Washington diz que Sobrevivência a mudou como atriz: “Diretores não me davam espaço”
Omelete fala com equipe do novo thriller da Netflix, dirigido e estrelado por Ben Affleck
Créditos da imagem: Kerry Washington e Ben Affleck em Sobrevivência (Reprodução)
Para Kerry Washington, o thriller Sobrevivência marca um claro “antes e depois” em sua abordagem como atriz. Falando ao Omelete, a atriz de Scandal e Django Livre contou que a experiência de interpretar Abigail – psicóloga e esposa do candidato à prefeitura Mark (Ben Affleck), cuja moralidade é testada quando o filho dos dois é sequestrado às vésperas da eleição – foi transformadora por conta do método de Affleck na direção.
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“Uma das grandes coisas que aprendi com o Ben foi confiar mais em mim mesma”, conta ela. “Porque acho que não trabalhei com muitos diretores que me fizessem sentir segura para assumir riscos, e Sobrevivência realmente me permitiu encontrar novas maneiras de abordar o trabalho como atriz”.
A seguir, confira trecho do papo em que Washington, Affleck e seus colegas de elenco, Adriana Paz e Luis Gerardo Méndez, discutem sobre os temas centrais de Sobrevivência e a “dinâmica conturbada” que existe por trás da fachada perfeita do relacionamento de Mark e Abigail.
OMELETE: Sobrevivência aborda como pessoas públicas frequentemente tentam curar suas vidas, o que é e o que não é compartilhado, ou conhecido, sobre elas. Sei que isso também é verdade para vocês como atores, então como trabalhar neste filme mudou a forma como vocês pensam ou se sentem sobre esse aspecto de suas vidas?
WASHINGTON: Que excelente pergunta! Ben, o filme mudou a forma como você se sente sobre isso?
AFFLECK: Bom, você já é uma especialista nisso! Não sei se algo mudou, mas sinto que você é extremamente hábil em transitar de maneiras autênticas entre a vida pública e a privada.
WASHINGTON: Quero dizer, acho que uma das grandes coisas que aprendi com o Ben foi confiar mais em mim mesma. Porque acho que não trabalhei com muitos diretores que me fizessem sentir segura para assumir riscos, e Sobrevivência realmente me permitiu encontrar novas maneiras de abordar o trabalho como atriz. Então não sei se mudou tanto sobre como eu curo minha vida fora do set, mas fez com que eu me sentisse capaz de ser mais eu mesma no set e trazer mais do que tenho a oferecer como artista no set.
AFFLECK: É como perguntar ao Michael Jordan: "Como este jogo mudou sua abordagem do basquete?". E ele responde: "Eu já sei como jogar basquete".
WASHINGTON: [Risos] Não, não! Eu realmente sinto que saí deste filme uma atriz diferente. Há a atriz que eu era antes de me envolver em Sobrevivência, e a atriz depois.
MÉNDEZ: Eu também acho que trabalhar com o Ben é muito inspirador, sabe? Toda vez que encontro um ator que realmente respeito, e que não tem redes sociais, fico pensando: "Acho que eu deveria apagar meu Instagram". Mas, por outro lado, sou muito viciado nisso. Sinto que vivemos em um momento onde a privacidade é muito importante. Guardar algo para você mesmo, guardar aspectos da sua vida para você mesmo é muito importante porque vivemos em um momento onde tudo precisa ser explorado, e você precisa monetizar cada aspecto da sua vida.Suas férias, seus amigos, seus looks. Sinto que, se você consegue guardar um pouco disso para você, é algo muito gratificante.
PAZ: É loucura como hoje em dia, se você não postar o que está vivendo, é como se nunca tivesse existido. É difícil estar no Instagram, ver todos os vídeos e fotos das pessoas… parece que isso te afasta de quem você é, sabe? E você começa a comparar a sua vida com a vida dos outros, ao invés de simplesmente vivê-la. Quando você não está postando algo, se sente mal porque não fez. Já pensei muito em apagar meu Instagram, mas esta profissão precisa que você esteja lá, e é uma relação de amor e ódio. Meu filho tem 13 anos e não tem nenhuma rede social – nem WhatsApp, nem nada. Estou tentando mantê-lo longe desse inferno o máximo que posso, porque acho que vicia e distorce a realidade.
MÉNDEZ: Ao mesmo tempo, eu fico feliz todas as vezes que a Kerry Washington curte uma postagem minha. [Risos] E toda vez que a Gillian Anderson [que também está no elenco de Sobrevivência] não comenta em uma das minhas publicações, eu fico tipo: "Tudo bem. Legal. Não ligo mesmo”. [Risos]
OMELETE: Bem, eu também tenho outra pergunta para a Kerry, porque li sobre como a dinâmica conturbada entre o Mark e a Abigail a atraiu para este projeto. Você pode elaborar sobre as partes do relacionamento deles que falaram com você, e o que a deixou animada para interpretar essa personagem?
WASHINGTON: Acho que interpretei muitas personagens que enfrentam grandes sistemas de poder, como em Batalhão 6888 ou em Scandal – enfrentando o governo, a Casa Branca e grandes instituições. E adorei que o conflito neste filme era muito mais interno, que era realmente sobre a luta de poder dentro de uma casa, e como você pode ser a sua melhor e mais honesta versão de si mesma na sua casa, no seu casamento. Então acho que isso é parte do que foi realmente fascinante para mim. E essa ideia de tirar a máscara, tipo, quanto de si mesma você pode realmente trazer para o ambiente? Quanto é permitido?
*Sobrevivência chega ao catálogo da Netflix em 9 de outubro.
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