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Crítica

Fire Emblem: Fortune's Weave vai definir geração do Switch 2

O mais novo exclusivo da Nintendo promete ser um dos melhores do ano

Omelete
8 min de leitura
16.09.2026, às 09H00.
Fire Emblem Fortune's Weave

Créditos da imagem: Divulgação/Nintendo

Uma das franquias mais clássicas da Nintendo está de volta com Fire Emblem: Fortune’s Weave. Com um rico legado, traçado desde o NES, os jogos já se reinventaram diversas vezes, as mais recentes na era 3DS, e no Switch 1 com Three Houses. Agora, ostentando mais conteúdo que nunca, a franquia atinge novos patamares, por mais que ainda haja espaço para melhoras.

Depois do último jogo da série, Engage, não ter agradado parte dos fãs, o novo jogo volta a apelar para os amantes de Three Houses. Sendo uma grande comemoração da franquia, mas não conseguindo convencer com sua narrativa, Engage parecia como um trabalho paralelo da Intelligent Systems, produtora dos jogos, e isso fica mais evidente tendo jogado Fortune’s Weave.

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Divulgação/Nintendo

Não me entenda errado, adorei Engage, principalmente pelo combate e as animações, mas em todo resto ele carecia da sustância apresentada anteriormente. Fortune’s Weave traz tudo que os dois jogos anteriores tinham de melhor. A apresentação visual de Engage, e todo o recheio narrativo, e de conteúdo, de Three Houses. O resultado disso é um dos games mais robustos do gênero de estratégia por turno que já pude jogar.

A história se passa no mesmo universo de Three Houses, só que no continente de Dagsian, ao invés de Foldlan, que fica ao Norte. Os eventos do game acontecem anos antes de seu antecessor — sendo marcados com diversos Easter Eggs para os fãs.

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Seguimos, primordialmente, quatro protagonistas: Cai, Leda, Dietrich e Theodora. Cada um representa uma rota diferente de gameplay, em que o jogador, controlando o quinto protagonista, o Avatar Eshmel, deve intervir para ajudá-los em suas respectivas histórias. Isso acontece pois, no tempo presente do jogo, Eshmel precisa lidar com o Deus do Submundo, que quer… destruir o mundo. Sim, há elementos de viagem no tempo e múltiplas realidades aqui.

Cada uma dessas rotas funcionam completamente independentes na maioria do game. A única coisa que se carrega entre elas são as conquistas, que desbloqueiam diferentes bênçãos. Há muitas opções para liberar, indo de diversos bônus de experiência a descontos em lojas — algo feito para agilizar o progresso conforme mais rotas se completam.

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Divulgação/Nintendo

A história de Fortune’s Weave é separada em três partes: os jogos no coliseu, em Dagsian, capital do continente; o arco da guerra; e a batalha final. A primeira, o torneio, toma o maior tempo do jogo, com cada rota podendo levar mais de 30 horas para se completar. 

O jogo pode facilmente passar das 100 horas de gameplay se o jogador quiser fazer tudo – por outro lado, só a conclusão de uma das quatro histórias é necessária para zerar o game. Diferente de Three Houses, que também possuía quatro rotas diferentes a se seguir, Fortune’s Weave tenta não tornar a experiência muito repetitiva, mas falha nesse quesito.

No game anterior as rotas eram praticamente idênticas até a metade do jogo, apenas mudando os personagens que interagiam com o protagonista. Esse problema foi sanado, já que os quatro personagens principais têm histórias completamente diferentes entre si, passando por locais únicos nas missões principais, com algumas intersecções.

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A carga dramática de Fire Emblem está presente em todas as rotas, mas há uma leve diferença tonal em cada uma. Leda, Cai e Theodora, por exemplo, possuem histórias fortes que envolvem suas famílias, elevando o drama; já Dietrich só quer lutar contra oponentes fortes, com boa parte da narrativa de sua rota sendo carregada pelo misterioso Fabio, e os segredos que ele guarda.

Cada uma dessas histórias, porém, entrega parte do grande quebra-cabeça da narrativa que permeia todas elas: a ressurreição de Balor, o Deus Demônio. Há um grupo de vilões misteriosos, entre outros personagens satélites e acontecimentos, que culminam em grandes revelações que só podem ser completamente compreendidas ao completar todas as histórias na primeira parte do jogo, tornando-as essenciais.

Fortune’s Weave, com isso em mente, tenta mitigar os problemas de repetição de Three Houses, podendo alternar entre as quatro rotas a qualquer momento. Diferente de antes, quando era preciso começar um novo jogo para cada história, agora tudo pode ser feito dentro de um mesmo save, e quase que simultaneamente. A questão é que, mesmo com tudo que já falei, o jogo não escapa de ser repetitivo em alguns aspectos.

As missões principais são, sim, diferentes, mas o mesmo não pode ser dito dos conteúdos secundários. O mapa do game, que entrega diferentes atividades como batalhas para ganhar experiência e dungeons, é o mesmo em todas as rotas, assim como a grande maioria das sidequests.

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Cada protagonista tem algumas ferramentas que diferenciam suas interações com o mapa e possuem algumas batalhas únicas. Leda pode se apresentar, como a excelente dançarina que é, em algumas cidades; já Dietrich pode procurar por lutas especiais pelo mapa, e ambos fazem isso em troca de Renome — que dá diferentes recompensas a cada nível novo alcançado. Porém, isso não é o suficiente para aliviar a sensação de repetição ao fazer a mesma missão para o mesmo mercador, quando na terceira ou quarta rota escolhida.

Isso, somado ao tempo de cada história, me fez chegar a uma conclusão: não vale a pena ficar alternando entre elas, e sim terminar uma a uma. Fazer todas simultaneamente dá uma sensação de que nenhuma delas avança, seja na narrativa ou na progressão dos personagens e seus aliados.

Você pode se perguntar se a simultaneidade não ajuda na compreensão da grande história de Fortune’s Weave, mas já aviso que esse não é um ponto de preocupação. Cada história na primeira parte do game aborda diferentes linhas do tempo: elas até possuem acontecimentos semelhantes, mas suas conclusões são completamente distintas e não podem coexistir na mesma sequência de eventos.

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Outro ponto importante que salienta isso são os personagens e sua evolução no gameplay. A mesma unidade, se recrutada em mais de uma rota, não compartilha nada entre elas. Isso apenas tem uma resolução no final do game, quando os status da mesma unidade nas diferentes rotas se juntam em um só, formando um personagem extremamente poderoso. Ou seja, apesar de estar tudo no mesmo save, as quatro histórias são completamente independentes, em todos os sentidos, apenas se encontrando nas partes finais do jogo.

Eu tirei maior proveito pelos diferentes protagonistas, e suas incríveis histórias, quando foquei em fazer uma por vez. Me apaixonei por Leda, apesar de seu destrutivo desejo por vingança; admirei Cai por tudo que ele prega; e me diverti com o quão insano Dietrich pode ser, ao mesmo tempo que entrega um lado surpreendente meigo. Assim como Three Houses, a história de Fortune’s Weave é robusta, cheia de mistérios e reviravoltas. Mesmo com sua apresentação um pouco disfuncional, ela consegue entregar uma boa experiência.

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O gameplay aqui, assim como a narrativa, também não deixa barato. Em termos gerais, não há grandes mudanças em relação a Three Houses. O triângulo de fraquezas entre as armas, presente em Engage e na maioria da série, não aparece por aqui. A forma de se treinar as unidades funciona exatamente como no antecessor, em que melhoramos as habilidades com armas específicas, para assim liberar upgrades e novas artes de combates, que retornam também.

Para os não familiarizados, Fire Emblem entrega um dos melhores gameplays de combates táticos, por turno, dos games. O mapa é separado em quadrados, onde cada unidade se movimenta e ataca de forma diferente dependendo de sua classe. A variedade vai de unidades aladas ao mais comum dos espadachins; fomentar e construir suas diferentes habilidades depende unicamente do jogador, através da excelente customização do game.

A parte que mais entrega novidade aqui está nas batalhas em si, que possuem uma excelente gama de objetivos e inimigos. O clássico “mate todo mundo” ainda marca presença, claro, mas me surpreendi com a inventividade de várias missões. Entre enfrentar uma espécie de Hidra gigante, ao competir com o inimigo por território no mapa ou quem mata mais Gigantes, há um repertório considerável.

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O que melhora ainda mais as batalhas são as Blaze Arts, habilidades especiais que apenas os protagonistas e alguns outros personagens possuem. Seja em ataques de dano em área, ou servindo como teletransporte e melhoramentos para outras unidades, elas adicionam um “quê” a mais na estratégia, o que torna esses personagens verdadeiros pilares no gameplay.

Há outras atividades para se fazer, além das batalhas convencionais da franquia. A maioria envolve estreitar os laços com seus companheiros, melhorar as diferentes especialidades de cada um ou explorar o mapa, mas a maior novidade que Fortune’s Weave entrega é a exploração de Dungeons.

Elas retornam depois de ficarem muitos anos fora da franquia, tendo aparecido em Fire Emblem Echoes: Shadows of Valentia, de 2017. Os embates dentro das dungeons, agora, funcionam de uma forma diferente: um combate por turno mais convencional de RPG, mas simplificado. Sua exploração também é bem simples, mas todo o pacote é efetivo, gerando uma boa quebra do ritmo dos combates táticos — além de que as dungeons entregam ótimos itens encontrados em baús.

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Nada de Fortune’s Weave, porém, seria entregue com maestria sem a apresentação do game, visual ou sonora. O jogo é belo em todos os sentidos. Cada dublador entrega uma excelente performance, especialmente Katiana Sarkissian, a voz de Leda, de longe minha personagem favorita.

Visualmente o game pode desagradar alguns, apenas pelo fato dele não e a 60fps. Mas sinceramente? Isso é besteira. Eu entendo a diferença de jogar com uma taxa de quadro maior, mas Fortune’s Weave funciona tão bem no Switch 2, com cenários inventivos, personagens cativantes em personalidade e design, que em nenhum momento me incomodei pelo jogo estar a 30fps. Isso sem contar a trilha sonora, que acredito ser a melhor da franquia em anos.

Sem dúvida nenhuma, Fire Emblem: Fortune’s Weave é um dos jogos que vão definir a geração do Nintendo Switch 2. Com um gameplay clássico e a dose certa de novidades, o jogo já entrega uma experiência viciante, que fará suas mais de 100 horas de jogo passarem voando. Quando falamos de sua narrativa encriptada entre múltiplas rotas, o jogo peca um pouco, porém não o suficiente para tornar a experiência em algo menor que espetacular.

Nota do Crítico

Excelente!

Fire Emblem: Fortune's Weave

Fire Emblem: Fortune's Weave

17 de setembro de 2026
RPG
Desenvolvedora: Intelligent Systems
Publicadora: Nintendo
Classificação: 14 anos
Plataformas: Nintendo Switch 2
Testado em: Nintendo Switch 2

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