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Crítica

Castlevania: Belmont's Curse finalmente traz a franquia para a era de ouro moderna dos metroidvanias [Review]

Primeiro game da série em 12 anos retorna Castlevania para suas raízes e entrega experiência boa, mas limitada

Omelete
5 min de leitura
16.10.2026, às 15H17.
Castlevania: Belmont's Curse

Créditos da imagem: Konami

Responsável por 50% da origem da palavra metroidvania, que descreve os jogos onde partes do mapa ficam inacessíveis até você conseguir uma arma ou habilidade, a franquia Castlevania ficou curiosamente ausente do boom que o gênero experimentou na última década. Enquanto Animal Well, Ori and the Blind Forest e especialmente a dupla Hollow Knight e Silksong explodiam de popularidade, fãs tiveram que se contentar com o universo de Bloodstained criado por Koji Igarashi, responsável por Castlevania: Symphony of the Night – afinal de contas, Castlevania: Belmont's Curse é o primeiro título dessa saga em 12 anos, e o primeiro metroidvania clássico, em 2D, que esse mundo recebe desde o que parece ser a história antiga.

Curiosamente, porém, Belmont's Curse não chega com muita pressão. Talvez a sede por games desse gênero tenha sido saciada, ou talvez o tempo tenha castigado Castlevania ao ponto dessa marca cair da primeira prateleira do mundo dos games. Seja como for, sua vinda significa que finalmente (finalmente!) podemos dizer que Castlevania tem um bom jogo nesta era de ouro moderna dos metroidvanias.

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Castlevania: Belmont's Curse
Konami

Claramente inspirado por Symphony of the Night, Belmont's Curse foi desenvolvido pela Evil Empire, com uma mão da Konami e outra da Motion Twin, e acompanha uma nova aventura da família de caçadores de vampiro Belmont. Agora, a protagonista é Rose Belmont, filha do lendário Trevor Belmont com Sypha Belnades, e detentora de uma marca de maldição deixada por Drácula. Quando Paris é infestada por vampiros, Rose e Trevor vão investigar, e se deparam com rumores do retorno do temível vilão.

Jogamos com Rose, que é meio arrogante, mas bem treinada. Capaz de usar diversos tipos de armas que achamos pelo mapa (espadas, lâminas rápidas e, claro, chicotes), ela encara sua primeira missão sem o pai, e logo se vê diante de desafios grandiosos. O jogo transporta essa sensação para o jogador com um bom nível de dificuldade, mas um que é atenuado pelo excelente sistema de customização de dificuldade (mais sobre isso já já) e, bom, por sistemas que reproduzem muito do que o metroidvania atual tem a oferecer. Rose não tem almas para coletar, como em Hollow Knight, mas sair destruindo os monstros e criaturas que surgem em seu caminho pode subir seu nível, e explorar vai te recompensar com itens que aumentam as estatísticas de ataque, defesa e mais.

Fazer tudo isso, felizmente, é quase sempre um prazer. O combate é o principal destaque do jogo, que oferece seis estilos com base nas diferentes classes de armas. Minha favorita acabou sendo a espadona (não há como descrevê-la de um jeito melhor), mas o seu provavelmente será outro. Há ataques rápidos, combos de movimento e janelas para acertar golpes mais potentes que aceleram o ritmo dos encontros, e logo te transformam numa máquina de moer adversários mais fracos - mas sempre haverá um algoz maior à frente.

Os principais, naturalmente, são os chefões, e aqui as limitações desse Castlevania se revelam. E foi por isso que eu usei o "quase".

Não me entenda errado: há boas lutas nesse jogo, e elas tipicamente vêm acompanhadas de grandes trilhas sonoras e um ótimo design de personagens. Elas só não são, bem, excelentes. Isso não impede Belmont's Curse de ser um game pra lá de divertido, mas no cenário atual do gênero que essa mesma franquia ajudou a fundar, os feitos do novo Castlevania são relativamente tímidos. Por mais que haja variedade no combate, o design das lutas – e até dos inimigos que você encontra – nem sempre aproveita bem as qualidades desse sistema. Fico pensando se não teria sido interessante forçar o jogador a mudar de armas e habilidades, mas não quero julgar Belmont's Curse pelo que ele não é.

É o mesmo com a travessia, que tem lá uma ou outra mecânica legal. Aqui, porém, há um maior cuidado da parte dos desenvolvedores de aqui e ali criar uma sequência genuinamente cativante de plataforma. Contudo, a baixa sensação de recompensa das armas – que são, efetivamente, o principal modificador da jogabilidade – significa que explorar Paris nunca ganha a energia que merece, especialmente diante do fantástico trabalho da direção de arte de criar os belíssimos cenários da capital francesa. O grande problema desse jogo, então, não é um grande problema. Ele é, porém, uma constante. Belmont's Curse engaja, mas nunca conquista.

O que pode deixar a experiência mais interessante é a customização de dificuldade do jogo. Ao invés de aderir ao tradicional "fácil, médio e difícil", Belmont's Curse te deixa modificar o que você quiser. De coisas mais granulares como a porcentagem de dano que você causa e recebe até coisas que deixam os desafios do jogo nulos, como aumentar a quantidade de itens de cura ou, pasmem, impedir sua morte.

Parece estranho elogiar as opções de dificuldade de um game, mas elas são, na verdade, o sistema mais profundo e detalhado de Belmont's Curse, e fazem uma diferença perceptível quando exploradas. Talvez você prefira manter o jogo como está. Talvez queira deixá-lo hardcore. Talvez queira só curtir. Ou, e eu chuto que esse é o mais provável, você encontrará um meio termo mais interessante como, digamos, aumentar o XP que você ganha para subir de nível mais rápido e subir um pouco o dano de seus ataques.

Vale descobrir por você mesmo, até porque, se você é fã de Castlevania, os tropecinhos de Belmont's Curse estarão sempre à sombra de sua mera existência. Esse não é o lançamento que levará essa série de volta ao topo dos metroidvanias, mas ele é, sim, um retorno que qualquer admirador de videogames deve receber com muita alegria.

Nota do Crítico

Castlevania: Belmont's Curse

Castlevania: Belmont's Curse

15 de outubro de 2026
Metroidvania, Plataforma
Desenvolvedora: Motion Twin, Evil Empire
Publicadora: Konami
Classificação: 14 anos
Testado em: PlayStation 5

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