Sam Neill me assustou e encantou quando acreditei que dinossauros ainda existiam
Ator faleceu nesta segunda-feira aos 78 anos
Créditos da imagem: Reprodução
A silhueta com camisa de botão, calça e chapéu poderia enganar. Não, não era Indiana Jones novamente. No meio de uma paisagem árida e de escavações, Sam Neill surgiu como o Dr. Alan Grant em Jurassic Park. Enquanto segurava uma garra de velociraptor fossilizada, seu Grant precisou de meros minutos para ele nos ensinar a respeitar as criaturas que já haviam caminhado pela Terra. E, assim como o pequeno Eddie que ali o escutava, eu também fiquei assustado com a possibilidade de o animal abrir minha barriga e arrancar as entranhas.
- Sam Neill, o Dr. Alan Grant de Jurassic Park, morre aos 78 anos
- Morre Sam Neill: Diretor de Jurassic World e mais colegas homenageiam ator
- Morre Sam Neill: Equipe de Peaky Blinders homenageia o ator
Aquele personagem sério e carrancudo logo dá lugar a um sorriso honesto. A ideia não era só assustar Eddie — que havia chamado a grande descoberta da escavação, um fóssil de raptor perfeito, de “um grande peru” —, mas fazê-lo entender que, perto dos dinossauros, nós, que agora dominamos o planeta, somos apenas seres pequenos e frágeis.
A seriedade logo cede espaço ao deslumbre quando John Hammond faz a proposta de financiar a escavação, mas Sam Neill ainda preparava o maior dos seus momentos na obra-prima de Steven Spielberg: o encanto.
É através dos seus olhos — e dos de Laura Dern, sejamos justos — que ficamos maravilhados com a primeira cena do braquiossauro. O deslumbre logo vira uma queda de pressão, humanizando o cientista bonitão de chapéu, assim como Spielberg já havia feito com Harrison Ford. Grant precisava de alguns segundos para abaixar a cabeça, respirar e acreditar no que estava à sua frente. O diretor reflete, na humanidade do homem que algumas cenas atrás falava dos dinossauros como criaturas terríveis, o maravilhamento que nós, espectadores, também sentimos com aquela revelação.
Sam Neill passou, então, a ser o meu guia pelo Parque dos Dinossauros. Foi com ele que senti todo o turbilhão de emoções que Spielberg preparou na adaptação do livro de Michael Crichton. Da decisão instantânea de abandonar o tour para ver os ovos de dinossauro rachando no laboratório ao arrepio quando ele ouve que os temíveis velociraptors e o gigante T-Rex existem na ilha, Grant vira a própria criança que desprezava no início do filme. Alguém que não resiste se debruçar na barriga de um triceratops doente para sentir a respiração.
E é com ele e o carisma de Sam Neill que, fugindo do ataque do Tiranossauro e andando em meio à mata do parque, descobrimos que a vida encontra um meio.
Sam Neill e seu Alan Grant foram, ainda são e sempre serão um dos meus heróis favoritos do cinema. Um herói que me assustou, me deu uma lição, mas logo segurou a minha mão no caminho tortuoso do encantamento com dinossauros. Era Grant que eu via na tela quando assistia a O Enigma do Horizonte, Possessão, As Aventuras de Rick Baker, O Homem Bicentenário, A Caçada ao Outubro Vermelho e por aí vai.
Hoje ele se junta a Richard Attenborough em algum lugar que, com certeza, vai recebê-lo com um “bem-vindo” tão inesquecível tal qual John Hammond faz com Grant ao ver os dinossauros caminhando pela Terra novamente. Obrigado por ter caminhado ao meu lado nessa jornada, Sam.
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?
Comentários (0)
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login no Omelete e participe dos comentários