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Thor: Ragnarok | Como Cate Blanchett criou uma vilã destruidora (mesmo) para o filme da Marvel

Conversamos com a atriz no set do longa na Austrália

Natália Bridi
25.10.2017
17h28
Atualizada em
25.10.2017
18h05
Atualizada em 25.10.2017 às 18h05

No alto dos seus imperceptíveis 48 anos, dois Oscars recebidos (em sete indicações), Cate Blanchett é hoje uma das melhores e mais versáteis atrizes em Hollywood. Sem preconceitos, ela assume papéis em grandes produções, como O Senhor dos Anéis e Cinderela, filmes independentes, como Carol e Blue Jasmine (o primeiro rendeu uma indicação, o outro uma estatueta) e desafia gêneros e formas, seja interpretando Bob Dylan em Não Estou Lá ou 13 personagens diferentes na exposição/filme Manifesto. Na pele da vilã Hela de Thor: Ragnarok, Blanchett entrega mais uma performance marcante, encarnando a primeira vilã do Universo Cinematográfico da Marvel.

O Omelete conversou com a atriz durante a visita ao set do filme em Gold Coast, na Austrália, e pode ver de perto como o clima leve da produção influenciou a criação da Deusa da Morte que Blanchett levou para os cinemas. “Acho que esse é o set mais alegre que já estive, sabe?”, explicava para os jornalistas, “o set mais dinâmico e brincalhão”. Na tela, transparece a sintonia com o conceito criado pelo diretor Taika Waititi, que levou seu senso de humor de piadas longas e autodepreciativas para o MCU. Assim, Hela não é apenas a primeira vilã, ou a antagonista mais cruel desde a estreia do universo desse cinematográfico, ela também é a mais engraçada. Blanchett se diverte em cada cena, dando às suas falas precisos toques de ironia.

Acho que encontro um pouco de humor até interpretando Hedda Gabler [a personagem trágica da peça de Henrik Ibsen]. Muitas vezes, quando você está interpretando uma situação trágica, a forma de chegar ao trágico é encontrar a leveza naquilo, do contrário se torna um peso. E o mesmo vale para a comédia. Você precisa encontrar a verdade e a melancolia naquilo. É sempre uma questão de equilíbrio”, explica a atriz. “Hela é a Deusa da Morte e ela é capaz de matar em uma escala monumental, mas o que torna Hela interessante é o seu passado, ou a sua história de origem. Há uma história de insatisfação profunda com Asgard, então ela está retornando para um lugar onde tem questões não resolvidas e acho que a complexidade desse passado torna a relação com outros personagens muito divertida”.

Blanchett participou ativamente do processo de criação da personagem, mas sua inspiração foi além das HQs. “Eu mendigarei, pedirei emprestado e roubarei de qualquer coisa”, brinca. “Fui para a base de fãs para ver a percepção das pessoas sobre ela. Encontrei esses tutoriais de maquiagem feitos por garotas no YouTube e elas estavam fazendo Hela com parte do rosto necrosado, como um zumbi, e o outro incrivelmente belo. Então joguei isso na panela também e os meninos e meninas do departamento de efeitos visuais ficaram bem empolgados. E isso não veio dos quadrinhos, veio dos fãs. Você nunca sabe, não importa que personagem esteja interpretando, você nunca sabe o que vai atiçar a sua imaginação, pode ser uma música, pode ser um visual, algo que alguém disse para você, pode ser uma fala do roteiro, então acaba sendo um pouco de tudo na construção do personagem”.

Geralmente as pessoas falam de efeitos visuais e do departamento de efeitos especiais como algo separado do processo de atuação, algo como é com atores e dublês. E o que foi incrível para mim nesse processo trabalhando com Zoë Bell, que é a melhor dublê de todos os tempos e também uma atriz extraordinária [parceira de Quentin Tarantino em À Prova de Morte e outros], e trabalhando com Jake Morrison e o time de efeitos especiais é que tive a sensação que todos estávamos colaborando para construir essa personagem”, continua a atriz sobre a criação de Hela. A parte física foi a sua favorita: “Amei para c*ralho. Amei. Amei. Amo Zoë. Tenho tanto respeito e admiração pelo que ela faz. Estou admirada. E o que tem sido fantástico sobre isso é que muitas vezes eu desligo em cenas de ação pois acho que é como um video game. Mas existe toda essa inteligência e psicologia por trás da ação. Foi ótimo tentar e encontrar oportunidade na ação para fazer mais do que apenas socar alguém. Quando você beija alguém, existe um milhão de maneiras de fazer isso. Existe um milhão de maneiras de socar alguém, como estou descobrindo”.

Thor: Ragnarok, que chega aos cinemas em 26 de outubro, é um dos filmes mais interessantes do MCU e Hela é uma das grandes responsáveis por isso. Uma personagem deliciosamente má: “Ter Taika na direção abriu muitas portas para mim, para Chris [Hemsworth], Tom [Hiddleston] e Mark Ruffalo. Cheguei no set e eles já tinham começado a filmar e pedi para ver algumas cenas, o que é sempre útil para avaliar qual é o tom. Obviamente conheço o trabalho de Taika e fiquei empolgada por ser algo realmente brincalhão e irreverente. E acho que é isso, é aquela piscadela nos olhos do personagem que a Marvel capta nos filmes e, espero, Hela tenha essa mesma piscadela. É isso que torna divertido interpretá-la”.