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Crítica

Marvel's Wolverine entrega promessa de experiência definitiva com o personagem

Game cumpre sua proposta inicial em meio a tropeços

Omelete
6 min de leitura
Atualizada em 10.09.2026, ÀS 12H48

Uma das maiores graças de jogar videogames é se transformar em qualquer personagem, e a grande missão da Insomniac com Marvel’s Wolverine era justamente essa: entregar a experiência definitiva na pele do herói. O caminho até o lançamento do jogo passou longe de ser tranquilo, com um vazamento gigantesco anos atrás; mais recentemente, uma chuva de comentários negativos colocou os desenvolvedores à prova mais uma vez. Ao cruzar a linha de chegada, entretanto, o estúdio mostra que entende muito bem como levar os quadrinhos para os games.

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O elogiado Marvel’s Spider-Man, afinal, se consagrou como um dos melhores jogos de herói da sua geração, especialmente pelo balançar de teias espetacular — mas também por mostrar uma versão interessante do personagem, e um enredo quase episódico que culmina num grande evento.

Claro, o carcaju não vai sair se balançando pelos prédios, mas todo o restante é válido para seu jogo. Ao viver um Wolverine que faz parte do Time X, num mundo em que os X-Men sequer existem, temos a chance de aprofundar sua relação com Mística, Dentes-de-Sabre (ou Mystique e Sabretooth, na dublagem brasileira) e, claro, Jean Grey. Os dois “vilões” funcionam quase como irmãos para Logan, com as rusgas que qualquer família possui, mas sustentando um amor fortíssimo entre si.

Marvel's Wolverine
Divulgação/Sony

Quando o patriarca Nathaniel Essex entra em cena, por outro lado, a dinâmica muda bastante e se torna sobre poder e controle. Desde os primeiros momentos, é nítido que os personagens não sabem tão bem se aquela figura cheia de segredos é, de fato, um dos seus.

Essa dúvida permeia uma história que passa por vários núcleos: Trask e o Tentáculo são alguns dos nomes que vão antagonizar Logan, mas explicar exatamente qual a direção ao qual o roteiro ruma também entregaria muito dos principais acontecimentos. Antes de encarar Marvel’s Wolverine, vale saber que o objetivo final do protagonista é criar um mundo melhor para os mutantes enquanto aprende um pouco mais sobre si mesmo.

A missão fofinha, claro, não reflete nem um pouco naquilo que nós realizamos como jogadores. Esse é um dos jogos mais violentos do ano, sem nenhum medo de mostrar membros decepados e quantidades absurdas de sangue. Não há muita escapatória quando sua principal arma são garras afiadíssimas, afinal.

Durante as doze horas de campanha, Wolverine sempre se apresenta como uma pequena bola de destruição (sim, ele é baixinho como nas HQs). Seus ataques carregam muito peso ao mesmo tempo que a movimentação demonstra agilidade; contra inimigos básicos, os abates são quase instantâneos e o tempo para saltar de uma vítima até a outra é curto. Os adversários mais brutos adicionam um quê de cautela a esse caos, e é aí que as janelas de parry e movimentos especiais entram na mistura.

Marvel's Wolverine
Divulgação/Sony

Para além dos clássicos quadrado e triângulo alocados a ataques leves e pesados, boa parte da gameplay é sobre reagir às oportunidades que os vilões te dão. Emendar alguns parries em sequência os atordoa e permite encaixar um golpe fatal; desvios no momento certo trazem oportunidades ainda maiores de causar dano massivo; golpes especiais que entram em recarga ao serem usados te ajudam a escapar de apertos, e por aí vai.

Separando todos os seus elementos, tudo é muito familiar no combate com Logan, especialmente para quem já tem uma quantidade considerável de jogos lineares de ação em seu repertório. O destaque fica com a execução fluida, que de fato transmite a tal experiência Wolverine por meio de controles bem encaixados — aqui, potencializados por mais um bom uso dos recursos do DualSense, que são quase obrigatórios para exclusivos PlayStation.

O que transforma os confrontos em algo fresco é a Fúria do protagonista, que redesenha de forma interessante as clássicas mecânicas da época do PS2. Ao invés de acumular energia em uma barra e liberá-la a qualquer momento, ganhando regeneração e golpes mais fortes, Logan entra, de forma automática, em seu modo mais violento justamente ao empilhar abates consecutivos. Uma vez que a Fúria atinge o máximo, a única forma de voltar ao normal é parar de atacar.

Marvel's Wolverine
Divulgação/Sony

É um pouco surpreendente, de um jeito bom, que essa dinâmica não mude contra chefes. Praticamente todos possuem os mesmos traços de inimigos comuns — não no sentido das lutas serem parecidas, mas sim na forma que o combate precisa ser abordado. Parries e atordoamentos seguem importantíssimos, e mesmo contra esses vilões mais poderosos ainda vale a pena manter a agressividade.

Ainda assim, não é como se o game não se repetisse bastante. Até existe uma variação interessante de inimigos, um suspiro de combate furtivo e uma árvore de habilidades que traz mais possibilidades para o jogador, mas mesmo com novas adições ao arsenal de Wolverine, é fácil dizer que o feeling se mantém parecido do começo ao fim da campanha.

Alguns pontos ajudam a amenizar essa sensação: a história é muito bem amarrada, evitando tropeços em uma estrutura narrativa que poderia se perder facilmente com a quantidade de personagens e ramificações que são introduzidas; desafios opcionais a cada fase ajudam a exaltar o ótimo sistema de movimentação, que não é tão presente nas missões principais.

O contraponto irônico é que um desses desafios é justamente uma espécie de roguelike com ondas de inimigos que se renovam por vinte e poucos minutos, te lembrando de como as lutas podem ser cansativas. Há, também, oportunidades perdidas de dar mais vida à aventura. A escolha por um game linear não deveria, necessariamente, fazer com que quase todas as fases tivessem pouquíssima exploração, e mesmo as que possuem alguma extensão em seu mapa não oferecem grandes recompensas por serem desbravadas.

Marvel's Wolverine
Divulgação/Sony

Até por isso, a caça pelos colecionáveis se torna bastante trivial, e enquanto um deles é até interessante — faz todo sentido que Logan tenha uma coleção de garrafas de whisky —, o outro é simplesmente uma caixa com materiais para construir novas roupas. Fica o adendo, inclusive, que há uma quantidade bem interessante de skins, mas há algo sobre o peso narrativo e a linearidade que faz com que as opções mais bizarras, como a de Marvel Tokon, pareçam esquisitas naquele mundo. O mundo aberto de Spider-Man era um pouco mais tolerante às estranhezas, tanto pela variedade de elementos em tela quanto pela falta de obrigações no cenário.

Esses problemas inevitavelmente levam a uma discussão que se tornou comum nos últimos anos: Marvel’s Wolverine entrega os R$ 399,90 que cobra? A resposta cabe a cada jogador, já que precificar um produto artístico é extremamente complexo, mas é fácil enxergar o caminho que o debate vai tomar: destacar uma campanha curta com colecionáveis fáceis de se encontrar e desafios que não oferecem tanto assim — a medalha de Adamantium pode ser obtida em todos eles sem todos sem muito esforço.

Mais de mil palavras depois, é bem óbvio que resumir o game a essas características é uma visão bastante simplista, mas no fim das contas a decisão final é do consumidor. Mesmo em seus defeitos, Marvel’s Wolverine não deixa de atingir a proposta de experiência definitiva do personagem. Apresentando brutalidade nas lutas e indo além da violência em seu enredo, a Insomniac explora muito bem um Logan que costuma ser reduzido a apenas um rabugento, e mostra que ele é muito mais que isso.

Nota do Crítico

Marvel's Wolverine

Marvel's Wolverine

15 de setembro de 2026
Ação
Desenvolvedora: Insomniac
Publicadora: PlayStation Studios
Classificação: 18 anos
Plataformas: PlayStation 5
Testado em: PlayStation 5

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