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Entrevista

Rajamouli tem “relação de amor e ódio” com streaming: “Meu templo é o cinema”

Diretor indiano, no entanto, reconhece que plataformas ajudaram a aumentar alcance de seus filmes

Omelete
3 min de leitura
23.10.2026, às 08H00.
Cena de RRR: Revolta, Rebelião, Revolução (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de RRR: Revolta, Rebelião, Revolução (Reprodução)

S.S. Rajamouli admite que a entrada de RRR: Revolta, Rebelião, Revolução no catálogo da Netflix em países como o Brasil ajudou a catapultar o fenômeno do filme ao redor do mundo - mas também é firme ao dizer que, "num mundo ideal", seus filmes sempre seriam vistos primeiro na tela grande.

Em entrevista ao Omelete durante sua passagem pelo Brasil para a 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, o cineasta indiano comentou sobre essa relação ambivalente com as plataformas de streaming, e a sensação de rever RRR com um público que ainda não tinha experimentado o longa em uma sala de cinema. Confira!

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OMELETE: Esta participação na Mostra também marca a primeira vez que seu filme, RRR: Revolta, Rebelião, Revolução, foi exibido em cinemas aqui no Brasil. Existe uma parte de você que fica um pouco decepcionada quando seus filmes vão direto para o streaming em outros países? Qual é a sua relação com isso?

RAJAMOULI: Uma relação de amor e ódio! [Risos] Porque, para mim, a sala de cinema é como um templo. Fazer filmes é minha religião, e minha criatividade nasceu dentro de uma sala de cinema, assistindo a filmes, as cortinas subindo, as luzes se apagando, vivenciando aquilo ao lado de muitas pessoas. Foi assim que a criatividade nasceu dentro de mim. Quando penso e escrevo, penso em termos de uma grande tela. Para mim, cada imagem se desenrola na minha mente se ambienta em uma sala de cinema, com pessoas assistindo àquela cena. Então, se um filme vai direto para o streaming, é muito decepcionante. Mas, ao mesmo tempo, sei que, se não fosse pelo streaming, RRR não teria viajado tanto. No Brasil, por exemplo, se não fosse pelo streaming, inguém teria conhecido RRR. Então, reconheço esse fato. Numa situação ideal, eu quero que meus filmes passem nos cinemas e também em plataformas de streaming.

OMELETE: Como você mesmo disse, parece certo assistir a um filme como RRR na maior tela possível. Quando você tem esse tipo de evento em que o filme é exibido, tem uma cena favorita para rever com as pessoas? Como é essa sensação para você?

RAJAMOULI: Não uma cena favorita, mas a esta altura já assisti ao filme tantas vezes, em tantos países, com tantos públicos, que sei onde a plateia vai reagir. Fico aguardando ansiosamente, sem olhar para a tela, olhando para a plateia para ver onde eles vão reagir e o quanto vão reagir. Nunca falha quando vem “Naatu Naatu”, quando a música toca, quando eles salvam a criança, quando os animais saltam. RRR é uma celebração, termina com uma música festiva, todo mundo dançando, batendo palma e se sentindo muito feliz com o filme. Não há uma cena específica, mas eu sei quase todos os pontos em que eles vão reagir, e fico sempre ansioso por isso.

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