The House That Jack Built | Violência explícita gera debandada de espectadores no Festival de Cannes

Créditos da imagem: Zentropa Entertainments/Divulgação

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The House That Jack Built | Violência explícita gera debandada de espectadores no Festival de Cannes

Ícone dos anos 1980, Matt Dillon se reinventa como ator em The House That Jack Built

Rodrigo Fonseca
15.05.2018
07h29
Atualizada em
17.05.2018
09h04
Atualizada em 17.05.2018 às 09h04

Embora não seja tão violento como prometia, a ponto de necessitar de um serviço médico a postos para atender espectadores mais sensíveis a sangue, como Lars von Trier exigiu, The House That Jack Built, o novo filme do diretor de Dogville (2003) está mais próximo do humor mórbido do que do horror, arrancando risos nervosos ao longo de seus 150 minutos. Há cenas de explícita brutalidade que causam nervoso e até repúdio, como a de um menino cortando a patinha de uma ave.

Há mais excesso de autoindulgência (pois Lars faz referências a sua própria obra todo o tempo) do que de agressividade. Porém o que mais e melhor se impõe em cena é o talento de Matt Dillon, em um exercício de reciclagem de sua própria imagem e de seu talento. Exibido na manhã de terça para a imprensa na Croisette, The House That Jack Built fez muita gente sair do cinema, 25 minutos após sua projeção começar, parte pelas ações violentas de seu protagonista - um psicopata com TOC por limpeza - parte pela impáfia de Lars ao retratar mortes sob uma perspectiva debochada. Mas quem ficou até o fim, deleitou-se com a potência narrativa do cineasta e com a atuação de Dillon. Ícone dos anos 1980, quando viveu Rusty James no cult O Selvagem da Motocicleta (1984), ele dá a Jack uma dimensão patética, frágil porém exuberante.

Reclama-se muito na Croisette de um certo viés misógino e sexista do filme, pela maneira desrespeitosa como representa as mulheres (vistas como presas na visão do assassino). Esse debate sobre sexismo só faz aumentar e aquecer o boca a boca em torno do longa-metragem.

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