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Terra e Luz | Terror goiano de baixo orçamento é surpresa do Festival de Tiradentes

Edição 2017 encerra neste sábado, com a entrega de prêmios de júri popular e do júri oficial

Rodrigo Fonseca
28.01.2017, às 11H10
ATUALIZADA EM 28.01.2017, ÀS 12H05
ATUALIZADA EM 28.01.2017, ÀS 12H05

Vampiros espreitam Tiradentes, em Minas Gerais: à meia-noite da última sexta, a cidade que serve de sede ao primeiro dos festivais anuais do cinema brasileiro teve suas telas invadidas por criaturas encapuzadas famintas de sangue, vindas dos confins de Goiás.

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Vem de lá o thriller de horror Terra e Luz, uma das maiores surpresas da programação do evento em 2017. Rodada com apenas R$ 6 mil, desembolsadas por seu realizador, o estreante Reneé França, sem o apoio de incentivos fiscais, a produção acompanha a luta de um dos poucos seres humanos sobreviventes de uma praga vampírica que faz da noite goiana um espaço de caça. O portagonista, vivido por Pedro Otto, apela para um facão para se manter de pé frente a seus predadores de manto negro.

Chamaria esse personagem de Sobrevivente: um pragmático que faz (ou fazia) qualquer coisa pra sobreviver, seja fugir, esconder ou atacar”, diz França, cineasta mineiro de 35 anos, radicado em Goiás desde 2014. “As criaturas sobrenaturais do filme são vampiros pela metáfora da ideia de sugar. A metáfora política do filme é como sobreviver à vampirização da terra, do ser humano, da natureza”.

Na trama, o encontro com uma criança desamparada (Maya dos Anjos) dá ao protagonista uma chance de redenção. “Ela dá a ele a possibilidade de resistir e de aprender a pensar no outro. É uma metáfora para a discussão do indivisualismo”, diz França, que é professor de Teoria e História de Cinema. 

Segundo o cineasta, Goiás vive hoje um momento de ebulição cinematográfica. “O cenário goiano está em um momento de ebulição. Ano passado, Taego Ãwa estava na mostra Aurora de Tiradentes. Este ano, As Duas Irenes estará no Festival de Berlim. São filmes goianos que estão ganhando visibilidade no cenário nacional e internacional. E todos têm alguma ligação com o recém-implantado curso de Cinema e Audiovisual de onde Terra e Luz saiu, com o a ajuda de professores e alunos”.

Tiradentes encerra a edição 2017 de seu festival anual neste sábado, com a entrega de prêmios de júri popular e do júri oficial da seção Aurora, a menina dos olhos do evento, na qual concorrem sete longas: Baronesa, de Juliana Antunes (MG); Corpo Delito, de Pedro Rocha (CE), Eu Não Sou Daqui, de Luiz Felipe Fernandes  Alexandre Baxter (MG); Histórias Que Nosso Cinema (Não) Contava, de Fernanda Pessoa (SP); Sem Raiz, de Renan Rovida (SP); Subybaya, deLeo Pyrata (MG); e Um Filme de Cinema, de Thiago B. Mendonça (SP). Como sua atração de encerramento, a Mostra reservou A Cidade Onde Envelheço. Exibido na Europa em 2016, em mostras competitivas em Roterdã e em San Sebastián, esta produção luso-brasileira dirigida por Marília Rocha, contemplada com o prêmio de melhor filme no último Festival de Brasília, narra o reencontro de duas amigas portuguesas em Belo Horizonte, onde as divergências de comportamento entre as duas vai ameaçar aquela relação.

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