Rainhas do Crime | Como o longa promete subverter os filmes de gângster

Créditos da imagem: New Line Cinema/Divulgação

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Rainhas do Crime | Como o longa promete subverter os filmes de gângster

Andrea Berloff estreia na direção em drama protagonizado por mulheres

Julia Sabbaga
03.06.2019
14h51

Em 2016, Andrea Berloff chamou atenção de Hollywood como uma roteirista novata que levou uma surpreendente indicação ao Oscar por Straight Outta Compton: A História do N.W.A. Desde então, sua carreira se desenvolveu com roteiros de filmes de violência – como Herança de Sangue e Crimes na Madrugada – mas atualmente, Berloff prepara o lançamento de seu primeiro longa na direção, que segue o mesmo rumo, mas promete subverter o gênero de gângsters: Rainhas do Crime.

The Kitchen, no título original, é uma adaptação da HQ homônima do selo Vertigo, da DC Comics, e segue a história de três esposas de gângsters no bairro de Hell’s Kitchen, em Nova York, nos anos 70, que tomam o sistema nas próprias mãos após seus maridos terem sido presos. O Omelete visitou o set da produção durante as filmagens, podendo conferir de perto a recriação da Nova York antiga e ainda conversou com a diretora, o produtor Michael De Luca e as três protagonistas, Elizabeth Moss, Melissa McCarthy e Tiffany Haddish.

Segundo Andrea, o longa pretende seguir as regras dos filmes de gângsters, mas com um elemento fundamentalmente diferente: as protagonistas femininas. Fã dos clássicos filmes o gênero, Andrea explicou a inovação de Rainhas do Crime como algo que saiu de um incômodo pessoal com seus próprios filmes favoritos: [Martin] Scorsese é um dos meus ídolos, um de meus diretores favoritos, mas onde estou eu em seus filmes? Eu nunca vou fazer um filme melhor que os dele, então não vou tentar, mas vou fazer o meu próprio filme e me colocar nesta história, pensando em como as mulheres estariam inseridas neste sistema”.

O produtor do longa, De Luca, complementou a ideia, explicando que Rainhas do Crime é um filme do estilo, mas com uma ideia refrescante, e que as protagonistas femininas alteram profundamente a trama tradicional: “Rainhas do Crime é mais emotivo. Andrea gosta de brincar com a profundidade de seus personagens, com influência de O Poderoso Chefão, algo que está na base de todos nós. O que nos interessa é o que faz as pessoas se sentirem atraídas ao mundo do crime, ela se aprofunda neste tipo de ambiguidade moral”. Ainda para Andrea, as diferenças para um cenário dominado por mulheres é substancial: “É legal explorar a ideia do que acontece quando as mulheres dominam o mundo, como é diferente. Há uma camaradagem entre mulheres, no modo diferente que mulheres tendem à trabalhar”.

As influências de Scorsese, Francis Ford Coppola e a ambientação nos anos 70 não impediu que o longa tomasse discussões de gênero no contexto atual, e segundo Andrea, Rainhas do Crime quer trazer o debate com um toque contemporâneo, e não no contexto de 78 e 79, época na qual o filme se passa. A diretora ainda explicou que não é apenas a questão de gênero que está sendo discutida, e que Rainhas do Crime pretende sim começar um debate: “Há uma conexão legal neste filme entre raça, classe e gênero. Todas estas coisas estão no centro da discussão e eu espero que isto provoque uma conversa”. 

Embora o nome de Elizabeth Moss esteja frequentemente associado à produções dramáticas, Tiffany Haddish e Melissa McCarthy são nomes surpreendentes quando se imagina um filme clássico de gângsters, por seu currículo majoritariamente cômico. Sobre isso, Andrea enfatiza que Rainhas do Crime é um drama e passa longe de ser engraçado, também relacionando esta visão ao estreitamento do papel feminino: “É um filme de gangster, é um thriller, não é uma comédia. Todas nós acabamos limitadas de algum modo na vida. Parte do que foi divertido para elas foi brincar com estas definições. Quem disse que Tiffany e Melissa não podem ser atrizes dramáticas incríveis? Elas são, e só precisam da oportunidade e do material”.

Rainhas do Crime estreia em 9 de agosto nos cinemas brasileiros.