Transforme sua forma de curtir entretenimento

Icone Fechar
Filmes
Notícia

Somos Todos Um

Nota do filme combina com seu título

FY
05.07.2007, às 14H00.
Atualizada em 22.11.2016, ÀS 22H02

Quem somos nós? Pra onde vamos, qual é o segredo, qual é o sentido da vida? Mensalmente chegam às livrarias dezenas de títulos tentando responder a essas perguntas. Se você é mais uma alma amargurada à procura de respostas, certamente não vai encontrá-las em Somos todos um, filme de 2005 que tenta pegar carona nos sucessos ironizados no começo desse texto.

Como os próprios criadores explicam no começo da fita, trata-se de um documentário caseiro, realizado por três amigos que nunca haviam mexido numa câmera antes. Isso torna-se claro logo nos primeiros segundos, com imagens de baixa qualidade e por vezes tremidas. Inexperiência e poucos recursos nem sempre significam filmes ruins, mas no caso de Somos todos um, não há pensamento positivo que salve o espectador de uma verdadeira jornada de auto-constrangimento.

Omelete Recomenda

1

None

Com a intenção de buscar a unicidade descrita no título original (One), os três amigos entrevistam dezenas de pessoas, como um adolescente espinhento, uma hippie vestida de fada, ateus, religiosos e teólogos, em busca de denominadores comuns nas mais diversas linhas filosóficas. Quem é Deus, o que é a felicidade, por que guerreamos, qual o sentido da vida? Nem precisariam ter ido tão longe e gravado quase 150 horas de entrevistas. Bastaria terem ido à livraria mais próxima e consultado a seção de religião, que está abarrotada de obras às quais Somos todos um não nada acrescenta. E pior, na sua tentativa de unificar linhas de pensamento às vezes antagônicas (como franciscanos e ateus), o filme atropela sem dó todas as características que tornam religiões como o cristianismo e o budismo tão distintos e admiráveis aos olhos dos seus seguidores, como se estivesse tentando criar uma espécie de imperialismo religioso.

Mais irritante que o amadorismo dos criadores é seu deslumbramento diante da película. Eles vivem se gabando do quanto o filme é transformador, e enaltecendo qualidades que só eles parecem ver, mostrando o lado mais perigoso da auto-ajuda... às vezes não basta acreditar em seu próprio sonho. Dois dedinhos de talento são essenciais, e fazem uma falta danada aqui.

Como se não bastasse, a tal da entrevista com o Dalai Lama que encabeça os nomes do release simplesmente não existe. O líder do budismo tibetano é apenas brevemente citado, utilizando as imagens de uma antiga entrevista. Mas talvez não seja o caso de propaganda enganosa. É bem provável que os divulgadores do filme sequer o tenham visto até o final.

Comentários (0)

Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.

Sucesso

Ao continuar navegando, declaro que estou ciente e concordo com a nossa Política de Privacidade bem como manifesto o consentimento quanto ao fornecimento e tratamento dos dados e cookies para as finalidades ali constantes.