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Créditos da imagem: Frozen 2/Disney/Divulgação

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Oscar 2020 | O que a esnobada a Frozen II significa?

Longa da Disney não foi indicado ao prêmio máximo do cinema, mostrando que hegemonia da Disney/Pixar está acabando

Camila Sousa
07.02.2020
16h19
Atualizada em
09.02.2020
15h14
Atualizada em 09.02.2020 às 15h14

O prêmio de Melhor Animação pode ser considerado recente na história do Oscar. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas criou a categoria em 2001, considerando elegíveis filmes animados com mais de 40 minutos. Desde então, Pixar e Disney dominaram o prêmio: a primeira foi indicada 13 vezes e ganhou 9, sendo a maior vencedora até agora, enquanto a segunda coleciona 11 indicações e 3 prêmios. Com isso, ao longo dos anos, se tornou comum que o filme Pixar/Disney indicado se tornasse automaticamente o favorito. Mas tal cenário está mudando nos últimos anos, chegando ao ponto do aguardado Frozen II ficar de fora dos indicados ao Oscar 2020.

Lançada sete anos após o original, a sequência da história sobre Anna e Elsa carregava uma grande expectativa que, para muitos, não foi cumprida. Enquanto o primeiro longa, que ressignificou o conceito do “beijo do amor verdadeiro” e tinha a poderosa canção “Let It Go”, se tornou uma febre entre jovens e adultos, o segundo chegou aos cinemas sem tanto alarde. Ainda que a bilheteria de Frozen II tenha alcançado a marca de US$ 1,4 bilhão e as críticas sejam positivas, a repercussão entre o público foi consideravelmente menor.

Ainda assim, a presença do longa no evento da Academia era dada como certa, já que chega a soar estranho a Disney lançar uma animação e ela não aparecer na lista do Oscar. Mas sua ausência mostra, acima de tudo, que o mercado de animações está cada vez maior, com produções de qualidade, e que nenhum estúdio está “garantido”.

A lista de indicados deste ano é composta por Como Treinar Seu Dragão 3, produção da DreamWorks Animation que encerra (muito bem) a história de Soluço e Banguela; Toy Story 4, representante da Pixar que também teve seu sucesso, mas muitos acham que não precisava existir após o belo encerramento de Toy Story 3; Link Perdido, filme do estúdio Laika que aposta na já conhecida técnica de stop-motion; Perdi Meu Corpo, animação francesa com a curiosa história sobre uma mão em busca de seu corpo; e Klaus, animação natalina da Netflix considerada a favorita até agora, especialmente após as vitórias no Annie Awards.

Tal lista prova, no mínimo, que a Academia apostou diversidade. Embora dois longas façam parte de grandes franquias, os outros três são obras inéditas com temáticas interessantes e inovações técnicas, como é o caso de Klaus. Isso espelha também o vencedor de Melhor Animação no Oscar 2019. Concorrendo com nomes como Ilha de Cachorros, Os Incríveis 2, Mirai the Future e WiFi Ralph, o grande vencedor foi Homem-Aranha no Aranhaverso, uma produção da Sony Animation que traduziu de forma inédita a linguagem visual dos quadrinhos para as telas.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas está cada vez mais atenta às novas técnicas de animação, especialmente agora que os votantes da categoria são profissionais da área. Disney e Pixar devem continuar marcando presença no Oscar nos próximos anos, mas há um caminho promissor para novas técnicas e abordagens na categoria. 

O Oscar 2020 acontece em 9 de fevereiro, com cobertura completa do Omelete no site, redes sociais e a live no YouTube, que começa às 19h.