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Crítica

Review | Marvel Tokon: Fighting Souls desperta o lutador em você

Complexo, novo game da Arc System Works entrega deleite no processo de aprendizagem

Omelete
5 min de leitura
12.08.2026, às 20H19.
Marvel Tokon Fighting Souls

Créditos da imagem: Divulgação/Sony

Após anos de espera, os personagens da Marvel estão de volta ao mundo dos games de luta, mas de casa nova. Depois de décadas enfrentando heróis de outro mundo em Marvel vs. Capcom, figuras como Homem-Aranha, Wolverine e Capitão América agora foram trazidas de volta à arena pela Arc System Works, desenvolvedora de Guilty Gear e Dragon Ball FighterZ, em Marvel Tokon: Fighting Souls. Não é um exagero dizer que esse é o jogo do gênero mais aguardado desde Street Fighter 6, e, felizmente, o resultado final justifica a expectativa.

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Tokon, para os íntimos, é o primeiro grande jogo de luta 4v4. É uma inovação que pisca para a história da Marvel no gênero, já que MvC foi pioneira com o 2v2 (em X-Men vs. Street Fighter) e esteve na crista da onda do 3v3 (em Marvel vs. Capcom 2), permitindo combinar o elenco de 20 bonecos dos quadrinhos de diversas maneiras. Reunindo nomes clássicos como o Homem de Ferro e Hulk com figuras que nunca estiveram em games do gênero antes, como Magik e Blade, esse grupo é dividido em cinco equipes de quatro personagens, cada um com seu próprio modo história desenhado por um quadrinista de talento — claro, também é possível misturar os lutadores de acordo com a vontade do jogador para as batalhas arcade ou multiplayer.

Mais importante, porém, é o impacto disso no gameplay. Tokon definitivamente não é um Marvel vs. Capcom, mas traz um sistema de assistências (quando você chama um personagem do banco para dar um único golpe) e de tag ativo (a possibilidade de trocar o personagem na luta para aquele que deu a assistência, caso o golpe acerte), além de deixar que você troque o herói/vilão que comanda a qualquer momento. As partidas começam com 2v2, e é possível desbloquear o terceiro e quarto membro do time realizando ações específicas (ou perdendo um round). Eventualmente, um arsenal vasto estará disponível.

Marvel Tokon Fighting Souls
Divulgação/Sony

Se o parágrafo anterior sugere que há muito para se pensar numa luta de Tokon, então não é um acidente. Para além do fato do game não se comportar exatamente como MvC ou (apesar de ter mais semelhanças, por razões óbvias) com Dragon Ball FighterZ e portanto demandar uma curva de aprendizado própria, a jogabilidade complexa – que inclui super-ataques, movimentos de contra-ataque e por aí vai – significa que essa não será a experiência mais tranquila para novato, diferente do outro grande jogo de luta de heróis lançado em 2026. Ao mesmo tempo, é essa profundidade que faz Tokon brilhar.

Mesmo para um jogador mais rodado, haverá muito para descobrir neste jogo. Pouco menos de uma semana depois do lançamento, o meta de Tokon (essencialmente, o estilo como ele é jogado em alto nível) ainda está sendo formado. Alguns preferem focar em um herói e deixar os outros três como puros assistentes, enquanto outros focam em trocar constantemente de um para o outro. Há uma beleza nesse desconhecido, e por mais que haja peculiaridades estranhas — especialmente para veteranos — no comportamento de certos golpes ou mecânicas, o que faz o trabalho da ArcSys merecer muitos elogios vai além da boa execução. Sim, quando você passa a executar combos grandiosos e sai voando em tela, Tokon é um espetáculo visual sensacional, elevado por uma direção de arte fantástica, e entrar na cadência do gameplay é um momento mágico, mas o caminho para chegar lá também é parte valiosa do pacote. Esse é um ótimo jogo para se descobrir.

Não é missão fácil aprender quatro movesets diferentes (no momento em que escrevo isso, só posso dizer que jogo de maneira confiante com dois nomes: Tempestade e Hulk), mas encontrar os caminhos para as combinações e misturas é um prazer, e a diversão de colocar tudo isso em prática num bom embate é gigante. Tokon diverte mesmo no modo de treinamento, e seus tutoriais de personagens estão entre os mais criativos que já vi, incluindo o que podemos chamar de “quebra-cabeças de combos”, onde você recebe a missão de criar um combo que começa e termina com ataques específicos.

Aliás, para quem não tem confiança de se arriscar nem mesmo em partidas casuais online, não faltam opções offline. Além das cinco histórias principais – modestas, mas bem estruturadas e breves – há um modo arcade que inclui um beat-em up semelhante ao que já vimos em outros lançamentos da ArcSys; um modo de desafios onde você entra em lutas cada vez mais difíceis e o grande destaque: um modo de sobrevivência roguelite onde você carrega sua vida para a próxima batalha, mas vai desbloqueando vantagens como mais poder de ataque, velocidade, etc. Há horas e horas de diversão aí. Junte a isso os conteúdos desbloqueáveis, como skins e medalhas para o perfil, e Tokon garante muito para quem sequer quer se arriscar no multiplayer.

Marvel Tokon Fighting Souls
Divulgação/Sony

Ainda assim, não há como fugir do maior feito do jogo, e aquilo que é o mais importante dentro do gênero de luta: o próprio ato de jogar. Marvel Tokon: Fighting Souls é recheado de detalhes, e por vezes demanda bastante de seu jogador, mas em contrapartida, ele devolve mais do que o suficiente para compensar. Sentir que você pegou o jeito com um novo boneco, aprender a combinar a assistência específica de um herói com uma rota de ataques de outro, e assim vai. É uma qualidade que, somada à possibilidade de montar um time com quatro bonecos, não só abre diversas possibilidades, como torna a exploração eficaz por si só.

Tudo isso, claro, precisa vir com um porém. O lançamento do jogo no PC beirou o desastroso. Entre o lag nas partidas online e a falta de otimização, os problemas foram o suficiente para afastar muitas pessoas, e se estendiam até o crossplay com PS5. Atualizações já foram lançadas melhorando a situação, e não há por que duvidar de que em breve Tokon estará rodando perfeito no computador, mas é fato que especialmente no multiplayer, os primeiros dias só foram legais para quem ficou em confrontos PS5 vs. PS5.

É uma mancha triste para um pacote outrora fantástico. A frustração, por outro lado, só demonstra a empolgação que se instalou na comunidade de jogos de luta com a chegada de Marvel Tokon: Fighting Souls. Aqui está um combo pra lá de especial: um título que captura a imaginação e o hype, e entrega um gameplay e apresentação dignos disso tudo.

Nota do Crítico

Marvel Tokon: Fighting Souls

Marvel Tokon: Fighting Souls

06 de agosto de 2026
Luta
Desenvolvedora: Arc System Works
Publicadora: PlayStation
Classificação: 16 anos
Plataformas: PC , PlayStation 5
Testado em: PlayStation 5

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