Somos Todos Um
Nota do filme combina com seu título
Quem somos nós? Pra onde vamos, qual é o segredo, qual é o sentido da vida? Mensalmente chegam às livrarias dezenas de títulos tentando responder a essas perguntas. Se você é mais uma alma amargurada à procura de respostas, certamente não vai encontrá-las em Somos todos um, filme de 2005 que tenta pegar carona nos sucessos ironizados no começo desse texto.
Como os próprios criadores explicam no começo da fita, trata-se de um documentário caseiro, realizado por três amigos que nunca haviam mexido numa câmera antes. Isso torna-se claro logo nos primeiros segundos, com imagens de baixa qualidade e por vezes tremidas. Inexperiência e poucos recursos nem sempre significam filmes ruins, mas no caso de Somos todos um, não há pensamento positivo que salve o espectador de uma verdadeira jornada de auto-constrangimento.
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Com a intenção de buscar a unicidade descrita no título original (One), os três amigos entrevistam dezenas de pessoas, como um adolescente espinhento, uma hippie vestida de fada, ateus, religiosos e teólogos, em busca de denominadores comuns nas mais diversas linhas filosóficas. Quem é Deus, o que é a felicidade, por que guerreamos, qual o sentido da vida? Nem precisariam ter ido tão longe e gravado quase 150 horas de entrevistas. Bastaria terem ido à livraria mais próxima e consultado a seção de religião, que está abarrotada de obras às quais Somos todos um não nada acrescenta. E pior, na sua tentativa de unificar linhas de pensamento às vezes antagônicas (como franciscanos e ateus), o filme atropela sem dó todas as características que tornam religiões como o cristianismo e o budismo tão distintos e admiráveis aos olhos dos seus seguidores, como se estivesse tentando criar uma espécie de imperialismo religioso.
Mais irritante que o amadorismo dos criadores é seu deslumbramento diante da película. Eles vivem se gabando do quanto o filme é transformador, e enaltecendo qualidades que só eles parecem ver, mostrando o lado mais perigoso da auto-ajuda... às vezes não basta acreditar em seu próprio sonho. Dois dedinhos de talento são essenciais, e fazem uma falta danada aqui.
Como se não bastasse, a tal da entrevista com o Dalai Lama que encabeça os nomes do release simplesmente não existe. O líder do budismo tibetano é apenas brevemente citado, utilizando as imagens de uma antiga entrevista. Mas talvez não seja o caso de propaganda enganosa. É bem provável que os divulgadores do filme sequer o tenham visto até o final.
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