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Podecrer!

Rio de Janeiro, 1981, e um grupo de adolescentes se junta para curtir a vida e enfrentar a barra de

Marcelo Forlani
01.11.2007, às 10H10
ATUALIZADA EM 29.11.2016, ÀS 19H01
ATUALIZADA EM 29.11.2016, ÀS 19H01
A adolescência vai ser sempre uma das passagens mais complicadas da vida de qualquer pessoa. E por isso mesmo tão marcante. Este é o motivo que mesmo obras datadas, como o clássico seriado Anos Incríveis

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( Wonder Years , 1988-1993), conseguem falar com qualquer geração. Mas é claro que se você usou calças boca-de-sino e presenciou o Flower Power, tudo isso vem como tempero especial, uma nostalgia de tempos que passaram e foram tão importantes para te trazer até hoje.

Já para quem viveu o início dos anos 80, Podecrer (2007) pode ter este elemento extra. O filme baseado em livro homônimo de Marcelo O. Dantas retrata o Rio de Janeiro em 1981, ano em que um grupo de amigos está prestes a sair do colégio e dar seus primeiros passos na vida adulta. O vestibular bate à porta, hormônios saem pelos poros e há uma vontade gigantesca de experimentar o máximo de coisas possíveis, de preferência com muito sexo, drogas e rock 'n roll.

O ano escolhido, aliás, é muito importante para a história do rock nacional. Marca o início do gênero no Brasil, que já tinha vivido ótimas experiências com Os Mutantes, Raul Seixas e Secos & Molhados, mas se solidificou mesmo só quando começaram a tocar nas rádios bandas como Barão Vermelho, Titãs, Paralamas do Sucesso, Ultraje a Rigor, Ira!, Blitz, etc. E isso não passa despercebido, já que a trilha sonora é um dos destaques do longa. Tanto pela música original, de Dado Villa-Lobos, quanto pelas canções de Tim Maia, Jorge Ben (muito antes de virar Ben Jor), Caetano Veloso, Gilberto Gil, Secos & Molhados, Rita Lee e As Frenéticas.

Era também o fim da ditadura. Os exilados estavam voltando ao Brasil. É este o caso de Carol (Maria Flor), que retorna da França e de tantos outros países por onde seus pais tiveram de viver enquanto os militares "cuidavam" do país. Quando ela aporta no colégio, logo se relaciona com Melissa (Fernanda Paes Leme) e Silvinha (Liliana Castro), duas amigas inseparáveis. Sua chegada também não passa despercebida por João (Dudu Azevedo), que tem uma banda ao lado de PP (Silvio Guindane), Marquinho (Gregorio Duvivier) e Tavico (Marcelo Adnet).

A história que se segue pode não ser a mais original - passa por paixões, "viagens" regadas a chá de cogumelo e maconha, sexo e as complicações que tudo isso junto pode trazer - mas foi muito bem cuidada na ambientação, com figurinos, cabelos e filmes Super 8. "Armada" de uma câmera, Carol fica o tempo todo captando sua turma na escola e as coisas que ela gosta. E tanto a montagem de Marcelo Moraes quanto a fotografia de Gustavo Hadba sabem usar este recurso e misturá-lo à trama, por meio de vinhetas que funcionam como uma máquina do tempo que registram os detalhes daqueles dias, dos shorts curtos que os meninos usavam, às polainas das meninas. Do Gênius ao surfe. Das Brasílias aos Fuscas que se cruzavam o tempo todo nas ruas. Do Walkman (avô do iPod) às fitas K7 gravadas com carinho.

Mas mesmo quem não sabe o significado das palavras acima vai se divertir, pois apesar de cair no velho problema de um elenco mais velho interpretando adolescentes, as escolhas foram felizes e a espontaneidade dos personagens demora, mas aparece na frente das câmeras. Talvez para a geração atual, a comparação mais óbvia seja com o seriado Malhação. Mas pode ter certeza de que sem enrolação e com uma qualidade técnica maior, cortesia da Conspiração Filmes.

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