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Crítica

Code Vein 2 aprende com o passado para se tornar melhor

Sequência do título da Bandai Namco te mostra que brincar com o tempo pode e vai machucar emocionalmente

Omelete
8 min de leitura
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26.01.2026, às 20H00.

Se o primeiro Code Vein foi uma tentativa ambiciosa, mas um pouco desajeitada, da Bandai Namco de misturar elementos de Dark Souls, God Eater e uma boa dose de drama, sua tão esperada sequência finalmente encontrou a fórmula certa. Lançado em 2019, o RPG de ação original já havia se destacado pela sua estética anime, sendo um dos primeiros a se afastar do visual gótico e dark fantasy popularizado pelos sucessos da FromSoftware. Agora, Code Vein 2 se estabelece como a evolução que acerta na dose. 

Code Vein 2
Divulgação/Bandai Namco

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Como se trata de uma sequência, a dúvida sobre a necessidade de jogar o título anterior é comum. No entanto, tranquilizo você: embora compartilhe o mesmo universo, Code Vein 2 não exige familiaridade com o primeiro jogo, pois sua história não é uma continuação direta. O novo título acolhe de forma simples e objetiva até mesmo o jogador que nunca teve contato com a franquia e suas particularidades. Mas, fica o aviso, se você não é fã de animes, talvez esse título não seja para o seu gosto.

Nesse mundo pós-apocalíptico, seu personagem é ressuscitado por Lou MagMell, uma jovem com poderes temporais. Somos então apresentados aos Revenants: humanos que, após a ressurreição, se tornam seres imortais com traços vampirescos. Lou revela que o ressuscitou ao lhe ceder metade de seu coração, e agora, unidos pelo sangue, eles devem se tornar a esperança da humanidade.

Code Vein 2
Divulgação/Bandai Namco

Antes de mergulharmos na história do jogo, é essencial destacar o sistema de criação de personagens. Embora a estética anime possa não agradar a todos, trata-se, sem dúvida, de um dos melhores sistemas de customização disponíveis. Este era um ponto forte já reconhecido desde o primeiro jogo da franquia, mas foi amplamente expandido e aprimorado nesta nova versão.

Não é surpresa que uma demo do modo de criação tenha sido lançada antecipadamente, com os fãs já explorando sua criatividade e recriando personagens famosos. Só neste modo, o jogador certamente gastará um bom tempo ajustando a aparência de seu personagem, dada a vasta quantidade de acessórios e opções disponíveis.

Voltando ao encontro com Lou MagMell, recebemos uma breve introdução aos eventos passados: uma catástrofe conhecida como Resurgence que desencadeou o surgimento de Luna Rapacis, uma doença peculiar que afeta os Revenants, transformando-os em criaturas monstruosas chamadas Horrors. Quatro heróis se uniram e se sacrificaram para tentar conter o avanço da doença, buscando salvar a humanidade. No entanto, apesar de seus esforços, Luna Rapacis persiste até os dias atuais, e cabe agora ao nosso personagem, com o auxílio de Lou, ajudar cada um desses heróis na missão de proteger e salvar a humanidade.

Com isso, o núcleo do jogo se estabelece: utilizaremos os poderes temporais de Lou para viajar no tempo na tentativa de alterar o presente. No entanto, como em toda narrativa de viagem temporal, as escolhas e as mudanças carregam um peso significativo — e o jogo não demora para mostrar isso. O primeiro exemplo é o encontro com uma estátua que retrata um Revenant em combate contra um monstro, um vestígio de uma batalha ocorrida há mais de um século.

Em nossa primeira viagem ao passado conhecemos Noah, o personagem que virou estátua, pouco antes de sua batalha fatídica, e apesar do breve tempo que nos aventuramos juntos, seus propósitos e objetivos são bem transmitidos. O jogo sustenta a intensa carga dramática já estabelecida no título anterior; o uso de cutscenes e diálogos são carregados de emoção para fazer o jogador se importar com esses personagens, indo em direção contrária à estrutura narrativa utilizada em jogos da FromSoftware, já que aqui os personagens gritam suas emoções.

Code Vein 2
Divulgação/Bandai Namco

Como esperado, somos confrontados com o momento do destino fatal de Noah, mas agora é dada ao jogador a escolha de intervir para evitar a tragédia ou permitir que o ciclo de eventos se desenrole conforme já conhecemos.

Além da importância narrativa, personagens como Noah e Lou têm um papel importante nas batalhas. O novo sistema de parceiros de Code Vein 2 é, na minha opinião, uma solução excelente para a eterna questão da acessibilidade na famosa dificuldade dos soulslike. Esses companheiros podem ser selecionados nos checkpoints e acompanham o jogador constantemente, oferecendo diferentes estilos de combate e melhorias. Lou, por exemplo, foca em criar barreiras e desacelerar os inimigos, enquanto Noah é mais agressivo e aprimora a recuperação de stamina.

O jogo oferece a opção de ter o companheiro lutando lado a lado, seja criando uma distração quando você precisa se curar ou te auxiliando ao enfrentar um número grande de inimigos; ou você pode absorver o seu companheiro, ganhando assim ainda mais melhorias no combate. Para impedir que o jogador abuse do sistema e deixe os parceiros fazerem o trabalho sujo, os inimigos podem entrar em um estado de fúria e anular todo o dano causado pelo companheiro, fazendo assim que o jogador participe ativamente na batalha e não dependa totalmente dos NPCs.

Outro diferencial é que, quando somos atingidos por um dano fatal, o companheiro consegue forçar a absorção para impedir nossa morte e nos salvar, funcionando com uma segunda chance que pode até acontecer mais de uma vez na mesma batalha, desde que respeitando o tempo de cooldown.

Code Vein 2
Divulgação/Bandai Namco

Além do sistema de companheiros, a construção do seu personagem é definida pelos Blood Codes. Eles funcionam como classes: cada Blood Code aprimora atributos específicos e incentiva estilos de jogo distintos. Novas opções são desbloqueadas ao progredir na história, derrotar chefes e fazer novos aliados. Adicionalmente, o uso contínuo de um mesmo Blood Code eleva o seu nível de afinidade, resultando no acesso a uma versão melhorada do mesmo.

As armas, por sua vez, contam com um sistema de customização exclusivo, os Formae. Cada arma pode equipar até quatro habilidades distintas, que são acionadas no meio da batalha consumindo um recurso chamado Icor. O jogador possui total liberdade para moldar seu estilo de jogo, podendo, por exemplo, equipar magias em uma espada e adotar um estilo de jogo à distância, ou utilizar barreiras e golpes especiais para um confronto corpo a corpo.

Outra mecânica que retorna do jogo original são as Blood Veils, que agora são conhecidas como Jails ou Celas. Estas são armas especiais que permitem aos Revenants absorver Icor dos inimigos durante o combate. Dentre elas existe uma variedade de opções: como garras gigantes que absorvem mais Icor por golpe em troca de curto alcance, um rabo de escorpião com longo alcance, a habilidade de invocar um enxame de morcego para aplicar dano constante, dentre outros.

Como já esperado do estilo soulslike, a dificuldade vai estar presente em grande parte das batalhas, principalmente contra chefes que desde o início já contem com a mecânica de fúria, mas o jogo garante grande flexibilidade para encarar o desafio através de diversos elementos. Parceiros, os Blood Codes, as celas, as Formae e um leque de classes de armas superior ao do título anterior, que incluem desde espadas gigantes até baionetas, além de armas especiais que podem ser invocadas durante a gameplay. 

Code Vein 2
Divulgação/Bandai Namco

Não é um daqueles casos que você precisa avançar muito para encontrar toda essa variedade, em poucas horas de jogo você já consegue explorar formas distintas de como jogar.

Consegui trocar meu equipamento para me adaptar a cada situação, mesmo nos momentos mais difíceis contra chefes, sem a necessidade de me prender a uma build específica de personagem. Afinal, o sistema de evolução não adota a distribuição tradicional de atributos como força e destreza; ao subir de nível, todos os atributos aumentam automaticamente. Assim, a construção do personagem é determinada pela combinação de equipamentos escolhida. Contudo, há um limite no que se pode equipar, e excedê-lo resulta em desvantagens, sendo um dos exemplos iniciais a redução da velocidade da esquiva do jogador. 

Vale destacar que a movimentação e o combate do jogo original eram meio travados. Apesar da sequência ter melhorado bastante nesse aspecto, a excelência de outros jogos do mesmo estilo ainda não foi atingida.

O jogo apresenta uma evolução notável em relação ao seu antecessor ao trocar os mapas e áreas menores por um mundo aberto. Embora seja uma melhoria significativa, essa mudança é, até certo ponto, questionável, dada a performance do jogo que ocasionalmente se mostra insatisfatória, com a perda de quadro durante lutas ou alguns momentos de exploração nesse ambiente de mundo aberto, além do histórico de séries apostarem em mundo aberto em prol da grandeza.

Code Vein 2
Divulgação/Bandai Namco

Para explorar esse vasto mundo, temos uma moto à disposição. Foi impossível não lembrar de Metroid Prime 4 e seu deserto, mas, felizmente, o jogo oferece muito mais: diversos pontos de interesse, a conveniência da viagem rápida e, surpreendentemente, uma trilha sonora que não aparece só depois de desbloquear 100% da área ou comprar um amiibo.

Por outro lado, os cenários deixam bastante a desejar, comprometendo a experiência visual geral do jogo. É importante ressaltar que nunca fui uma pessoa exigente com gráficos. Para mim, a jogabilidade e a mecânica de jogo sempre vieram e sempre virão em primeiro lugar. Mas neste caso específico, é muito difícil ignorar ou simplesmente encarar o quão gritante é o contraste entre a qualidade visual dos personagens e a dos ambientes.

O design dos personagens e chefes são incrivelmente bem trabalhados, com detalhes que realmente demonstram um esforço e capricho da equipe de desenvolvimento. No meu caso, tive acesso à versão Ultimate do jogo, que inclui um mini artbook digital com alguns designs de personagens. Às vezes, a transposição dessas ilustrações para modelos 3D pode resultar na perda de algum charme e até em grandes diferenças; felizmente, neste jogo, o trabalho foi muito bem-feito.

Infelizmente, essa excelência não se estende aos cenários. Alguns cenários parecem pertencer a uma geração anterior de consoles, exibindo texturas estranhas, ambientes simples e uma falta geral de detalhes e profundidade que são esperados em um título atual. Ainda assim, nada disso afeta a experiência final do jogo.

Code Vein 2 se consolida como uma ótima sequência e uma evolução significativa da fórmula original. Longe de tentar ser um novo Elden Ring, o jogo, na verdade, busca consolidar seu espaço e expandir sua identidade única, reforçando seus próprios pontos fortes, seja através da ambientação, mecânicas ou estilo artístico. A introdução de elementos de viagem no tempo adiciona uma camada narrativa incrível, enriquecendo a trama e o desenvolvimento dos personagens. Para os fãs de anime, este é o soulslike ideal.

Nota do Crítico

Code Vein 2

Code Vein 2

29.01.2026
Soulslike, Ação
Desenvolvedora: Bandai Namco
Publicadora: Bandai Namco
Classificação: 16 anos
Testado em: PlayStation 5

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