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The Devils | Remasterização é ressurreição de um clássico (e tem lançamento confirmado no Brasil)

Em primeira exibição no país, foi confirmado que a Vitrine Filmes adquiriu direitos de distribuição do filme no Brasil

Omelete
3 min de leitura
05.11.2026, às 08H16.

Era um sábado à noite e o Cinema São Luiz de Recife estava lotado para a penúltima noite da XVII Janela Internacional de Cinema da cidade. Era hora da aguardadíssima exibição de Tudo Pode Ser Visto, documentário de Nathan Fielder e Lance Oppenheim sobre Elizabeth Holmes, e o diretor Kleber Mendonça Filho jogou a pergunta: quem ali faria a dobradinha com o doc de três horas e a remasterização de The Devils, de Ken Russell, que seria exibido logo depois.

Boa parte do cinema, levantou a mão, incluindo eu. E, de fato, mais ou menos uma hora após o fim da exibição de Tudo Pode Ser Visto, quando a noite já se transformava em madrugada, ali estavam os remanescentes fiéis, que você pode ver na foto abaixo, tirada por Kleber quando ele apresentou o filme e trouxe uma grande notícia: a Vitrine Filmes adquiriu os direitos de distribuição do título no Brasil e o colocará, com sorte em breve, nas telonas do país.

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A remasterização de The Devils foi o ingresso mais difícil de adquirir em Cannes 2026 (foi literalmente o único que não consegui durante minha cobertura do festival) e chega retorna através da Warner Bros. Clockwork, novo estúdio do grupo agora conhecido como Skydance que focará em cinema de prestígio, o que, claro, é uma contradição curiosa. O tempo fez do filme de Ken Russell algo a se prestigiar. Não foi sempre assim.

Lançado em 1971, The Devils trata de conspirações movidas a paixão, erotismo e ganância dentro da igreja católica. Lotado de nudez e com cenas de violência de todo o tipo, ele passou por diversas censuras e até pouco tempo atrás era praticamente impossível assistir à visão original do diretor. Torrents e downloads ofereciam apenas cópias de baixa resolução, lançamentos oficiais eram inexistentes. Mas, agora, The Devils voltou.

Assistir à remasterização na telona é impactante, claro, pelo conteúdo do filme, mas primeiramente por sua forma. O que Russell e seus colaboradores conquistaram do ponto de vista da imagem é de arrepiar. Os sets construídos são enormes, imponentes e sugerem a existência de um lugar entre o mundo físico e o espiritual, e talvez mais próximo do inferno do que do céu. Os figurinos estampam a autoridade religiosa, mas com um quê de seita, como se aquilo ali fosse uma perversão da realidade.

É uma forte impressão, que também se estende às atuações principais. Vanessa Redgrave é febril como a irmã Jeanne des Agnes, consumida pelo desejo sexual ao ponto da alucinação. Oliver Reed é simultaneamente carismático e detestável como o Padre Grandier, uma figura de bravado e egocentrismo inimagináveis.

O que fica muito claro, também, é quão engraçado esse filme é. Sua reputação o transformou numa espécie de objeto proibido, e eventualmente The Devils te acerta em cheio. Há, porém, muito humor. Daquele tipo ácido, sarcástico, irônico. É uma veia cômica indispensável, primeiro para mitigar os temas mais pesados que Russell trabalha, e segundo para desarmar a audiência, que logo se vê despreparada para os absurdos a caminho.

Por mais que seja um filme de 1971, The Devils remasterizado chega com gostinho de novidade. E, não à toa, está sendo tratado como tal. Após boa bilheteria nos EUA, ele já está sendo lançado em outros países, e felizmente tem estreia garantida nos cinemas do Brasil. Quando ele chegar no nosso circuito comercial, suspeito que o frenesi será grande – e merecido.

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