mesmo tempo para morrer. Com isso, outro problema do jogo é até aliviado. A exploração e os sidequests de Onimusha são insossos e até entediantes, assim como suas recompensas. Como elas tipicamente são itens que podem ser usados em upgrades, é mais fácil confiar que você conquistará recursos o suficiente na história principal e não gastar tempo nessas atividades secundárias.
Facilmente durando entre 25 e 30 horas, Onimusha é longo demais para o próprio bem. A questão não é tanto a duração, mas sim a qualidade daquilo que faz o game superar uma duração mais convidativa. São erros, porém, aliviados e até esquecidos na hora que a ação se intensifica. Não há nada como o momento em que você desvia perfeitamente de uma ofensiva e conduz a luta contra um chefão intimidador ao final desejado. Não é à toa que o jogo oferece revanches contra todos os bosses. Nesses momentos, quando a jogabilidade e a apresentação atingem seu auge, Onimusha não fica devendo nada.
Onimusha: Way of the Sword
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