Filmes

Entrevista

"Pluft fala do medo do que é diferente", diz diretora de adaptação de peça teatral

Rosane Svartman já finalizou filmagens da produção

Rodrigo Fonseca
07.08.2017, às 18H06
ATUALIZADA EM 07.08.2017, ÀS 19H01
ATUALIZADA EM 07.08.2017, ÀS 19H01

Embora morra de medo de gente, Pluft vai ter que superar suas neuroses para encarar as plateias do cinema brasileiro: o fantasminha camarada criado por Maria Clara Machado em 1955, em forma de uma das peças mais populares do teatro infantil brasileiro, acaba de virar filme, pelas mãos de Rosane Svartman. Autora da novela Totalmente Demais (um dos folhetins de maior audiência do horário das 19h da TV Globo) e realizadora de filmes badalados tipo Como Ser Solteiro (1998), ela encerrou na semana passada as filmagens do projeto, que traz o menino Nicolas Cruz, de 11 anos, no papel central. Nomes de fama na TV, na telona ou na web como Juliano Cazarré, Fabiula Nascimento e Gregório Duvivier completam o elenco do longa, produzido por Clélia Bessa (dos cults Separações e Cafuné). 

Na trama, a menina Maribel (Lola Belli), sequestrada pelo pirata Perna de Pau (Cazarré), espera socorro numa casa infestada de fantasmas. Entre eles está Pluft, um espectro medroso que vai se afeiçoar pela menina. Na entrevista a seguir, Svartman dá dicas sobre o personagem e suas aventuras cinematográficas. O vídeo abaixo mostra como foram feitos os efeitos do fantasma, em um tanque cheio de água:    

Omelete: Qual é o desafio maior de encarar um mito como Pluft, que levou gerações de crianças aos palcos? O que a peça tem de mais cinematográfica?

Rosane Svartman: Pluft é uma história bem atual, fala do medo do que é diferente e de como o afeto pode vencer o medo - por isso faz sucesso há tantas gerações e por isso a adaptação para o cinema se torna estimulante. Eu vi a peça quando era criança e nunca esqueci. O mais cinematográfico na obra é também o principal desafio, ainda mais se considerarmos o nosso exigente público infantil: o fantasma. A magia do cinema precisa estar à altura da imaginação do que seria este fantasma fora do teatro, uma linguagem bem diferente. 

Omelete: Quem é o menino Pluft, na ficção, e qual é sua jornada? Quem será ele no cinema?

Rosane Svartman: Pluft é um fantasminha que vive isolado numa casa velha perdida numa praia longe de areia branca. Ele mora com a mãe, que não lhe dá muita atenção, e com seu Tio Gerúndio, que só faz dormir e comer pastel de vento. Pluft tem medo de tudo que não conhece e ele conhece muito pouco do mundo. Daí vem o grande medo de gente, algo que nunca viu. 

Omelete: Em que etapa está o filme agora e como será a engenharia de efeitos especiais do longa?

Rosane Svartman: Finalizamos na última quinta, filmando os fantasmas. Filmamos diariamente em uma piscina de 6 metros, que é como fizemos o efeito de flutuação e movimento dos fantasmas. Durante muito tempo, buscamos um truque mágico, dentro de um orçamento possível para padrões nacionais e que desse competitividade ao filme. Afinal, quando as crianças assistirem os filmes das férias, Pluft estará ao lado de um blockbuster de orçamento grandioso. É uma filmagem que exige planejamento e dedicação. É um truque quase artesanal, mas é possível e o efeito é incrível.

Omelete: Como você avalia o atual nicho infantojuvenil de nosso cinema?

Rosane Svartman: No cinema infantojuvenil brasileiro, ainda não tem os mesmos números, do ponto de vista de produção, distribuição e público, do cinema adulto, com raras exceções. É um cinema que, idealmente, é exibido nas férias, quando a competição é enorme. Ao mesmo tempo, investir no cinema infantojuvenil é investir em formação de plateia, é contribuir para a construção da identidade das nossas crianças, adolescentes. É preciso que eles possam torcer por heróis brasileiros, que possam se emocionar com as nossas histórias. Fortalecer o cinema brasileiro infantojuvenil não envolve apenas a produção de filmes, mas também distribuição, políticas de proteção à exibição. 

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