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Superman - O Filme (1978)

Superman - O Filme (1978)

Marcus Vinícius de Medeiros
27.06.2006
00h00
Atualizada em
04.11.2016
06h12
Atualizada em 04.11.2016 às 06h12

Tendo estreado nos cinemas em 1978, Superman - O Filme é considerado, ainda hoje, a versão definitiva do personagem pela maioria dos fãs e pelo grande público de modo geral. Após versões diversas no rádio, na televisão e no próprio cinema, foi a película estrelada por Christopher Reeve que abalou o mundo com mais força, tornando-se um marco na história do cinema e o padrão para adaptações de quadrinhos de super-heróis. O cartaz promocional apresentava a frase emblemática "Você vai acreditar que o homem pode voar". Quase três décadas depois, não há dúvidas de que o objetivo foi alcançado.

Tudo começou quando os produtores Alexander e Ilya Salkind solicitaram à DC Comics os direitos do Super-Homem para realizar um ambicioso filme com o herói. A Warner Bros., dona da editora e do personagem, aceitou a proposta com a condição de que os Salkind ficassem responsáveis pelo roteiro, escalação de elenco e diretor, além do financiamento. Para garantir credibilidade ao filme, começaram a procurar nomes de importância em Holywood. Mario Puzo (O Poderoso Chefão) foi contratado para escrever o roteiro de dois filmes com o herói, que seriam rodados simultaneamente. Dois atores consagrados assumiram papéis de destaque: Marlon Brando, uma lenda do cinema, viveria Jor-El, pai biológico do Super-Homem; e Gene Hackman como seu arquiinimigo, Lex Luthor. Já era o suficiente para atrair investimentos internacionais.

Como diretor, foi escolhido o inglês Guy Hamilton, da série 007. Robert Benton, David e Leslie Newman trabalharam em cima do roteiro de Puzo, enxugando os excessos. Um feliz contratempo tornou inviável a participação de Hamilton, e abriu caminho para o diretor Richard Donner, do filme A Profecia (The Omen, 1976), assumir o projeto e mudar seu rumo criativo. A visão corrente era descrita como uma paródia, algo como o seriado do Batman estrelado por Adam West. Para Donner, contudo, o filme só funcionaria numa atmosfera realista, que proporcionasse credibilidade aos elementos fantásticos. Em seu escritório, havia uma placa com o Super-Homem e a palavra "verossimilhança", que se tornou um mantra para todos os envolvidos.

Atores como Robert Redford e Paul Newman foram cogitados para o papel principal, mas Donner estava convicto de que o Super-Homem deveria ser interpretado por um desconhecido. Quando Christopher Reeve foi convidado a fazer o teste, não se mostrou muito interessado no papel. Porém, após ler o roteiro, que desta vez havia sido retocado por Tom Mankiewicks, identificou-se de imediato com o que considerou um exemplo genuíno de mitologia estadunidense. Reeve estava perfeito para o papel de Clark Kent, mas precisava ganhar massa muscular para convencer como Super-Homem. Logo, iniciou um intenso preparo, no qual foi conduzido pelo campeão mundial de halterofilismo David Prowse (que viveu o vilão Darth Vader na trilogia clássica de Star Wars). Seu desempenho foi admirável tanto vivendo Clark Kent quanto como Super-Homem, e o ator imortalizou o papel no imaginário coletivo do público. Inúmeras atrizes fizeram o teste para o papel de Lois Lane, eterno amor do super-herói, entre as quais devem ser mencionadas Lesley Ann Warren, Suzy Blakely e Debra Raffin. Foi Margott Kidder, porém, que conquistou diretor e produtores com seu estilo explosivo.

Com John Williams escalado para compor a trilha sonora, John Barry para os efeitos especiais e o vencedor do Oscar Geofrey Unsworth para a fotografia, a equipe estava formada. Enfrentando atrasos consideráveis nas filmagens, Superman estreou em 15 de dezembro de 1978, recebendo críticas positivas e levando multidões às salas de exibição.

A trama do filme seguiu a origem conhecida das histórias em quadrinhos, com desdobramentos inteligentes. Contribuiu para a isso o fato de Elliot S! Maggin, o roteirista do herói de maior importância desde o início dos anos 1970, ter atuado como consultor criativo, dando verdadeiras aulas sobre o significado mítico do Super-Homem. Desde as primeiras cenas envolvendo o planeta Krypton, os realizadores do filme investiram assumidamente numa abordagem bíblica, com os atores trajando roupas de materiais com reflexos e minúsculas bolas de vidro, falando com elegância e adotando uma metáfora cristã nas falas de Brando. Pela capacidade dos homens para o bem, Jor-El enviara para a Terra seu único filho, a luz que indicaria o caminho para que se tornassem um grande povo.

Com a explosão de Krypton, o pequeno Kal-El chega à Terra e é encontrado por Jonathan e Martha Kent, em Smallville. Numa cena clássica, o bebê levanta o veículo do casal, revelando sua força sobre-humana. A narrativa avança alguns anos para chegar à adolescência do futuro herói. O jovem Clark, interpretado por Jeff East, nutre sentimentos pela bela Lana Lang, mas é hostilizado por seus colegas. O papel dos Kents é ressaltado, com Jonathan afirmando que o filho estava na Terra por algum motivo especial - que definitivamente não seria se exibir. A morte do pai adotivo marca o amadurecimento de Clark, que reconhece suas limitações e parte em busca de seu destino. A partir de um cristal que o acompanhara em sua nave, forma-se no Ártico a Fortaleza da Solidão, onde o espírito de Jor-El revela sua missão de inspirar a humanidade através de seus atos. Após anos aprendendo os segredos do universo, ele ressurge já trajando a capa vermelha e o uniforme azul com um "S" estilizado no peito.

Bem-vindo à Cidade do Futuro

Para a cidade de Smallville, havia sido adotado um visual inspirado no pintor realista Norman Rockwell, consagrado por retratar os costumes da América. Quando o filme muda o foco para Metrópolis, usa-se muito de Nova York como modelo. A grande virada está na chegada de Clark Kent ao Planeta Diário, o maior jornal do mundo, e seu encontro com o editor-chefe Perry White, o fotógrafo Jimmy Olsen e, sobretudo, Lois Lane.

Na visão de Donner, o foco do filme deveria estar no romance entre os dois personagens, e a dicotomia entre Super-Homem e seu alter ego Clark Kent seria fundamental. A forma como Christopher Reeve realizou a tarefa foi uma proeza única. No lado heróico, Reeve decidiu não exagerar, permitindo que a fantasia agisse por si própria. Os tempos haviam mudado desde a interpretação de George Reeves na série televisiva, portanto acreditava que um Super-Homem mais humilde seria ideal. Para Clark Kent, inspirou-se no ator Cary Grant, compondo um tipo desajeitado e inseguro. A química funcionou perfeitamente, conforme o modelo dos quadrinhos. Lois ficava deslumbrada na presença do Super-Homem, e não se impressionava com Clark. A cena em que o Super-Homem voa com Lois Lane e ouvimos seus pensamentos é de uma beleza incomparável e encanta qualquer um.

O Lex Luthor de Gene Hackman é um gênio criminoso vivendo no subsolo da cidade, com planos de destruir a Califórnia para enriquecer com suas terras recém-adquiridas. Trata-se de uma abordagem simples para o vilão, que não aparece como a figura psicótica de motivações dúbias a que estamos acostumados. Ainda assim, Hackman interpreta o personagem com irreverência e sofisticação.

A conclusão da história, na qual o Super-Homem reverte o curso da história, é um ponto controverso. No entanto, foi neste momento também que enxergamos toda a sua humanidade e sentimos a força de um amor capaz de superar qualquer desafio.

Por conta de desentendimentos e questões burocráticas, Richard Donner foi afastado da direção do segundo filme da série, que ficou a cargo de Richard Lester. Como muito já havia sido filmado, Superman II manteve a força do original, mas os fãs ainda aguardam a versão de Donner, prometida para breve. Este ponto, porém, marcou o início da queda na qualidade da franquia cinematográfica do Super-Homem, com seqüências cada vez piores.

Não é para menos que Bryan Singer decidiu seguir especialmente o filme original como base de Superman - O Retorno. A música-tema de John Willians é reconhecida universalmente. Christopher Reeve provou ser um herói também em sua vida pessoal. O filme ainda nos faz acreditar que o homem pode voar, além de lutar pelo bem de todos os seus semelhantes. O maior herói de todos os tempos, um salvador, um exemplo a ser seguido e a realização de nossas fantasias; além de tudo isso, o Super-Homem se revelou, mais do que nunca, o que diz em resposta a Lois, quando se conhecem: um amigo.

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