The Post: A Guerra Secreta | "É desafiador", diz dubladora brasileira de Meryl Streep
Mariangela Cantú fala sobre trabalho no filme que chega aos cinemas esta semana
Com a entrada de The Post: A Guerra Secreta para o páreo dos concorrentes ao Oscar, disputando a categoria Melhor Atriz, Meryl Streep passa a contabilizar 21 indicações à estatueta dourada da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood – o que só aumenta a responsabilidade da carioca Mariangela Cantú ao dublá-la.
Com 25 anos de dublagem no currículo, tendo emprestado a voz a Cate Blanchett, Sigourney Weaver, Nichelle Nichols (a Uhura de Star Trek) e à figura animada de Carmen Sandiego, Mariângela encara agora a tarefa de fazer a versão brasileira de Streep, no papel de Kay Graham, a dona do Washinton Post. Na trama, ela precisa decidir se banca ou não a decisão de seu editor-chefe (Tom Hanks) de publicar uma reportagem capaz de deflagrar um escândalo de corrupção na Casa Branca, nos anos 1970.
Mãe dos também dubladores Gabriela (a Jane de The O.C.) e Sergio Cantú, (voz do Sheldon, de The Big Bang Theory), Mariângela fala sobre o desafio de transpor para o português o jeitinho de atuar da mais respeitada estrela hollywoodiana dos últimos 40 anos.
Omelete: O que a voz de Meryl tem como principal diferencial?
Mariangela Cantú: Por ser uma atriz tão completa, ela é uma camaleoa, que dá várias nuanças a cada frase que diz. Isso torna o trabalho do dublador um pouco difícil, mas amplamente desafiador. Ator é aquela pessoa que faz 300 papéis diferentes, mas você não consegue buscar referência de um em outro papel. Ela se despe dela mesma para fazer vários papéis, para encarnar o papel pedido no momento.
Omelete: Quantas vezes você dublou Meryl?
Mariangela Cantú: É a segunda vez que dublo Meryl. Várias colegas dublaram ela. Sumara Louise, Carla Pompillo, Ângela Bonatti, Geisa Vidal. Estou tendo a honra de dublá-la de novo. Fiz teste e passei. Antes, eu fiz a voz dela em Ricki and the Flesh: De Volta Para Casa (2015), na qual fazia uma roqueira drogada, fragilizada. Agora a camaleoa ressurge com uma roupagem diferente.
Omelete: Qual é o peso de se dublar a atriz com maior número de indicações ao Oscar na História?
Mariangela Cantú: A primeira vez em que eu vi a Meryl Streep foi em A Escolha de Sofia e eu fiquei dias pensando nesse filme, pelo qual ela ganhou o Oscar. Foi um divisor de águas pra mim: como alguém consegue passar tanta verdade, como uma atriz consegue me deixar dias pensando no que fez? A partir daquele momento, eu pensei: que mulher é essa? Esse é o peso. Ela faz comédia bem, drama bem... ela se fragiliza e se empodera. Faz o que tiver que fazer.
Omelete: O que te chama mais atenção no papel de Meryl em The Post?
Mariangela Cantú: A Kay é obrigada a assumir o jornal de seu finando marido, e começa muito frágil, mas vai, aos poucos se empoderando, tirando forças sabe-se lá de onde. Ali ela mostra ser capaz de coisas que vocês precisarão ver o filme para conferir. Acredito que seja uma personagem marcante para ela, como tantos outros que fez.
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