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Quinze Dias é fiel ao livro original? Vítor Martins e diretor respondem

Omelete falou com a dupla responsável por transportar o best-seller para a tela

Omelete
5 min de leitura
13.06.2026, às 19H30.
Cena de Quinze Dias, o filme (Reprodução)

Créditos da imagem: Cena de Quinze Dias, o filme (Reprodução)

Lançado originalmente em 2017, Quinze Dias se tornou um dos títulos definidores de uma onda crescente de literatura jovem LGBTQIAPN+ no Brasil… mas isso já faz quase uma década, e os cinemas não viram uma invasão semelhante de jovens histórias queer nacionais, filão no qual Hoje eu Quero Voltar Sozinho (lançado em 2014!) segue sendo uma referência quase solitária. 

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O Omelete apontou esse contraste para Vitor Martins, o autor de Quinze Dias, e a resposta foi direta: “Essas coisas ainda são vistas – e, quando digo “essas coisas”, estou falando de histórias com protagonismo LGBTQIAPN+ – pelo mercado muito como um tiro no escuro, algo arriscado de se fazer. [...] O mercado editorial desbravou isso primeiro por um motivo muito simples: é mais barato fazer um livro do que fazer um filme. O risco de perder dinheiro é muito menor.

A chegada de Quinze Dias aos cinemas, ainda que tardia, busca corrigir um pouco esse desequilíbrio. Na adaptação comandada pelo diretor Daniel Lieff, acompanhamos o enemies-to-lovers de Felipe (Miguel Lallo) e Caio (Diego Lira), dois adolescentes de temperamentos opostos, obrigados a conviver após a mãe de Felipe, Rita (Débora Falabella), aceitar acolher o vizinho por duas semanas enquanto os pais do garoto viajam.

Confira parte do papo do Omelete com Martins e Lieff, onde abordamos o pioneirismo de Quinze Dias e o quanto essa adaptação será fiel ao livro original, a seguir!

OMELETE: Vitor, já são mais de dez anos convivendo com essa história para você… Como é ver isso sendo transformado em filme, e quanto cuidado você colocou nesse processo todo? Você tentou proteger sua história?

MARTINS: Essa história, como você disse, já existe dentro da minha cabeça há muito tempo, e o filme foi um processo longo, demorado. Mas acho que, justamente por ter sido demorado, foi também muito bonito. A gente foi vendo as peças do filme se encaixando pouco a pouco. Eu sempre fui um cara pouco preciosista, assim, com o meu texto. Queria que a essência do livro estivesse presente ali no filme, e fico muito orgulhoso, porque acho que foi exatamente isso que aconteceu. Quem é fã do livro vai assistir ao filme e vai conseguir enxergar toda a essência do livro ali.

OMELETE: Daniel, agora do outro lado: como é que foi pegar essa história, que já é tão querida pelo público há quase dez anos, e transportar para uma nova mídia? O quanto você quis mexer ali, o quanto você também ficou tipo “meu Deus, melhor não mexer muito”?

LIEFF: Olha, foi um desafio, né? Porque trabalhar com uma base de fãs como Quinze Dias tem... eu fiquei com medo. [Risos] A gente teve um cuidado de preservar a essência, vamos dizer, dos personagens, e preservar algumas coisas que o Vítor sempre dizia: “Cara, isso aqui é fundamental”. Mas, ao mesmo tempo, a gente teve uma liberdade muito grande de criar e inventar, mudar coisas, acrescentar coisas. Mas a ideia é essa, né? Os fãs adoram a história, então é claro que eles vão querer ver mais dela.

MARTINS: E também que o filme traga novos fãs, também! Que ele alcance pessoas que o livro não conseguiu alcançar ainda. Como é uma mídia diferente, eu acho que também vai ter um alcance diferente. Por ser audiovisual, a gente mexe com outros elementos que a escrita não toca. Eu acho que a gente alcança muito mais gente.

LIEFF: E alcança de maneira diferente, também.

OMELETE: Bom, eu acho muito bacana ver Quinze Dias ganhando a tela grande, porque me parece que nesses últimos anos a gente tem visto a literatura juvenil LGBTQIAPN+ no Brasil se tornar um fenômeno, mas os cinemas não seguiram a onda. Vocês acham que existe uma barreira aí entre as duas mídias, entre os dois mercados?

MARTINS: É... quando a gente está falando sobre mercados, a gente está falando sobre dinheiro, e essas coisas ainda são vistas – quando digo “essas coisas”, estou falando de histórias com protagonismo LGBTQIAPN+ – pelo mercado muito como um tiro no escuro, algo arriscado de se fazer. “Ah, mas será que vai ter público? Como será que a gente conta essa história? Será que vai ser interessante? Será que a gente vai ser cancelado?”. Todo tipo de pensamento passa em volta dessas histórias, e eu acho que o mercado editorial desbravou isso primeiro por um motivo muito simples: é mais barato fazer um livro do que fazer um filme. O risco de perder dinheiro é muito menor. Então, acredito que o mercado editorial começou a se arriscar, e eu vejo dentro do mercado editorial um movimento muito de oferta e procura. Quando Quinze Dias foi lançado, há quase dez anos, não tinha “irmãos” dele nas prateleiras, assim. Era um livro bem solitário nesse quesito da literatura LGBTIAPN+ contemporânea brasileira.

LIEFF: E, fazendo um paralelo com o audiovisual, o Hoje Eu Quero Voltar Sozinho também era um filme isolado, né? No audiovisual começou a ter uma procura após movimentos estrangeiros, enfim, com o sucesso de Heartstopper e vários outros... Isso acabou causando uma vontade das pessoas verem essas histórias também no Brasil. E eu acho que Quinze Dias é um romance LGBTQIAPN+, sem dúvida nenhuma, mas é também uma comédia romântica que extrapola essa público. A gente sempre fala: é muito bom ter o nicho, mas é bom também abrir o nicho. Espero que esse filme encante pessoas LGBTQIAPN+, pessoas não LGBTQIAPN+...

MARTINS: Eu já costumava falar que Quinze Dias não é um livro que é só para a gente, mas sim um livro sobre a gente que é para todo mundo.

LIEFF: Sim, e é uma história diversa, múltipla, com mil tramas e com mil camadas.

*Quinze Dias chega em 18 de junho aos cinemas brasileiros.

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