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O que esperar do live-action de Super Choque?

Projeto foi anunciado no DC FanDome durante o painel da Milestone

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24.08.2020
19h05
Atualizada em
27.08.2020
16h44
Atualizada em 27.08.2020 às 16h44

O DC FanDome aconteceu no último sábado (22) e trouxe muitas novidades no painel da Milestone, selo de super-heróis negros da DC. Além da volta da iniciativa, o cineasta Reginald Hudlin, que fez Marshall: Igualdade e Justiça, e o desenhista e cocriador de Super Choque, Denys Cowan, anunciaram que houve "conversas sérias" sobre levar o herói adolescente com poderes elétricos para a tela grande. Com isso muitos fãs ficaram animados e ansiosos para ver o personagem ganhando um filme live-action, mas o que essa produção pode mostrar?

Super Choque foi criado pela Milestone Media e DC Comics nos anos 1990 e estrelou uma série animada na Warner Bros. no início dos anos 2000. A produção teve quatro temporadas, em um total de 52 episódios, e ficou muito famosa no Brasil por passar no SBT no programa Bom Dia e Cia, chegando também a ser transmitida na Cartoon Network Brasil. A série recebeu várias indicações ao prêmio Daytime Emmy e ainda é altamente considerada pelos fãs por ser uma das poucas séries de super-heróis estrelada por um personagem negro.

Sabemos que os super-heróis e os super-vilões são um dos grandes destaques do desenho, mas Super Choque era basicamente todo estabelecido em quebrar alguns estereótipos com protagonistas negros e com muita diversidade no elenco da animação. Isso é uma coisa que podemos ter certeza que teremos no live-action. Aliás, a própria Milestone foi fundada e criada em 1993 com esse propósito de diversificar e dar mais espaço para personagens diversos.

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Prova disso é que, nos quadrinhos, o melhor amigo de Virgil, Richie (também conhecido pelo nome de super-herói Gear), é gay e, embora isso não tenha sido declarado abertamente no desenho infantil, foi sugerido em alguns episódios. O criador da série e lenda dos quadrinhos e da animação Dwayne McDuffie disse que Richie era gay na série e tentou colocar o máximo de falas que poderiam sugerir a sexualidade do personagem. Seria interessante ter isso também no live-action, já que nos quadrinhos originais esse tema foi muito bem trabalhado.

Os quadrinhos e a animação também falavam sobre criminalidade, discutindo temas como brigas de gangue e violência, até assuntos mais delicados, como bullying, adolescentes levando armas para a escola e o memorável episódio em que Virgil sofre racismo.

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Creio que isso também é algo que podemos esperar no futuro filme e seria muito atual. Se em outras mídias mais antigas Super Choque já colocava o dedo na ferida e trazia esses debates que poucos faziam, o filme não pode deixar isso de fora e pode ter até mesmo ter um clima parecido com DOPE: Um Deslize Perigoso, de 2015. Seria perfeito e traria muito o ambiente e espírito da animação que todo mundo ama, misturando comédia, drama e muita ação.

Por enquanto não há muitos detalhes sobre a adaptação de Super Choque para o cinema, mas ele estrelará uma série de quadrinhos digital em fevereiro de 2021, que também pode dar algumas pistas sobre o futuro do personagem.

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Os nomes do projeto

Outro nome que estava no painel da Milestone é o Phil LaMarr, que faz a voz original de Virgil. Além de especular em tom de brincadeira sobre quem poderia dirigir o filme, ele brincou que poderia até mesmo retornar ao papel no live-action com alguma tecnologia de redução de envelhecimento no estilo de O Irlandês"Para esse filme, fale com Scorsese por mim, certo?", ele disse. “Eles têm a tecnologia, eu poderia voltar a ter 14 anos.”

Super Choque vai direto na nostalgia de muitas pessoas que acompanham e adoram o personagem e a equipe que falou sobre o projeto também empolga. O cocriador Denys Cowan esteve na CCXP17 e pôde ver como a animação fez bastante sucesso no país. Já em 2015, Reginald Hudlin ajudou a reviver a Milestone Media. Ele atuou como presidente de entretenimento da BET entre 2005 e 2008, e recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Filme como produtor em Django Livre, de Quentin Tarantino.

Confio muito nessas conversas e nas pessoas que estão envolvidas porque elas amam o personagem e estão ligadas à editora há muito tempo. Nesse momento em que muitas editoras estão criando seus universos de super-heróis, seria interessante um universo da própria Milestone, que poderia começar a ganhar forma com este filme de Super Choque.