Senhor dos Anéis in Concert dá nova vida à trilha de Howard Shore

Créditos da imagem: New Line/Divulgação

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Senhor dos Anéis in Concert dá nova vida à trilha de Howard Shore

Espetáculo de As Duas Torres foi levado ao Ginásio do Ibirapuera em São Paulo

Omelete
3 min de leitura
Julia Sabbaga
17.07.2022, às 22H24

Foram três longos anos de espera para que O Senhor dos Anéis in Concert retornasse para a sequência de A Sociedade do Anel, apresentada em julho de 2019 no Espaço das Americas. Com nova organização, novo local e nova orquestra, As Duas Torres chegou ao Ginásio do Ibirapuera com mais investimento na magia do programa, e priorizando o som da orquestra que dá vida à inesquecivel trilha de Howard Shore.

Todo enfeitado para criar um universo de expectativa em torno do programa, com corredores estilizados como uma toca de Hobbit e um jogo de luz bonito de ver na abóboda interna, o in Concert foi além do seu espetáculo de 2019, criando ativações para que os fãs passeassem pelo local como aquecimento ao espetáculo. Para isso, o horário de início do concerto também foi empurrado para frente, e na apresentação de domingo a performance teve início 40 minutos depois do horário marcado.

Quando a orquestra subiu ao palco, liderada pelo maestro Ben Phelps, a energia de expectativa pairou no ar, e com o início do filme - na batalha de Gandalf contra o Balrog - já foi possível perceber a escolha técnica da apresentação, uma que priorizou o som da orquestra ao áudio do filme. É uma questão (também) da acústica do Ginásio do Ibirapuera, que faz com que o som do longa sofra do eco local. A orquestra em si, no entanto, estrela principal da noite, não sofreu em nada e manteve um som tanto límpido quanto impressionante durante toda a duração.

Como principal atração, instrumentos e corais foram impecáveis, e permitiram uma nova percepção tanto instrumental quanto melódica da trilha sonora de As Duas Torres. Em momentos como o caminho pelos Pântanos de Frodo, Sam e Gollum, ou o dramático “exorcismo” do Rei Theoden, o coral roubou o show, e percussões muito mais discretas na versão cinematográfica dão as caras em sequências como na Batalha do Abismo de Helm. Nos momentos mais melancólicos de Aragorn, como em lembranças de Arwen, tanto o coral como as solistas emocionaram no canto élfico.

É uma pena que em todo esse contexto grande parte da sonorização do filme tenha sofrido. A mixagem da versão sem trilha sonora, exibida no Ginásio, deixou para trás muito dos efeitos de O Senhor dos Anéis, importantes principalmente durante a batalha principal. A responsabilidade, é válido ressaltar, não é da orquestra - mas de um arquivo do filme onde se sente muito a ausência do som de bate cabeças, machadadas e saraivadas de flechas. No ápice emocional do longa, por exemplo, a soada da Trombeta de Helm Mão-de-Martelo é simplesmente ausente.

É um programa para fãs de O Senhor dos Anéis, e é de se esperar que quase todos os presentes já saibam cada cena de cor e salteado, o que torna a escolha técnica menos relevante. Para espectadores de primeira viagem, no entanto, a versão perde boa parte de sua carga emocional.

Mas o importante de O Senhor dos Anéis in Concert é sim a performance da orquestra e foi bonito ver a trilha de Shore ganhar esse destaque em um programa feito para fãs. E do mesmo jeito que esperamos para esse segundo capítulo, voltamos a esperar que a organização já esteja programando um retorno com a épica conclusão da saga de Peter Jackson. Que não sejam mais três anos de expectativa.

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