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Vale a pena assistir ao novo Brinquedo Assassino?

Na onda dos remakes de terror, analisamos a nova versão da história de Chucky

A cozinha
26.08.2019
12h21
Atualizada em
26.08.2019
12h47
Atualizada em 26.08.2019 às 12h47

Depois de It - A Coisa, Halloween e Cemitério Maldito, chegou a hora de Brinquedo Assassino ganhar o seu remake. O novo filme reconta a história do original, quando um garoto é presentado pela mãe por um brinquedo nada convencional. No entanto, diferente do personagem clássico, o novo Chucky não é mais a personificação de um assassino cruel, e sim um boneco de inteligência artificial que veio com defeitos por causa de um funcionário insatisfeito que resolveu se vingar da empresa que fabrica esses bonecos Buddi.

No entanto, o projeto também foi envolvido em algumas polêmicas, especialmente pelo não envolvimento de Don Mancini, criador de Chucky. Após a MGM, que tem os direitos do primeiro filme, anunciar o remake, Macini se recusou a participar, dizendo que a franquia ainda estava viva e não precisava de uma nova versão. O estúdio ofereceu ao criador o título de produtor, mas o cargo seria apenas figurativo e ele recusou. Outra recusa importante foi de Brad Douriff, que fez a voz original de Chucky desde a primeira produção, mas não quis estar no remake. Para resolver toda essa questão e dar mais confiança ao público, a MGM trouxe ninguém menos do que Mark Hamill para ser a nova voz do Brinquedo Assassino.

Com tudo isso, o novo filme foi realmente uma aposta. O diretor Lars Klevberg tinha apenas um projeto em sua carreira e o roteirista Tyler Burton Smith é um estreante em Hollywood. Na verdade, o que deu o tom do filme foram os produtores Seth Grahame Smith e o David Katzenberg, que fizeram It: A Coisa e deixam claro tal influência na nova produção. O elenco também tem nomes de peso, como Aubrey Plaza (Legion) e Brian Tyree Henry (Atlanta), mas o filme aposta menos no talento de tais atores e mais no brilho do próprio Chucky. Infelizmente isso não funciona, já que o brinquedo é uma inteligência artificial e não tem profundidade. 

O desenvolvimento do personagem é mostrado com ele aprendendo a violência na TV, e com sua vontade de usar isso para defender o garoto Andy. Mas esse artifício de roteiro só funciona até a metade da produção. Depois disso, Brinquedo Assassino abre mão de ter algum sentido e coloca seu protagonista em uma aventura sanguinária, que entrega grandes mortes, mas não faz sentido narrativo. Dessa forma, o longa se perde entre algo juvenil e sangrento demais, o que deixa a produção com ares indecisos. Entre ser um pouco engraçado e um pouco violento, o filme não se aprofunda realmente em nenhum dos lados. Outro erro é apostar sua fonte de medo em algum já batido: a tecnologia. Sim, há muitas coisas assustadoras atualmente, mas nada disso se compara com a alma de um assassino como Chucky. Parece que o próprio longa não acredita que um brinquedo possa ser totalmente assustador em 2019 e por isso falta veracidade na história que é contada. 

No fim das contas, vale a pena conferir o novo Brinquedo Assassino pelas novidades que ele traz para a franquia. Diferente do original, a produção não é um slasher com um suspense quase psicológico, e sim um horror/comédia que apresenta Chucky para uma nova geração, que pode se interessar para descobrir outros filmes do personagem. Mesmo não escolhendo um lado entre terror e comédia, o novo longa pode ser um passatempo divertido para quem gosta dos dois.