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Games
Crítica

Mixtape surpreende com nostalgia recheada de sabedoria e emoção

Jogo da Beethoven & Dinosaur leva o jogador de volta aos anos 90 com a trilha sonora perfeita

Omelete
3 min de leitura
VD
15.05.2026, às 10H33.

Da mesma forma que a nossa protagonista Stacey Rockford precisa de uma trilha sonora para todos os momentos, nós precisamos de uma trilha sonora para a nossa crítica. Antes de você continuar a ler esse texto, preciso pedir um favor: abra o seu streaming de música favorito, coloque "Teen Age Riot" do Sonic Youth e depois volte para ler esse texto.

Omelete Recomenda

Um jogo que deveria ser um filme? Um filme jogável? Independentemente da sua posição nesse debate, Mixtape é o que é:, um projeto ousado, inspirado numa época que parece muito distante e diferente de hoje, com uma visão muito clara em debater um assunto de suma importância, a música.

O jogo da Beethoven & Dinosaur, publicado pela Annapurna, nos leva para o último dia juntos de um trio de adolescentes na cidadezinha de Blue Moon Lagoon, no norte da Califórnia. Cada um tem sua relação com música, um com o outro e com seu ambiente, são personagens simples e complexos ao mesmo tempo e que nos tocam de diferentes formas ao longo do jogo. 

Stacey é a nerd de música, do tipo que só quem tem um amigo assim sabe como funciona, com a música certa para toda ocasião. Slater é o metaleiro e aspirante a músico que não tem coragem de mostrar suas músicas, como todo músico aspirante. Contudo, é Cassandra quem rouba a cena do jogo; a filha perfeita, atleta de alto nível e dona do espírito punk do trio, ela é quem carrega os conflitos e tensões do jogo para a protagonista Stacey (e também quem daria uma ótima protagonista para uma continuação).

Ao longo de cerca de 4 horas, você alterna o gameplay entre eles, com o foco em Stacey, numa série de minigames que avançam a história pregressa dessas amizades e nos levam até o final épico. Não é um jogo focado na jogabilidade, em desafios complexos ou chefões poderosos. Tudo aqui tem o único propósito de contar a história dessa última noite entre eles, e o game faz isso de forma excepcional.

Mixtape
Divulgação/Annapurna

De primeiro beijo a carregar sofás, tirar fotos e até alugar um filme numa locadora chapado (que saudades de ir numa Blockbuster), o jogo te coloca no meio dos anos 90 e de um tempo que não vai voltar, nem para você, jogador 30+, nem para os personagens. É justamente essa posição de conexão com os personagens que carrega o grande trunfo de Mixtape, e, na verdade, o trunfo de qualquer obra artística de boa qualidade: gerar empatia, conexão e a possibilidade de se ver naqueles personagens e de viver a mesma dor, esperança, amor, medo ou qualquer outra emoção que eles sentem. 

Claro que para isso, o diretor e escritor do jogo, Johnny Galvatron, utiliza um leque de músicas de fazer inveja a qualquer filme de Hollywood ou jogo AAA. Mais do que uma seleção aleatória de músicas, a playlist do jogo é claramente fruto de muita pesquisa e intenção. Ela dita o norte não só de Stacey e companhia, mas o do jogador, ajudando a entender qual a vibe daquela cena e a profundidade emocional dos personagens.

Só que além da a trilha sonora perfeita, dos gráficos e gameplays estilizados, ou da aura punk-rock de rebeldia adolescente, está o amor de Stacey por música. É isso que nos faz seguir no jogo, as discussões dela sobre ouvir música, sobre o privilégio de se fazer barulho e sobre a amizade, que tornam esse jogo único e emocionante.

Se você ama música, assim como a Stacey ou como eu, você vai entender tudo o que ela falou.

Nota do Crítico

Excelente!

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