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Ponto de Vista

A repetição cansa. A repetição cansa. A repetição... você entendeu, né?

Marcelo Forlani
13.03.2008, às 00:00
Atualizada em 07.11.2016, às 09:03
Atualizada em 07.11.2016, às 09:03

Quem tem filho, sobrinho, primo ou qualquer outra criança por perto sabe muito bem como elas gostam de ver e rever o mesmo DVD. E muitas vezes só alguns trechos específicos ou até determinado ponto da história. O cineasta Pete Travis e o roteirista Barry Levy ainda devem estar nessa fase de suas vidas. Só assim para entender os motivos que os levaram a repetir oito vezes a mesma cena em que o presidente estadunidense é alvo de um ataque terrorista. Ou isso ou eles gostam mais de ver seu principal político morto do que os criadores do documentário ficcional A Morte de George W. Bush, que estreou por aqui semana passada.

Até conseguirem começar a ação propriamente dita do filme, eles ficam brincando com a boa vontade do espectador em um desnecessário toca-rebobina-e-toca-de-novo dos minutos que antecedem o discurso do presidente norte-americano (William Hurt) em uma cúpula sobre a guerra ao terror e o tiro que o acerta. Amparados pela idéia de que mostrar a mesma cena por diferentes pontos de vista a tornaria menos repetitiva, os dois vão jogando no público algumas poucas pistas de quem está por trás do atentado. Mas a verdade é que estas repetições em excesso da mesma cena acabam tornando o filme... repetitivo! E só.

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A cada novo reinício, Ponto de Vista (Vantage Point, 2008) vai se mostrando menos criativo do que ele próprio se imagina e um grande desperdício de elenco, que conta com Dennis Quaid, Matthew Fox, Forest Whitaker, Sigourney Weaver, Edgar Ramirez e Ayelet Zurer. Nesta mistura de Nova Rainhas com a série 24 Horas você logo vai entender que não deve confiar nas cartas que estão na mesa e muito menos nos seus jogadores. Conspirações, traições e reviravoltas vão fazer algum sentido no forçadíssimo final, depois de uma caçada que não empolga, e quando o jogo já estava perdido.

Se vale a dica, um filme realmente interessante sobre diferentes pontos de vista é Timecode, dirigido pelo inglês Mike Figgis em 2000. Foi um dos primeiros experimentos com câmeras digitais de alta qualidade e mostra quatro histórias paralelas, todas filmadas sem cortes, exibidas ininterruptamente na tela e que em algum ponto acabam se cruzando. Quatro é menor que oito, provando que menos continua sendo mais, principalmente quando o assunto é repetição.

Veja clipes do filme

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