007 First Light não decepciona tecnicamente, mas podia mais
Mesmo que impressione, o resultado não é impecável
No final de maio, foi lançado um dos principais títulos de 2027: 007 First Light. Mesmo sendo o primeiro grande produto da franquia lançado após a aquisição pela Amazon MGM, ele foi desenvolvido e publicado pela IO Interactive, responsável pela excelente série Hitman.
Enquanto a nossa crítica de 007 First Light já está disponível em nosso site, o texto a seguir busca trazer uma perspectiva um pouco mais técnica do game, abordando questões que são de interesse principalmente do PC gamer, coisas como desempenho, opções gráficas e afins.
Vamos começar tirando o elefante da sala. Todas as críticas feitas ao motor gráfico da IOI, o Glacier, são completamente exageradas. Há diversas postagens em redes sociais, como Reddit e X, afirmando que os visuais são da geração passada e que 007 First Light poderia rodar fácil em um PS4.
A busca pelo extremo fotorrealismo, principalmente após lançamentos como Death Stranding 2 e Forza Horizon 6, fez com que os jogadores não percebessem que o impacto de alguns títulos não é exatamente nos visuais, mas em tudo o que vai além. Fases como a balada em Malta, a mansão na Eslováquia e o mercado da Mauritânia apresentam uma quantidade enorme de NPCs, todos com física e rotinas próprias. Eles vão de um lado para o outro e interagem com o ambiente e entre eles, o tipo de coisa que exige um processamento gráfico inexistente anos atrás.
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Mesmo assim, é impossível dizer que o jogo não é bonito. A iluminação via Ray Tracing deixa qualquer um de queixo caído logo na abertura, e o DLSS 4.5 em modo Balanceado afetou “negativamente” apenas os detalhes de cabelo dos personagens. É a combinação perfeita de performance e qualidade gráfica.
Mesmo necessitando de uma alta capacidade de processamento, 007 First Light entrega uma otimização capaz de aproveitar o máximo da placa de vídeo de uma forma que é possível chamar de “saudável”.
A análise foi feita em um computador equipado com uma Nvidia RTX 4070 Ti Super, 32 GB de memória RAM DDR4, em resolução 1440p com todas as configurações no máximo, incluindo Ray Tracing, e DLSS no Desempenho. Para minha surpresa, em grande parte do tempo, fui capaz de jogar acima dos 50 FPS, beirando os 60. Isso, somado ao 1% low (o quadro mais lento a ser renderizado) que ficava apenas 20% abaixo, mostra o empenho que a IO teve nesse aspecto do desenvolvimento.
Ao mesmo tempo que acerta em alguns aspectos, como o suporte a monitores 21:9 (os ultrawides) e a possibilidade de criar e salvar até 5 perfis de volume, deixa a desejar em relação à quantidade de opções no menu de configurações visuais. Esse é o tipo de coisa que agrada não apenas os entusiastas, como eu, mas também os donos de placas de vídeo com menos memória VRAM que buscam a melhor qualidade possível dentro dessa limitação.
Pessoalmente, enfrentei um problema chato que até a finalização da campanha não tinha sido resolvido. Mesmo reinstalando tanto o jogo quanto o driver da Nvidia, não encontrei a opção de Frame Generation, e olha que eu fucei em tudo quanto é canto. Em vídeos de gameplay na internet, encontrei muitas pessoas conseguindo habilitar, então eu vejo como um bug bem chato que acabou impedindo que minha experiência fosse ainda mais fluida.
Infelizmente, o jogo não conseguiu cumprir a promessa de entregar no lançamento o suporte à tecnologia Path Tracing (uma evolução do Ray Tracing). O estúdio dinamarquês confirmou que em agosto ele chegará por meio de uma atualização. É definitivamente algo estranho para se colocar em um roadmap de pós-lançamento, mas antes tarde do que nunca.
A IO Interactive fez um ótimo trabalho em 007 First Light. Apesar de os requisitos assustarem um pouco, é possível rodá-lo com qualidade em computadores menos potentes. Já em máquinas mais equipadas, o resultado é incrível e grita “atual geração” aos quatro ventos. Caso trouxesse mais opções gráficas e cumprisse todas as suas promessas, eu ficaria ainda mais contente. É sempre bom reclamar buscando a excelência e não pela falta de qualidade.
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