Agência determina que Discord interrompa lives depois de morte de jovem
ANPD determina suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil após caso de indução ao suicídio de adolescente
Créditos da imagem: Reprodução
Segundo informações do Metrópoles e da Folha, a ANPD determinou nesta quarta-feira (12) que o Discord suspenda as transmissões ao vivo em sua plataforma no Brasil.
A empresa tem três dias úteis para cumprir a decisão, e as lives deverão permanecer suspensas até que a plataforma comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes. A agência abriu um processo de fiscalização na última sexta-feira (7) para apurar possíveis falhas do aplicativo na prevenção e no combate a conteúdos relacionados à automutilação e ao suicídio.
A decisão ocorre após a primeira-dama da República, Janja Lula da Silva, pedir a derrubada imediata do Discord ao ministro da Justiça e ao advogado-geral da União durante a sanção de uma lei de proteção a crianças e adolescentes na internet. O pedido foi motivado por um caso em Mato Grosso do Sul, no qual uma jovem de 13 anos teria sido induzida por outros adolescentes à automutilação e ao suicídio, com cenas transmitidas pela plataforma.
A ANPD aponta que o Discord não adotou mecanismos suficientes para proteger menores de conteúdos e interações de risco, incluindo exposição a violência, automutilação e suicídio. As transmissões ao vivo foram alvo da medida emergencial por terem sido usadas de forma recorrente para a prática de crimes graves contra menores. A fiscalização não se encerra com a suspensão. A agência poderá estabelecer um plano de conformidade, cobrar mudanças em outros recursos da plataforma e aplicar sanções previstas no ECA Digital, incluindo multas de até R$ 50 milhões por infração.
O Discord tem três dias úteis para comprovar o cumprimento da suspensão. A empresa pode recorrer à Superintendência de Fiscalização em até dez dias úteis e, caso mantida a decisão, levar o recurso ao Conselho Diretor da ANPD. A plataforma, que exige idade mínima de 13 anos para uso, registrou um aumento de 54% nas denúncias envolvendo seu nome nos primeiros sete meses do ano, segundo a ONG SaferNet Brasil. Os registros passaram de 264 para 406 no período.
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