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Star wars - O meio, o fim e o começo

Star wars - O meio, o fim e o começo

Ederli Fortunato
28.06.2002
00h00
Atualizada em
21.09.2014
13h12
Atualizada em 21.09.2014 às 13h12

George Lucas

Luke Skywalker (Mark Hamill)

Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness)

A princesa Leia (Carrie Fisher)

Han Solo (Harrison Ford)

Darth Vader (David Prowse)

Depois do sucesso evidente, tudo parece muito simples.

Hoje, ninguém duvida de que o público se interessaria numa história com um jovem herói, um vilão perfeitamente malvado, duelos de espadas e uma princesa; ainda mais se a trama fosse contada em ritmo de lenda, com toques de ficção científica, situando a ação numa galáxia distante repleta de naves super-rápidas capazes de manobras radicais e espadas-laser de nome maneiro: sabre de luz. Todavia, no início, esta era a receita de um filme muito estranho, que provavelmente nem pagaria suas despesas. Por esta razão, a Universal bateu a porta na cara de George Lucas. E a United Artists também, mesmo sendo ele o diretor de American graffiti. A luz no fim do túnel veio na forma de Alan Ladd Jr, executivo da Twenty Century Fox que aceitou a idéia, e deu a Lucas quinze mil dólares para desenvolver seu roteiro.

O primeiro esboço de Star wars levou nove meses para ser escrito. Tinha quarenta páginas e chamava-se Journal of the Whils, sobre Mace Windy, um respeitado Jedi Bendu de Ophuchi, uma aventura narrada por C. J. Thorpe, aprendiz padawaan do famoso Jedi. O ano era 1973.

A lista de personagens incluía o General Luke Skywalker, dois trabalhadores chamados C-3PO e R2-D2, que não eram robôs, o General Vader, Han Solo, o príncipe wookie Chewbacca, um e o mercador Bail Antilles. Havia também uma lista de planetas: Yavin, um mundo-floresta, Ophuchi, coberto de nuvens, Alderaan, um globo revestido por uma cidade e Aquilae, um deserto.

Muitas versões preliminares

Normalmente, o trabalho de criação levaria menos tempo, mas o sucesso de American graffiti exigiu a presença de Lucas em entrevistas e eventos, o que atrasou o processo. O maior obstáculo, no entanto, era a própria história. O autor queria colocar, em um só roteiro, o que acabou se transformando em toda a Trilogia Star wars original - Uma nova esperança, O império contra ataca e O retorno de jedi - espremida em duas horas. Certo de que seria impossível fazer isso, ele retalhou sua trama e trabalhou por mais seis meses.

A segunda e a terceira versão começavam com uma frase de grande efeito: Em tempos de grande desespero, virá um salvador e ele será conhecido como o Filho do Sol. Só na quarta versão surgiu o Era uma vez, numa galáxia distante... que Lucas escolheu para deixar bem claro que tudo acontecia num universo inventado e não mais no século trinta e três, como havia cogitado originalmente. Daí em diante, tudo era possível e nada mais tinha ligação com a realidade.

A seqüência de abertura no primeiro esboço também foi diferente. Em vez da fragata rebelde fugindo do cruzador imperial, a história começava com Annikin Starkiller observando uma nave em torno da lua onde ele e o irmão se escondiam dos Cavaleiros de Sith, acompanhados de seu pai, Kane, um dos últimos Jedi. A cena acabou voltando nas versões em livro e em quadrinhos, agora com Luke em Tatooine observando a nave de Leia sendo atacada.

Começa a produção

Pronto o roteiro, no final de 1974, a pré-produção teve início em 1975 e o resto da história foi engavetado.

O orçamento original era de 3,5 milhões de dólares. Inflação somada, o valor atingiu 9,5 milhões, estourados em mais três milhões pelo custo dos efeitos especiais.

Os atores foram escolhidos em grupos. Carrie Fisher recebeu ordens de emagrecer cinco quilos, Mark Hamill foi fazer uma audição para Carrie - a estranha e achou que o homem de barba ao lado de Brian de Palma era o assistente do diretor. Acabou numa audição com Harrison Ford, o ator que ele pensou que seria o protagonista.

O roteiro a essa altura já se chamava The adventures of Luke Skywalker as taken from the journal of the Whills: Saga one: The star wars. Com um orçamento reduzido, todos receberiam muito pouco. A justiça foi feita após o sucesso, quando Lucas distribuiu porcentagens dos lucros aos atores principais.

O toque final - se é possível falar assim de uma história que o autor e diretor tanto alterou e promete continuar alterando com novas inserções digitais - veio com a música de John Williams. Indicado por Steven Spielberg, Williams recebeu a incumbência de criar uma música não-eletrônica para naves espaciais, sabres de luz e robôs. Deu ao público um dos temas mais reconhecidos da história do cinema.

O resultado

Houve pouca publicidade em maio de 1977. Na quarta-feira da estréia, Lucas estava verificando o som das versões estrangeiras de Star wars quando saiu para almoçar num lugar perto do Chinese Theater. Lá, uma faixa da avenida estava interditada, as filas rodavam o quarteirão e a polícia tentava organizar alguma coisa. Só quando olhou para o letreiro, descobriu que ele era o culpado pela confusão. O público ainda nem suspeitava que o resto da epopéia esperava sua vez para ser produzido. Nada mal para alguém a quem Coppola pedira para desistir do projeto e dirigir Apocalypse now.

Três anos depois, a história já era diferente. Com um sucesso nas mãos, Lucas filmou uma cena do pântano de Dagobah na piscina inacabada de sua casa, embora não fosse o diretor de O império contra ataca. Em 1983, Harrison Ford pediu a ele que matasse Han Solo em O Retorno de Jedi, uma vez que ele não ficaria com a garota, nem tinha mãe ou pai, o que prova que, como roteirista, Ford é um grande ator. A trilogia estava concluída e a epopéia chegara ao fim. O começo, porém, ainda aguardava sua vez de ser produzido.

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