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Um Hotel Bom pra Cachorro

Filme faz campanha pela adoção de cães e de gente, não necessariamente nessa ordem

Marcelo Hessel
19.02.2009
17h00
Atualizada em
03.11.2016
10h05
Atualizada em 03.11.2016 às 10h05

Enquanto clássicos modernos da literatura como Cachorro Também é Gente, Procurava um Marido e Encontrei um Cachorro e Falta um Cão na Vida de Kant não viram filme, os filhotes de Marley & Eu vão procriando. Um Hotel Bom pra Cachorro (Hotel for Dogs, 2009) também parte da popular premissa de que são os bichos de estimação que nos tornam pessoas melhores.

Andi (Emma Roberts) e Bruce (Jake T. Austin) são dois irmãos órfãos que têm problema em encontrar tutores que aceitem acolher os dois numa mesma casa. Como eles não querem se separar, escondem do casal Carl (Kevin Dillon) e Lois (Lisa Kudrow) que têm um vira-lata. Com a ajuda de amigos de uma loja de animais (e com o patrocínio de uma marca de ração, estampada ao longo do filme), Andi e Bruce descobrem num hotel abandonado um esconderijo perfeito - e ali começam a acolher todo tipo de animal de rua antes que o canil os transforme em sabão.

hotel bom pra cachorro

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(O filme não menciona que os animais sacrificados viram sabão, não se preocupe.)

Um Hotel Bom pra Cachorro é a favor da campanha de adoção de animais: ao invés de comprar um filhote recém-nascido, por que não dar uma chance a cães abandonados por seus ex-donos? O roteiro escrito a partir do livro de Lois Duncan formata essa mensagem com um argumento pouco sutil: se Andi e Bruce também são órfãos à procura de um lar, e nos apiedamos do seu drama, o mesmo acontece todo dia, em todo lugar, com animais abandonados. Andi até deixa isso claro, quando o seu interesse romântico diz que os compradores só querem saber de filhotes: "Eu sei bem o que é isso", diz ela.

O trabalho do diretor estreante Thor Freudenthal joga tudo em cima dessa campanha benevolente (confundir animal com gente é uma característica dos nossos tempos, de qualquer forma) e o filme se constrói ao redor dela do jeito que dá. Seu arsenal de recursos visuais é limitadíssimo (para a Nickelodeon Films deve ser ultra-jovem e moderno enquadrar tudo com zoom-out ligeiro) e o roteiro não se furta a mastigar todo clichê de enlatado teen (com a garota se vestindo linda para o baile e depois levando um banho de bebida, etc.).

O que Um Hotel Bom pra Cachorro tem de melhor, não por acaso, são os cães. Eles não participam das subtramas-chavão e não soltam diálogos escitos por adultos desconectados da realidade jovem como "essas gatas são maneiras". No saldo geral, temos uma lição de moral martelante, uma variedade de bichos simpáticos, as situações de sempre e pelo menos uma falha grave: precisava mesmo ensinar a molecada a forjar embalagens de produtos falsos?