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Games
Crítica

Crimson Desert tropeça na própria grandeza

A realidade não pôde alcançar o impossível

Omelete
6 min de leitura
Sods
18.03.2026, às 19H00.
Crimson Desert tropeça na própria grandeza

Desde seus primeiros trailers, Crimson Desert parecia um jogo muito ambicioso para ser verdade. Cada nova informação sobre o novo projeto da Pearl Abyss, criadores do MMO Black Desert Online, transpassava uma promessa de algo grande demais — e apesar de eu me manter otimista sobre tudo isso, no final a verdade cobrou o que era devido.

Crimson Desert chega prometendo ser um jogo de ação e aventura cheio de detalhes e mecânicas, com um mundo expansivo e rico. De fato, ele entrega isso; o problema mora na execução de cada uma de suas partes: a soma delas entrega um jogo bom, mas extremamente obtuso.

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A história é um bom ponto de partida para exemplificar o que digo. Ela segue Kliff, um membro dos Greymanes, uma espécie de clã de mercenários bonzinhos que encontra seu fim pelas mãos de um clã rival. O protagonista, entretanto, é salvo da morte por meios desconhecidos, e agora cabe a ele reagrupar seu bando e salvar seu mundo, e muitos outros, de uma ameaça iminente e misteriosa.

Logo de cara a premissa dá objetivos claros para o jogador, mas eles se perdem através de uma condução deveras estranha da narrativa. O mistério do mundo, a ameaça que se aproxima, reagrupar seus companheiros e ajudar pessoas e reinos pelo caminho se misturam de uma forma truncada e inorgânica durante as diferentes missões principais da história.

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Em um momento você está em uma festa de recepção de um reino vizinho que dá errado, e no outro está lidando com fendas dimensionais e um misterioso vilão. Os saltos entre as situações e suas temáticas são instantâneos, e não se conversam na maioria das vezes.

Entretanto, as diferentes linhas narrativas ainda conseguem ser interessantes o suficiente para engajar o jogador, dependendo do momento. Kliff não tem mérito nenhum nisso, sendo um dos protagonistas mais blasé dos últimos anos, porém sua relação com os outros Greymanes dá um pouco de cor para o personagem, já que os secundários possuem mais personalidade que ele.

O gameplay talvez seja a melhor parte do jogo, mas é também uma faca de dois gumes. Muito se falou nos últimos anos como o sistema de combate era complicado demais, e tenho que dizer que não é bem assim, apesar das críticas não serem infundadas.

A árvore de habilidades é extensa e possui diversas opções divertidas e poderosas para escolher. A progressão nela vem como recompensa por explorar o mundo do jogo, usando as relíquias do Abyss encontradas pelo mapa como moeda de troca, além de alguns outros requisitos, para progredir as diferentes skills.

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As várias combinações de botões para executar as variadas ações assustam no começo, mas isso passa no decorrer do jogo. Naturalmente, os ataques mais preferíveis viram memória muscular, enquanto os outros são esquecidos.

O maior problema então se torna a falta de coesão nos encontros do jogo com suas diferentes habilidades. No papel, várias delas parecem muito úteis, mas na hora da porradaria boa parte cai por terra — seja pela enorme quantidade de inimigos que te enfrentam de uma vez, por vários deles morrerem rápido demais, ou pelos chefes que não obedecem às regras dos inimigos normais.

Com isso, temos ataques sem quase nenhuma possibilidade de contragolpe; uma mira teleguiada absurda, ou a impossibilidade de usar skills que deveriam funcionar em um boss. Esses são alguns exemplos da extrema frustração que vivenciei jogando Crimson Desert.

A demora que o jogo tem em dar itens ao jogador também não ajuda. Por exemplo, ter passado mais de 25 horas de jogo até encontrar um escudo melhor que o inicial deu uma sensação de que eu estava jogando o jogo de forma errada, e acho que se há algo ruim para se pensar durante a gameplay, é isso. Por muitas vezes, certas recompensas aparecem, mas nem sempre são melhores do que já temos.

Crimson Desert entrega tanta coisa para se fazer, de pescaria a minerar, fazer sidequests para diferentes facções ou a quest principal, que acaba se perdendo em si mesmo, causando problemas seríssimos de foco por parte do jogador. A falta de recompensa já mencionada só piora isso. Por muitas vezes parece que você está mais perdendo tempo engajando com algum mini sistema, e isso não é agradável.

Isso não pode ser dito sobre o Abyss, que são as ilhas no céu, parecidas com as encontradas em The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom. Todas elas estão interligadas umas com as outras, em uma espécie de circuito. Cada uma possui diferentes quebra-cabeças a serem solucionados, que vão cobrar do jogador atenção e também habilidades específicas da skill tree.

Apesar do Abyss ter uma espécie de ordem para ser experimentado, ele entrega uma das melhores partes do jogo. Os desafios são bem definidos, possuindo sempre uma ou mais recompensa. De longe o loop que mais funciona em todo Crimson Desert, entregando momentos engajantes com a certeza de alguma recompensa.

Agora, no final do texto, tenho que falar sobre a performance do jogo. Só nos foi disponibilizado o jogo na versão do PC, e cá entre nós o meu computador não é um suprassumo nos dias de hoje, então estava bastante apreensivo. Porém isso acabou sendo bom, já que pude testar à risca o quão bom otimizado Crimson Desert está.

Jogando na maioria do tempo no “Alto”, em 1080p, com DLSS ligado no “Qualidade", pude rodar o jogo em mais de 60fps. Alguns engasgos aqui, uma iluminação ruim de interiores ali, não foram capazes de reduzir a beleza do mundo do jogo. Posso dizer que o jogo se encontra em bom estado para PCs medianos, e que as especificações da página da Steam podem ser confiadas.

Chega a ser impressionante o quão bem todo o mundo funciona dentro da engine do game. O mundo e NPCs são extremamente vivos, evocando os tempos em que joguei Red Dead Redemption 2. Passear pelas ruas, estradas e entrar em diferentes recintos sempre vem acompanhado de algo, sejam inimigos, ou quests que podem ser simples, mas também poder ser bastante completas.

Por outro lado, os diferentes sistemas de crafting, seja de comida ou equipamentos, estão longe de serem divertidos. Tudo parece mais uma obrigação do que algo realmente bom de se engajar. Acredito que isso resume bem o jogo, que possui muita coisa a se fazer, e que várias delas parecem existir só para encher o mundo, do que serem verdadeiramente úteis para o mesmo.

Crimson Desert é uma constante contradição: onde existe algo bom também há outro ruim. Se algo funciona muito bem, pode ter certeza que também tem um sistema ou interação que vai engasgar quem joga. Um mundo tão grande, uma promessa que parece extremamente impossível, muitas vezes não encontra uma boa resolução, apesar de que há sim muito do que se gostar nesse jogo imenso e imersivo.

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