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Entrevista

Sintonizando gerações: Júlia Yamaguchi e Duda Pimenta analisam legado de Sintonia

Atrizes interpretaram mãe filha na última dança de Nando da V.A. e seus amigos

Omelete
6 min de leitura
15.08.2026, às 18H00.

Sintonia sempre deixou claro que possuía três protagonistas — Doni (Jottapê), Rita (Bruna Mascarenhas) e Nando (Christian Malheiros) —, mas nenhum deles funcionaria tão bem sem seu núcleo de apoio. A franquia foi encerrada com o lançamento de Nando entre Dois Mundos - Um Filme Sintonia, que focou no desfecho da história de N.D da V.A. Porém, além dele, o filme também deu destaque para a família do protagonista, com a mãe Scheyla, personagem de Júlia Yamaguchi, e a filha Bruninha, de Duda Pimenta, no centro da história. Agora, em entrevista ao Omelete, as atrizes analisam qual é o legado deixado pela franquia.

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“A produção e o roteiro de Sintonia foram muito cuidadosos”, diz Yamaguchi. “Sempre tivemos pessoas que viveram essa realidade [da periferia] trabalhando como nossos consultores. Isso faz com que a história não soe irreal para quem mora lá, pois eles ajudaram a construir a trama conosco”, explica.

Segundo ela, isso se traduz no retorno que o elenco recebeu do público durante os oito anos em que a franquia foi exibida. “Hoje, com a resposta rápida da internet, recebemos muitas mensagens de pessoas dizendo: ‘Foi a primeira vez que vi minha realidade sendo bem retratada’. Eu também nasci e cresci na periferia, no Extremo da Zona Leste de São Paulo, e sei que essa realidade tão dura poderia ter sido facilmente romantizada ou mostrada de forma excessivamente violenta. Sintonia consegue retratar essas vivências de uma maneira extremamente respeitosa”, celebra a veterana.

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Já para a jovem Débora Pimenta, a produção da Netflix aborda temas sensíveis que fazem parte do cotidiano periférico da cidade de São Paulo. “É por isso que tanta gente se identifica. Eu mesma me identifico muito, pois minha família veio da periferia. Assistir à série era olhar para a tela e pensar: ‘Isso acontece na minha casa, na minha rua’”, explica atriz, que acrescenta: “o público gosta tanto porque a série passa mensagens importantes sobre consequências, oportunidades, escolhas e, principalmente, sobre a importância da nossa base, que são as pessoas que amamos e cuidamos”.

As cinco temporadas de Sintonia Nando entre Dois Mundos - Um Filme Sintonia estão disponíveis na Netflix. A seguir, você pode ler a entrevista com Júlia Yamaguchi e Duda Pimenta na íntegra:

Pedro Ribeiro (Omelete):. No filme, a participação da sua personagem se torna ainda mais crucial, já que temos Nando em dois mundos, mas acredito que a família está tão dividida entre esses mundos quanto ele. Queria saber como foi voltar para essa personagem, agora num núcleo que é praticamente o grande destaque da trama, e ter que fazer essa mediação entre a família e o mundo do crime a todo momento?

Júlia Yamaguchi: É interessante porque o filme traz um retrato específico, mas esse conflito existe desde a primeira temporada. A importância do relacionamento, da família, do amor e de ter um lar é muito grande para o Nando, pois isso impede que ele seja um personagem maniqueísta. Ele não é apenas um bandido bom ou ruim, e não é uma pessoa sem caráter; ele é tudo isso. A família traz essa humanização para ele desde o começo. O que eu acho mais interessante é que o filme, apesar de ser um spin-off de cinco temporadas, traz um novo retrato desse conflito. É um embate mais silencioso, porém mais profundo e diferente do que eles passaram até agora. Há uma relação de casal diferente e mais madura. Então, voltar para essa personagem e explorar esse novo retrato foi um belo desafio.

PR: Neste filme, também temos uma participação muito importante da Duda. Sua personagem foi uma das que mais se destacou para mim nesta história, Duda. Ela é uma adolescente crescendo num ambiente onde a todo momento surge uma novidade radical, lidando com os dramas típicos da idade — como a mudança constante e um pai distante. Com isso, você precisou expor a personagem a diferentes emoções o tempo todo: em um momento ela está apaixonada, no outro está brava, depois triste, com saudade e raiva do pai ao mesmo tempo. Como foi para você misturar tudo isso e fazer essa transição emocional durante o filme?

Duda Pimenta: A Bruninha foi um presente na minha vida. Ela é uma adolescente, então passa a questionar as escolhas das pessoas e como isso teve um impacto enorme na vida dela e da família. Esse amadurecimento fez com que ela virasse uma personagem muito ativa na história. Ela é colocada diante de situações que exigem muita força e responsabilidade para alguém tão jovem. Ela tenta ser uma adolescente normal: quer se apaixonar e fazer amizades, mesmo guardando um segredo que dói muito. Ela sempre se pergunta: "Por que minha família é diferente das outras? Por que meu pai não está aqui em casa?". Ela sofre bastante sozinha. Tenho muitas coisas em comum com a Bruninha. Como meu pai é ausente, eu quis trazer para a personagem um pouco da dor que eu sentia quando era mais nova. Como costumo dizer, o adolescente sente tudo duas vezes mais intensamente que o adulto. Foi um processo no qual eu tive receio de sofrer junto com a personagem, mas recebi muito apoio dos atores, do preparador e do diretor. Acabou sendo algo gostoso e leve de fazer.

PR: Essa temporada é uma grande despedida. O Christian comentou que vocês já se despediram desses personagens algumas vezes, como na quarta e na quinta temporadas, e agora veio o filme. Para ele, a possibilidade de um novo spin-off está descartada. Queria saber se vocês têm esperança ou interesse em retornar ao universo de Sintonia no futuro, e como foi o clima dessa despedida, que provavelmente será a final?

JY: De fato, é a despedida final. Mas sinto que na quinta temporada o desfecho do Nando ficou muito em aberto, diferentemente da Rita e do Doni. O spin-off é um presente para o público no sentido de dar um fechamento adequado para ele. Da forma como o filme retrata isso, tenho certeza de que vai agradar muito quem nos acompanhou durante quase uma década. Os fãs ficarão satisfeitos com o final. Ainda que seja um fechamento bonito, não vou negar que dói. É uma despedida dolorida por conta da relação que criamos no elenco e com a equipe técnica. Em Sintonia, nem tudo é drama. O roteiro é forte, difícil e exige muito do nosso emocional, mas os bastidores são leves porque realmente temos uma sintonia muito boa.

PR:Sintonia foi uma série que impactou profundamente o público das periferias de São Paulo, retratando diversas realidades e dilemas que encontramos lá. Na visão de vocês duas, qual é o legado dessa franquia para o público que acompanhou a jornada até aqui?

DP: Sintonia aborda muitos temas de uma forma muito humana e próxima do público. Fala sobre o crime, os sonhos, os amigos e a família, que é exatamente a realidade das periferias. É por isso que tanta gente se identifica. Eu mesma me identifico muito, pois minha família veio da periferia. Assistir à série era olhar para a tela e pensar: "Isso acontece na minha casa, na minha rua". O público gosta tanto porque a série passa mensagens importantes sobre consequências, oportunidades, escolhas e, principalmente, sobre a importância da nossa base, que são as pessoas que amamos e cuidamos.

JY: Há também o fato de que a produção e o roteiro de Sintonia foram muito cuidadosos. Sempre tivemos pessoas que viveram essa realidade trabalhando como nossos consultores. Isso faz com que a história não soe irreal para quem mora lá, pois eles ajudaram a construir a trama conosco. Hoje, com a resposta rápida da internet, recebemos muitas mensagens de pessoas dizendo: "Foi a primeira vez que vi minha realidade sendo bem retratada". Eu também nasci e cresci na periferia, no Extremo da Zona Leste de São Paulo, e sei que essa realidade tão dura poderia ter sido facilmente romantizada ou mostrada de forma excessivamente violenta. Sintonia consegue retratar essas vivências de uma maneira extremamente respeitosa.

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