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Turma da Mônica - Uma Aventura no Tempo

O retorno triunfal da turminha ao cinema

Fábio Yabu
15.02.2007
01h00
Atualizada em
04.11.2016
10h07
Atualizada em 04.11.2016 às 10h07
" Animação no Brasil é muito difícil

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", é o discurso recorrente do setor. Apesar de ter seu fundo de verdade, o mantra tem sido superado aos poucos. No último mês, em São Paulo, foi realizado um evento com 34 produtoras do Canadá (um dos maiores pólos de animação do mundo), que vieram se reunir com empresas brasileiras para garimpar idéias de novos programas. Com muita dedicação e às vezes uma ajuda em dólares, a produção nacional tem crescido a olhos vistos e chamado a atenção do mundo inteiro.

Uma aventura no tempo (2007), estrelada pela Turma da Mônica é mais uma prova do amadurecimento do setor. A nova produção supera o calcanhar de aquiles das animações recentes da turma, o roteiro, e alia uma história esperta a uma excelente animação. O resultado é um filme que não deve nada aos clássicos dos anos 80, período áureo da Mauricio de Sousa Produções, como A Princesa e o Robô (1983) e A estrelinha mágica (1988).

Como não podia deixar de ser, a história começa com Cebolinha (Angélica Santos) contando seu novo plano infalível para o Cascão (Paulo Cavalcante). Após deixar a Mônica (Marli Bortoletto) furiosa, eles acabam causando um acidente no laboratório do Franjinha (Sibele Toledo), que estava trabalhando numa máquina do tempo. O acidente coloca o mundo em risco e, para salvá-lo, cada personagem deve viajar a um lugar e período da história em busca dos quatro elementos. Mônica vai até a pré-história em busca do Fogo, Cebolinha para o futuro em busca do Ar, Magali (Elza Gonçalves) visita os tempos em que era um bebê atrás da Terra e Cascão, logo ele, precisa buscar a Água no tempo dos Bandeirantes.

É aí que a verdadeira diversão começa. Qualquer fã dos gibis da Mônica já sonhou com um encontro da turma com personagens do segundo escalão da Mauricio de Sousa Produções como Horácio, Piteco, Astronauta e Papa-Capim. A máquina do tempo torna esses improváveis encontros uma realidade, e nos presenteia com cenas hilárias como os diálogos entre o Cebolinha e o Astronauta. Também dão o ar da graça o Chico Bento, Rolo e os novatos, Luca e Dorinha.

Para apresentar tantas situações e personagens, a trama exige um pouco mais das crianças menores, mas em compensação deve satisfazer e muito as mais velhas. A caracterização dos personagens é um dos pontos fortes. Cebolinha é de longe o melhor do filme. O "careca" (como é chamado pelo Cascão) está mais perverso do que nunca, com segundas intenções em praticamente todas as suas falas. Já o pavor de água do Cascão não só rende boas risadas mas também o torna o personagem mais humano e realista da turma. Ele sente medo o tempo todo, tenta fugir da raia várias vezes e sempre se deixa levar pela influência do seu amigo que fala "elado".

O filme tem lá seus defeitos, mas nada que deva incomodar os fãs da turma. Alguns cenários são tão coloridos e detalhados que acabam chamando mais atenção do que deveriam, ofuscando os astros principais. A história também tem alguns problemas de ritmo, já que a Mônica acaba aparecendo muito mais que todos os outros personagens. Não que nós esperássemos algo diferente da "dona da lua" nesse retorno triunfal aos cinemas.