Novo jogo de Avatar impressiona, mas não domina todos os elementos do gênero
Game erra ao se tornar inacessível para parte de seu público
O gênero de jogos de luta é um dos mais antigos e respeitados no mundo dos games, mas ainda é bem nichado. Por esse motivo, quando Avatar Legends: The Fighting Game foi anunciado, fãs do gênero e da série animada ficaram ansiosos pelo resultado da combinação, que, naquele momento, parecia perfeita. Após algumas dezenas de horas imerso no jogo, é possível afirmar que a esperança se tornou realidade, mas com alguns “poréns”.
Primeiro, preciso passar as credenciais que um jogo desse tipo exige. Não sou o maior especialista em fighting games, porém já me aventurei por dezenas de horas em jogos como Dragon Ball FighterZ e Marvel Vs Capcom 3. Também sou um gigantesco fã da franquia Avatar, já tendo revisto as duas séries, de Aang e Korra, mais vezes que consigo lembrar.
Essa combinação me permite analisar Avatar Legends: The Fighting Game de dois diferentes ângulos: o dos apaixonados por jogos de luta; e o dos amantes do nosso herói careca, formalmente conhecido como Avatar Aang. O jogo é sim um projeto que captura o espírito da franquia e a traduz com quase perfeição para o formato de gameplay que se propõe. Ele funciona no formato de um contra um, sem personagens para assistências. Entretanto, há três NPC’s de suporte diferentes para cada lutador. Em vez de serem chamados para estender combos ou ajudar nos mixups, eles modificam o gameplay base de cada personagem.
Um exemplo disso é Zuko. Quando o herdeiro da Nação do Fogo é acompanhado por Mai, ele tem seus projéteis de fogo aprimorados, mas, se em vez dela você escolher os dragões, são as habilidades de movimentação dele que mudam. Essas três opções, disponíveis para cada um dos 12 personagens jogáveis no lançamento, aumentam muito a variedade de estilos de jogo de cada um, fazendo o elenco ser muito maior do que parece.
Outra mecânica que entra com tudo no game é o Flow. Ao apertar o botão especial, — que pode ser customizável —, o personagem entra em um estado que o faz desviar de qualquer ataque, exceto agarrões. E quando adiciona-se um comando direcional a ele, o jogador tem acesso às Flows Motions, que são diferentes habilidades, como ataques, projéteis ou acrobacias, dependendo do personagem. Essa é uma mecânica que enriquece tanto o ataque quanto a defesa, tornando cada luta muito mais rica em movimentação e contra-ataques.
Porém, por tradição, jogos de luta sempre vêm com um asterisco para o gamer convencional: o quanto ele é acessível para aqueles que não são familiarizados com o gênero. Com as mecânicas mencionadas, o gameplay de Avatar Legends é ágil, a variedade de combos é extensa, mas a curva de aprendizado acaba por ser um pouco alta demais para o próprio bem do jogo. A velocidade das partidas funciona em contramão com sua acessibilidade. Um exemplo disso está nas janelas que o jogador tem para apertar os botões durante os combos. Elas são muito pequenas, e isso foi um apontamento que muitos fizeram durante o beta do game, que aconteceu semanas antes do lançamento.
Já no modo de treinamento, temos desafios de combos. A funcionalidade de mostrá-los passo a passo e o auto combo no botão de ataque fraco tentam mitigar o problema, mas não são de grande ajuda. Se comparada a de outros jogos similares, essa questão do jogo fica aquém. Dragon Ball FighterZ, por exemplo, soube balancear sua dificuldade de aprendizado, acertando onde Avatar Legends errou ao focar em agradar o nicho de jogadores experientes do gênero.
Quando focamos na narrativa do jogo, Avatar Legends apresenta as opções padrões de modos de jogo para o gênero: História, modo arcade, versus local e online, e os modos de treino já mencionados. O modo história é o único que foge um pouco do que se espera, dando alguma progressão para os lutadores, que ganham experiência e sobem de nível durante os diversos capítulos da narrativa. Além de poder comprar os diferentes personagens de suporte no Bazar do Momo.
A história aqui gira em torno de uma convergência espiritual que une o passado, presente e o futuro em um só tempo. Isso faz com que personagens como a Avatar Kyoshi e a Toph, lutem entre si durante a narrativa. Parece bem simples, mas a estória do jogo traz consigo um tom misterioso que cativa quem se permite imergir nela. As interações entre os personagens também são boas, mas as apresentações deles, nem tanto.
A animação das lutas de Avatar Legends são deslumbrantes. Todo o visual do game foi feito a mão, com cenas em 2D que parecem ter sido extraídas do desenho original. Ainda assim, suas limitações ficam aparentes durante os diálogos entre os personagens, com o jogo mantendo a mesma perspectiva das lutas e adicionando apenas um balão de fala. E apesar da falta de cutscenes mais elaboradas, tudo está dublado, ainda que inglês, dando um tom mais interativo ao jogo.
Como fã da franquia Avatar, gostei bastante do modo história e de todos os fanservices que ele traz. Os modos do jogo não variam muito, mas o game conhece seu principal objetivo e pontos fortes: lutas com alto nível de complexidade — mesmo com o efeito rebote que isso pode trazer para um público não tão familiarizado com esse estilo.
Avatar Legends: The Fighting Game é como um sonho tanto para os fãs da franquia quanto para os amantes de jogos de luta. Com bons gráficos, fan service de gameplay, o jogo é uma boa adição ao gênero, mas não serve como porta de entrada para esse universo dos jogos de luta - e pensando em quantos fãs de Avatar não dominam esse estilo, isso é uma pena.
Avatar Legends: The Fighting Game
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