Tudo Pode Ser Visto | Diretores dizem que não sabem se Elizabeth Holmes tinha consciência do próprio comportamento
Lance Oppenheim afirmou que as atitudes da fundadora da Theranos pareciam oscilar entre a inconsciência e a plena consciência
Créditos da imagem: Tudo Pode Ser Visto/Divulgação
Os diretores de Tudo Pode Ser Visto, Nathan Fielder e Lance Oppenheim, ainda não chegaram a uma conclusão sobre o quanto Elizabeth Holmes tinha consciência do próprio comportamento durante as filmagens do documentário. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, Oppenheim afirmou que, ao acompanhar a empresária de perto, percebeu padrões de comportamento, mas não conseguiu determinar se suas atitudes eram espontâneas ou intencionais.
“Há momentos em que assisto a este filme e sinto que o comportamento é totalmente inconsciente e que ela não tem consciência disso. E há momentos em que penso: ‘Não, ela tem plena consciência disso’”, explicou Oppenheim. Para ele, é difícil interpretar Holmes a partir de uma divisão tão simples entre consciência e inconsciência. “Fica em algum lugar no meio, em algum lugar profundo, perdido no vazio ou algo assim”, acrescentou.
Fielder, por sua vez, comentou como a proximidade com Holmes e o marido, Billy Evans, influenciou a maneira como a equipe enxergava os acontecimentos. Segundo ele, estar dentro da rotina do casal criava uma percepção diferente daquela construída por quem acompanhava o caso de fora. Agora, com o documentário lançado e as reações do público circulando, o cineasta diz estar tendo contato com novas interpretações.
“Quando você está na bolha deles, sua mentalidade é diferente de quando você sai dela e entra no mundo de todos os outros”, explicou. Fielder também observou que as opiniões dos espectadores não dependem apenas do que aparece na tela, mas das experiências e perspectivas individuais de cada pessoa. Por isso, considera difícil separar essas interpretações daquilo que os realizadores observaram durante as gravações.
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Dirigido por Nathan Fielder (O Ensaio) e Lance Oppenheim (Primetime), o filme da A24 acompanha Elizabeth Holmes nos 34 dias anteriores ao início de sua prisão. Ela ficou conhecida mundialmente após fundar a Theranos, empresa de biotecnologia que prometia revolucionar os exames de sangue com uma tecnologia capaz de realizar diversos testes usando apenas uma pequena amostra.
A empresa, porém, foi acusada de enganar investidores ao apresentar como funcional uma tecnologia que não entregava os resultados prometidos. Em 2022, Holmes foi condenada por quatro crimes de fraude contra investidores e sentenciada a 11 anos e três meses de prisão.
Fielder, conhecido por suas pegadinhas e jogadas que te deixam na dúvida sobre o que é verdade e não é, é quem entrevista Holmes, que ganhou fama por, claro, enganar as pessoas.
O filme chega aos cinemas brasileiros em 26 de novembro, com distribuição da Sony Pictures.
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