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Sicko - S.O.S. Saúde

Michael Moore outra vez Michael Moore

Érico Borgo
06.03.2008, às 16H00
ATUALIZADA EM 04.11.2016, ÀS 19H00
ATUALIZADA EM 04.11.2016, ÀS 19H00

Panfletário, maniqueísta, manipulador... a lista de adjetivos negativos que podemos atribuir a documentarista Michael Moore é extensa. Mas não dá pra negar que o homem consegue alcançar o que se propõe, que é criar discussões acaloradas sobre temas polêmicos.

Seu novo trabalho, Sicko - SOS Saúde (Sicko, 2007) é exatamente igual aos outros. Se em Roger e Eu (1989) ele mostrou como a General Motors destruiu sua cidade natal, em Tiros em Columbine criticou a cultura das armas dos EUA e em Fahrenheit 11 de setembro combateu uma guerra iniciada sem razão, aqui aponta suas câmeras a um dos maiores problemas não só dos Estados Unidos como do mundo, o sistema de saúde. E o faz denunciando a máfia da indústria farmacêutica, dos planos de saúde e do sistema de assistência médica sem o "rabo preso" dos políticos cujas campanhas, como a de Hillary Clinton, são financiadas por conglomerados farmacêuticos (a campanha da candidata a presidente é a segunda maior dos EUA no quesito "dinheiro de médicos, hospitais, indústrias farmacêuticas e planos de saúde", perdendo apenas para a do Senador Rick Santorum da Pennsylvania).

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A opinião de Moore é clara: tratamentos de saúde deveriam ser gratuitos. Para provar que a idéia é viável ele viaja a países em que isso efetivamente acontece: França, Inglaterra, Canadá e até a... Cuba! Sim, o cineasta, a bordo de um barco carregado de vítimas do sistema de saúde estadunidense, cruzou o Estreito da Flórida e foi parar na Ilha de Fidel (na época ainda era ele). Vale lembrar que viagens entre os dois países são restritas devido ao embargo comercial que os EUA impõem a Cuba. No segmento, Moore convidou ex-trabalhadores do Ground Zero, o pedaço de Nova York onde caíram as Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001, que desenvolveram problemas respiratórios e não encontraram tratamento em casa, para se tratarem no país vizinho. Foram duas semanas em fevereiro de 2007 para provar que o sistema médico gratuito da ilha socialista de Fidel é melhor que o capitalista de Bush.

O problema é que Moore filma como num reality show - pega as melhores partes, ignora detalhes técnicos em função do "entretenimento de denúncia" e o resultado nas telas é perfeito... para os desavisados. Soa forçadíssima, por exemplo, a surpresa que ele finge a cada "descoberta" que faz perante as câmeras. É tudo parte do show - e o estragaria mostrar informações relevantes, como a maneira que ele entrou no país: com a famosa licença que Fidel cedia a "empreitadas jornalísticas". E a mesma falsa surpresa acontece na França, no Canadá, na Inglaterra...

Como documentarista, Moore é um tremendo bom ator. Nada que tire a relevância de seu trabalho, porém. Moore filma o óbvio, mas alguém tem que fazê-lo. E a pesquisa merece seu crédito. Para a preparação do filme, ele usou a internet como ferramenta para conseguir as histórias mais trágicas de falta de assistência médica que existem, tanto de gente que tem seguro-saúde (e vê negadas solicitações para exames, internações, coberturas...), quanto de quem depende do Estado, e não tem qualquer amparo. São 47 milhões de pessoas só nesse último grupo.

O grande mérito do diretor é dar rostos às estatísticas. E são rostos com expressões de dor capazes de amolecer o mais incrédulo dos espectadores. E olha que estamos falando de uma realidade até que confortável. O sistema de saúde dos EUA é o 35o. do mundo. O nosso? O 125o. Imagina só se SOS Saúde fosse no Brasil?

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