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15 Dias viu 400 atores para Caio e Felipe: “A gente só não se pega na vida real”

Descubra como Miguel Lallo e Diego Lira foram escolhidos para estrelar adaptação

Omelete
5 min de leitura
14.06.2026, às 19H00.
Miguel Lallo e Diego Lira em Quinze Dias (Reprodução)

Créditos da imagem: Miguel Lallo e Diego Lira em Quinze Dias (Reprodução)

Os fãs de Quinze Dias, livro de Vítor Martins, sabem o quão importante era escalar as pessoas certas para interpretar Caio e Felipe em uma adaptação cinematográfica da história. Afinal, a interação entre os dois – que são obrigados a conviver quando a mãe de um deles (Débora Falabella) aceita receber o outro em casa por duas semanas durante uma viagem dos pais do garoto – é o coração da história criada por Martins.

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Pois bem: quando Quinze Dias finalmente chegar aos cinemas, os leitores poderão se apaixonar por Miguel Lallo e Diego Lira. Os dois atores, ambos em seu primeiro longa-metragem, dão vida aos personagens de temperamentos opostos com energia, carisma e (acima de tudo) química irrepreensível. E ainda bem, tendo em vista que o pareamento dos dois foi resultado de um longo processo de escalação.

A seguir, o Omelete conversa com Lallo, Lira, Martins e Daniel Lieff (o diretor do filme) sobre o árduo caminho para encontrar Caio e Felipe, e sobre a construção de um relacionamento irresistível para especialistas e novatos de Quinze Dias.

OMELETE: Bom, claro que em Quinze Dias é fundamental ter uma boa escalação para o Felipe e para o Caio, a química deles é o coração da história. Vítor, Daniel, vocês podem contar um pouco para a gente como foi o processo de escalação para esses personagens, e como o Miguel e o Diego apareceram?

LIEFF: Olha, a gente fez uma chamada pública para achar o Felipe. Então isso foi uma coisa muito bonita, porque vieram mais de quatrocentas pessoas do Brasil todo que se inscreveram querendo ser Felipe, e vendo o Felipe dentro de si. E pessoas muito diferentes: mais gordas, mais magras, mais altas, mais baixas... teve uma variedade de “Felipes”, digamos assim.

MARTINS: E o interessante é que, nesse processo de chamada aberta, eles tinham que mandar um vídeo explicando, dizendo por que eles deveriam fazer o Felipe. E para mim, enquanto escritor, foi uma experiência muito transformadora assistir àqueles vídeos. Teve vídeos que eu não conseguia chegar até o final, de tanto que eu chorava, porque eram pessoas abrindo o coração delas, dizendo da importância do livro e de como se identificavam com os personagens. Eu acho que o fato do Felipe ter sido encontrado numa chamada aberta é muito significativo para a história.

LIEFF: E eu acho que o conjunto de todos os Felipes que a gente viu fez o Miguel ser um Felipe “mais Felipe”, digamos assim. Você entende o que eu quero dizer? Por exemplo, eu pedi sempre que os candidatos fizessem os vídeos nos seus quartos, então pude ver os quartos de quatrocentos Felipes diferentes, e isso inspirou muito a direção de arte do filme. 

Enfim, e o Diego [Lira] foi um achado. Não teve uma chamada pública, a gente fez audições mais contidas, e o interessante é que a audição final a gente fez em duplinhas. E quando teve a dupla do Diego com o Miguel ficou claro que eram eles. Eu não tinha mais dúvidas, eles realmente trouxeram essa leveza para a relação dos dois, tanto que ficaram super amigos!

MARTINS: Eu ainda mandei e-mail para o Daniel falando assim: “Dani, Diego Lira. É esse, é esse que a gente tem que escalar... Me ajuda, vamos defender ele, vamos até o fim pra fechar esses dois”. E Miguel e Diego estão aí, brilhando.

Miguel Lallo em Quinze Dias (Reprodução)
Miguel Lallo em Quinze Dias (Reprodução)

OMELETE: Nos últimos quase dez anos desde que o livro saiu, Quinze Dias meio que se tornou um clássico para o público jovem LGBT no Brasil. Queria saber dos atores, agora: Vocês já tinham um histórico com o livro antes de serem escalados? E como vocês encaram estar nessa adaptação?

LIRA: Eu li quando recebi o teste. Já tinha ouvido falar do livro, mas ali foi quando eu peguei para realmente ler e entender o que era Quinze Dias. E aí veio a identificação logo de cara e foi, assim, surreal. E acho que aconteceu com o Miguel a mesma coisa, né?

LALLO: É, eu li na época dos testes. Conhecia pelo nome, porque realmente é um livro muito conhecido nesse universo de booktok, de literatura LGBT, mas eu nunca tinha lido. Então quando recebi o teste fui ler, e foi de cara que me senti exposto, sabe? Porque eu estava naquele livro. Era toda a minha história de infância, de vida, toda a minha insegurança. E acho que o peso de contar essa história, para mim, foi de privilégio. Estou aqui contando a minha história, as minhas vivências, colocando o meu trabalho de ator na vida do Felipe.

LIRA: Poder representar no cinema isso, esses personagens com os quais a gente se identificou tanto no livro, é muito importante para a gente.

Diego Lira em Quinze Dias (Reprodução)
Diego Lira em Quinze Dias (Reprodução)

OMELETE: E uma vez que a escalação veio, que vocês conquistaram esses papéis, como foi construir a química dentro do set?

LALLO: Ah, eu acho que foi tudo no tempo de preparação, né? A gente não se conhecia. Muita gente não acredita quando a gente fala isso, mas a gente se conheceu gravando o filme, e ficou muito amigo. E eu acho que isso aconteceu porque foi um processo tão intenso... A gente ensaiou por dois meses, e por um mês a gente ficou morando no Rio de Janeiro durante a preparação. Nosso quarto era um do lado do outro, coisa de vizinho mesmo de corredor. Então acho que não tinha outra opção, a gente ia ficar amigo de qualquer jeito, e foi um longo processo de tentar entender a relação dos dois personagens, essa química que não é extremamente sexual, mas é de adolescente. É a primeira vez deles, o primeiro beijo, o primeiro tudo... Então foi tudo feito com muito cuidado, muito carinho, mas também muito real, porque adolescentes estão por aí vivendo a vida adoidado. [Risos] Acho que a gente conseguiu colocar essa química na medida certa.

LIRA: Sim, e levar também para as cenas a química que a gente tinha na vida real, que construímos na preparação. A gente também estava vivendo muita coisa pela primeira vez: primeiro filme, primeiro protagonista, primeira vez numa produção desse tamanho…

LALLO: A única diferença é que a gente não se pega! [Risos] Mas será?

LIRA: É isso! [Risos] Acho que essa identificação que temos um com o outro também transferiu muito pro filme. Foi tipo assim: "Vamos pegar na mão um do outro, porque a gente está assustado com tudo isso, mas a gente está junto".

*Quinze Dias chega em 18 de junho aos cinemas brasileiros.

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